domingo, fevereiro 21, 2016

Deus resolve-nos a vida

Hoje não quero dar nome à pessoa que, em conversa, me disse que não entendia como Deus não nos resolvia os problemas que tínhamos e permitia que houvesse tanto sofrimento, mesmo de pessoas inocentes. Não quero dar-lhe nome, para que cada um possa ali colocar o seu. Porque sei que na nossa vida estas dúvidas aparecem apanhando-nos desprevenidos. A essas pessoas sem nome para dizer, eu hoje quero dizer. 
Deus resolve-nos a vida. Não no-la resolve por fora, por acções exteriores. Tudo o que é de Deus acontece no interior, mesmo as coisas exteriores. Por isso Ele não resolve as catástrofes. Dá-nos o entendimento e a oportunidade de as resolver. Não nos resolve a doença, mas dá-nos a capacidade de a viver. Não nos resolve as relações, mas indica-nos como lidar com elas. Não nos resolve o sofrimento ou a dor, mas inspira-nos o seu sentido. Deixa-nos morrer, mas até isso Ele ressuscita para a intimidade do seu ser. 
Deus afinal resolve-nos toda a nossa vida, mas interiormente. Basta tão só que O deixemos habitar em nós. Lá dentro Ele dará sentido a todo o nosso exterior.

10 comentários:

Anónimo disse...


O teu post fez-me lembrar a poesia de Daniel Faria:

“Mesmo no interior do quarto/ És o lado de fora da casa”

Úrsula Neves disse...

Belissimo, realmente é assim, mas ultimamente amigo. Eu só tenho suportado a vida e não venho a vê-la em sua totalidade de beleza. Talvez na nova vida, aquela que Deus nos prometeu. Eu consiga ver a beleza total das coisas, e não com essa visão humana sobre meu manto escuro rasgado. Talvez um dia...Quem sabe? Espero a nova vida, até depois da morte. Como um cão fiel que mesmo a casa esteja caída e deteriorada, ele está ali a esperar o seu dono. Vivo com meus olhos no horizonte. Vivo esperando sozinha, vivo suportando sozinha, e ainda estou aqui toda podre e rasgada como simbolo de loucura para humanidade. Esperarei amanhã e esperarei sempre. Até o meu noivo verdadeiro voltar. Fico esperando ele. Até ouvir sua doce voz, chamar o nome dessa sua suja meretriz. E se eu merecer ir para inferno. Eu aceitarei, e se ele quiser me vestir como uma princesa aos olhos do seu pai, eu irei. É inutil lutar contra aquilo que somos. Poderiamos ser tudo aquilo que nascemos ou estamos destinados. Mas é inutil, vazio e sem cor. Viver neste mundo. Mas vou vivendo, aos farrapos e cortes. Mas sempre esperando aquela doce voz,
dizer o meu nome, nos becos escuros desta grande Babilônia.

Abraço.

Anónimo disse...

Linda resposta, padre. E mais que linda, verdadeira...

Anónimo disse...

Bom dia
"Deus afinal resolve-nos toda a nossa vida, mas interiormente. Basta tão só que O deixemos habitar em nós. Lá dentro Ele dará sentido a todo o nosso exterior.
Que bonito e verdadeiro. Que bom que o temos também a si padre, para nos ajudar a compreender e a desmistificar estas coisas, que depois de as lermos nos parecem tão mais simples e verdadeiras.
Bj

Anónimo disse...

Gostei tanto, mas tanto, de tudo o que escreveste neste texto. Fica gravado. Já tinha saudades de ouvir uma coisa assim mesmo “à padre”.

Abraço

Anónimo disse...

Isto faz me lembrar um ditado popular que se utiliza aqui para os meus lados: "Deus, conforme dá a chaga dá a mezinha". Os ditados populares, na sua simplicidade carregam de sabedoria.

O meu encontro, confronto com Deus deu-se num período de grande sofrimento e perda e não poderia estar mais de acordo com o teu post padre.

Ainda assim, às vezes nos momentos de maior fragilidade,penso que preferia não ter tido a mezinha para não ter a chaga...

Hoje li no passo a rezar um pensamento que partilho "rezar não é fazer um seguro de vida, com apolice e garantias. Rezar é deixar as próprias seguranças e confiar"

SIRF disse...

Gostei muito! Mesmo! Muito desta resposta!
Obrigada

Canela disse...

Deus resolve-nos a vida, nós é que regra geral não nos resolvemos a segui-LO de verdade, a aceitar o que Ele nos quer dar.

Anónimo disse...

Adoro, este blog nunca pensei em encontrar um cantinho assim, as vezes quando estou só, e falando com Deus, que agora depois de descobrir aqui com quem desabafa, acho que até Deus,pode sentir as minhas faltas nas conversas com mas jamais esquecerei DELE. Mas encontrei seus anjos que pode até me orientar em algo. Confesso meu querido Padre e anônimos um pouco do meu fardo.
Que muitos dizem que são nossas escolhas eu penso diferente. Será??? Eu nunca sonhei com casamento, pois tinha medo de sofrer, com marido que bebe,violento entre outras coisas. e por destino acabei amasiando. Com uma pessoa que já era casado mas separado por três vezes, tentei convence-lo em voltar e cuidar do filho de dois anos junto a esposa, mas ele não me ouviu. Tentei fugir desse relacionamento, mas quando percebi já era tarde. Eu já tinha um filho e hoje tenho a filha, que por sinal muito especial pra nos. Mas com o tempo tudo foi mudando, e descobrir que ele tinha sim um terrível vicio, além do cigarro. Sou totalmente contra vícios.Pois eu não tenho nenhum a ser trabalhar e muito. E penso que ainda é pouco.

Anónimo disse...

Continuando... O meu assunto anterior, hoje não sei mas o que fazer. Mas agradeço à DEUS, por me dado forças para suportar as minhas tarefas diárias, devido trabalho, família,e ate mesmo serviços voluntários que as vezes faço com muito carinho. O meu dito companheiro, sim é simplesmente isso, e nada mais. Acho que fui muito exigente comigo mesma e tenho que enfrentar mais umas batalhas. Já pedi ajuda as pessoas da minha cidade e a pouco tempo os familiares deles que parece que pouco se importam. Porque nem sei dizer que eles eram bem estruturados e acabaram com tudo devido o vicio do filho. E só lhes restam uma casa. Ele pesa mais de duzentos quilos, e esta complicando cada dia seu estado de saúde.Eu não tenho muito com quem contar aqui onde moro. O pároco da minha cidade propôs em ajudar mas estou sem saber como falar com ele. Devido a situação atual.Mas mesmo assim não deixa o maldito vicio que é jogo. Sinto vergonha desta situação. Já chorei muito pergunto à DEUS O QUE VOU FAZER.? Uns dez anos atras tentei deixa-lo, mas pensei na filha e na responsabilidade,ele é uma pessoa do bem mas as vezes fica insuportável, e tenho que entender devido a sua vida. Que sei não é nada fácil, trata-lo pelo SUS, é um processo demorado, fico com muita dor na alma, por vê-lo sofrer com dores, e muitas vezes passamos noites sem dormir, toma mais de 30 comprimidos por dias e mutos são caros as nossas economias que já finalizaram. Não queremos que as pessoas vão embora pra sempre, o que eu queria que ele se tratasse e depois nos iriamos acertarmos essa situação.Nunca amei, só tenho respeito e sou honesta com ele.E sempre confiei nele. Que antes ele aprontou muito com a esposa anterior.Eu exigi dele confiança e respeito. Isso prevalece até hoje. Eu não posso abandona-lo. Precisamos de ajuda. Obesidade mórbida é caso de saúde pública.No nosso país já esta avançados os casos. Quando ele chega em casa com estado de humor abalado eu já sei e nem posso dizer nada. Só atender com uma roupa limpa, comida pronta e conversar um pouco para se acalmar. Mas confesso, tá difícil. Nem sei quando eu consegui ir dormir sem esta preocupada e com medo.Ainda por cima moro de aluguel, estou tentando estudar em uma universidade federal, já é a terceira, que as outras parei devido trabalho. Tenho serviços de segunda à domingo, sobra pouco pra mim.A filha o ano que vêm já vai morar fora pra estudar, o outra já faz cinco anos que não vejo mora em SP. Falamos pela internet.Eles não são amigáveis.Sofro muito com isso. Ele tem um filho que pouco se comunicam.Mas é minha cruz vou carrega-la até o dia que Deus quiser. Estou nas mãos DELE.