terça-feira, agosto 18, 2015

mãos da morte [poema 66]

Porque
as mãos do morto teimam em permanecer abertas
E as nossas mãos vivas teimam em fechar-se?

A morte desagarra-nos de nós
A vida que fechámos nas mãos

3 comentários:

Paulina Ramos disse...

"mãos da morte"

A morte é o processo pelo qual o individuo se desprende desta existência tridimensional para lentamente dar origem a outra forma de vida.

A partir do momento em que é constatado o óbito leva cerca de 4 horas até o corpo começar a atingir um rigor que atinge o seu pico máximo por volta das 12 horas após a morte, para voltar a perder a rigidez após as 48 horas.

Neste período inicial que antecede o rigor mortis, estamos finalmente livres, não há nó na garganta, não há sufoco, não há emoção. É o momento em que ainda não se deu a separação por completo mas também já não há retorno ao antigo estado é um momento de relaxamento para ambas as partes.

Quando as partes se começam a aperceber de que se deu a separação o corpo material reage à falta do "sopro da vida" contraindo-se, o corpo sem forma junta-se ao todo indizível... É o repouso eterno que há-de vir a vivificar outra forma de vida.

É que na Natureza (nossa mãe) nada se cria nada se perde tudo se transforma.

Normalmente enquanto vivos fechamos as mãos ainda não aprendemos a viver de mãos e "coração" aberto nesta vida, que por instantes, nos é dado viver.

Teimamos em querer apoderar-nos daquilo que não foi "concebido" para ser possuído.

Será esse o maior dilema do homem e o seu maior obstáculo para a obtenção do tal estado de felicidade de que Jesus Cristo falou, em poucas palavras abdicar do seu egoísmo, assumir a humanidade para a qual terá sido "criado".

A vida ensina-nos mais sobre a morte do que queremos aprender... mas não dá lá muito jeito aprender a morte na vida.

Anónimo disse...

Porque
Fechamos os olhos ao morto
E não lhe tapamos os ouvidos?

A morte fixa em nós
Os olhos que queremos calar.

Coruja Sábia disse...

''Morte'' uma palavra tão simples, ao qual todos se sacolejam de medo. Uma palavrinha de 5 letras. Mas que assola tanto a padres quanto as pessoas comuns. Devo dizer uma experiencia minha. Já quase morri várias vezes, mas a morte parece ter piedade desta pobre carcaça humana, quanto mais você foge mais aquilo te segue. Eu tive uma vida muito depressiva na juventude de moça, e a morte nunca foi bicho de sete cabeças para mim. Parece que sempre vivi em um meio tom. Mas um dia a tristeza abateu-me a carne, ao qual me tombou do meu voo, um golpe violento, como um soco na face, e é a vida nunca dar trégua, por causa disso desenvolvi transtornos, que acarretaram para a beira da loucura, virei uma besta, perdi o controle de mim mesma, fiz os meus pais e a familia toda chorar, e chegou uma fase tão ruim e pessima que eu já não reagia, ficava parada horas e horas em frente ao espelho, a loucura da depressão aos surtos, tirava meu ''EU'' de mim mesma. Depois deste estágio comecei a querer o suicidio, e num dia eu subi no terceiro andar da casa dos meus pais para me matar, a morte parecia mais doce do que aquele estado de loucura. Então algo clareou minha mente, uma luz, parece que algo em mim lutou para se levantar. E eu disse a mim mesma ''TOMO POSSE DO MEU CORPO PORQUE AQUI É A MORADA DO ESPIRITO DE DEUS.'' Lembro de gritar alto dez vezes. E voltei um passo para trás e cai no choro, acabei vendo o tamanho da besteira que iria fazer por estar sobre influência de uma energia ruim. Mas nunca voltei a ser a mesma, aquela menina alegre desapareceu e hoje surgiu uma mulher mais madura e forte, Então minhas mãos estão abertas para quando chegar a hora ela chegue e arranque em um beijo, o meu último suspiro de uma vez, e não aos poucos, que seja um beijo em que o amante dá na sua amada depois de não vê-la a anos, e diga ''Eu estava esperando por você'', ao sentir os seus dedos frios sobre a minha face, ele me leve ao caminho em seu colo, então eu direi que senti a falta dele. E por algum motivo ou razão, esse ser me dirá o mesmo. Não sei porque, mas lá no fundo da alma eu sei que é.