quarta-feira, julho 15, 2015

Devem os divorciados "recasados" poder comungar?

Dentro de poucos meses teremos a segunda parte do Sínodo sobre a família que tanto tem dado que falar e que tem dividido as alas da Igreja: por um lado uma ala conservadora e jurídica, e por outro uma ala mais progressista ou tolerante. O debate sobre o acesso aos sacramentos por parte dos "divorciados e recasados" é sem dúvida um dos temas mais polémicos a ser discutido no sínodo da família. Vamos nós abrir um diálogo saudável, ou pelo menos, auferir opiniões. A pergunta pode parecer demasiado simplista, pois não exclarecemos pontos de vista ou damos razões favoráveis ou desfavoráveis. O objectivo é tão só proporcionar um espaço de opinião aberta.
Depois da última sondagem, onde se verificou que a maior parte dos meus leitores tenciona ler a "Laudato Si", como se verifica em anexo, agora propomos nova questão: Devem os divorciados "recasados" poder comungar?


23 comentários:

Anónimo disse...


Sem sombra de dúvida devem comungar.

A comunhão simboliza, revela um Cristo que se dá por inteiro a todo o homem.
Ela é um privilégio de determinada igreja, a verdadeira comunhão dá-se e vive-se no dia a dia, manifestando-se visivelmente através da nossa forma de agir para connosco, com os outros com a natureza, que em conjunto nos revelam Deus.
Deixemo-nos de cinismos, a comunhão deveria ser para todos os Cristãos.

Anónimo disse...

eu acho que sim, mas tb que não seja de qualquer maneira!

Anónimo disse...

Ter fé, viver essa fé no dia a dia, no trabalho, em família, etc. ás vezes parece-nos que há uma certa "contradição", pois mesmo sendo Cristãos a vida prega-nos partidas e põe-nos á prova.
Se dizemos que Deus gosta de nós tal como somos...então acredito que Ele, se nós fizermos a nossa parte claro, Vai encontrar uma maneira justa de "julgar" essas pessoas e com toda a certeza, ABSOLVÊ-LAS para que possam comungar, e não se sentirem "excluídos", pois Deus é Amor.

sarovsky disse...

Gosto muito deste espaço embora nem sempre comente. Deixo duas questões que me fazem reflectir sobre este tema (sou 100% a favor da plena participação na Eucaristia de todos quantos a ela acudam de coração humilde):

- uma vez disseram-me que "participar na Eucaristia (de forma séria e comprometida) e não comungar é como aceitar um convite de um amigo para jantar em sua casa e depois não comer absolutamente nada"; passo a equivalência da Eucaristia com uma refeição, que todos sabemos que não é muito adequada (já que a Eucaristia é muito mais do que isso!) mas no fundo é como estar presente numa festa mas deixar-se ficar a um canto no momento de maior partilha e comunhão entre os assistentes... Deve a Igreja realmente privar alguém desse momento?

- outra coisa que me suscita reflexão é o tema da irreversibilidade do sacramento do matrimónio; ainda que entenda o sentido por trás desta questão, não deixo de pensar que nesse caso são os sacerdotes privilegiados, já que se se dá o caso de repensarem a sua vocação e abandonarem o sacerdócio, têm a possibilidade de continuar a comungar. Ora, é acaso o sacramento do matrimónio mais "importante" do que o da ordem? Não me parece que haja uma hierarquia de importância... :)

São apenas questões para reflectir, num tema que espero que a Igreja reveja com muita, muita urgência. Devemos continuar a ser cada vez mais "inclusivos" e cada vez menos "ecléticos". Só assim seremos verdadeiros mensageiros do amor que Cristo proclamou. :)

Anónimo disse...

"sou 100% a favor da plena participação na Eucaristia de todos quantos a ela acudam de coração humilde"

Casados, divorciados, recasados todos me parecem iguais aos olhos de Deus. "participar na Eucaristia (de forma séria e comprometida)" Esta deve ser a principal condição para a comunhão. Excluir quem cumpre esta condição parece-me cruel. Que sentirá Cristo com esta exclusão?

Desculpe sarovsky por utilizar as suas expressões mas, achei que são verdadeiramente acertadas

HD disse...

Há uns tempos um jovem casal a viver em união de fato e já com um filho, no intuito de Celebrar o Casamento pela Igreja, iniciou o CPM, teve encontros com um Diácono Permanente, etc, etc.e para os entusiasmarem, vibraram-lhe logo com o “viverem em pecado grave” e como tal a comunhão e a confissão estavam-lhes vedadas até ao Rito Nupcial….ao longo de alguns meses….Ficaram absolutamente esmagados com a diretiva….
Por sorte há quem os acompanhou de modo “nazareno” , os tenha confessado e dado a comunhão entretanto. E foi este padre que os ajudou a consolidar o caminho, rumo ao sacramento do matrimónio….
Pergunta para 1 milhão de dólares: Que ganha um “funcionário de Deus” olhar para o Canone e de maneira cega Proibir o acesso á comunhão?
Evangelizou quem?
Dar a Comunhão a um Recasado….
Conheço gente que teve que reconstruir a Vida a dois.
Para os que acham que comungar é relevante na sua Vida de Cristão comprometido, deveriam ter algum acompanhamento por uma equipa pastoral e findo algum percurso de consolidação dessa vontade, sim acederem á Comunhão ! Sem rodeios!
Sim á Comunhão a estes Recasados, quando são comprovadamente Católicos praticantes e permanecem fiéis na Fé.
E concordo com o argumento dado pelo anterior post do “sarovsky” :
- Porque se afirma a irreversibilidade do sacramento do matrimónio, mas não se nega a comunhão a um ex padre ou ex freira?
Em que parte do Evangelho surge o privilégio do sacramento da ordem, perante o sacramento do matrimónio?
Não se entende.
Nem com muita Misericórdia, lá chegamos.
Se calhar nem Deus entende tal incongruência do Direito Canónico….
HDias

Anónimo disse...

Se a Igreja fosse verdadeiramente de Deus, não se colocava esta questão, mas como é apenas dos homens, é claro que eles não podem comungar. A meu ver, Deus não faria acepção de quem fosse, só o homem faz.

Anónimo disse...

A Sarovsky disse tudo e bem. Mas uma coisa me parece evidente nos comentários anteriores, é difícil responder à questão desta sondagem sem levantar outras, pelo que parece que a discussão não se poderá cingir apenas aos recém-casados. Temo que a Igreja, mesmo com tudo o que o Papa Francisco tem feito, ainda não esteja preparada para repensar a relação entre os sacramentos de forma global, por isso talvez se possam ir resolvendo algumas coisas a par e passo. E confesso que não percebo como se pode negar a comunhão a quem, de coração aberto, a queira receber. Usando a imagem que já aqui foi dada, é como convidar um amigo para jantar e depois não o deixar sentar-se à mesa...
Obrigada por esta discussão,
Filipa

Anónimo disse...

"A meu ver, "Deus não faria acepção de quem fosse, só o homem faz."
Anónimo permite-me reforçar a tua ideia, Deus não faria, não faz nem nunca fará acepção de ninguém.
O homem faz, Ele não.

Anónimo disse...

Penso que a comunhão é um assunto de consciência, entre a pessoa que comunga e Deus. Ninguém deveria e penso que não vai perguntar a uma pessoa que está na fila da comunhão se ela "pode" comungar. Porque afinal, quem não tem pecados? E será que Jesus não veio para os pecadores? Foi Ele mesmo que o disse. Assim ninguém deveria ficar excluído.

JS disse...

Começo por chamar a atenção para algumas linhas do documento de trabalho para a póxima AG dos senhores bispos. Para que se perceba em que pé estão as coisas.

Os números são o 120 ao 125, que recuperam e ampliam os números 51 a 53 do relatório da AG do ano passado.

O documento encontra-se aqui.

Anónimo disse...

Boa tarde
É meu hábito passar por aqui mas nunca fiz qualquer comentário. Mas face a esta questão não posso deixar de o fazer. A minha resposta à pergunta é não. Claro que podem mas não devem. A sua situação irregular face à Igreja não lhes permite este acesso. É uma questão que coloca muitas outras é. É uma questão sensível e demasiado delicada e acarreta muito sofrimento para quem a vive em igreja também é. É uma questão que tem que ser vivida com muita fé vivendo a experiência única de que Jesus não faz distinção entre ninguém e que comungar não é simplesmente engolir uma partícula. Comungar vai muito além desse simples ato. É uma questão que tem que ser vivida reconhecendo que Jesus caminha comigo, faz este caminho doloroso comigo e me dá forças para o ultrapassar arranjando formas de me encontrar e de ser encontrada por Ele.
Eu pertenço a este grupo de casais em situação irregular e contra mim falo mas faço-o com a plena convicção do que escrevo. Há 27 anos casei com um homem divorciado e há 13/14 anos voltei à prática dominical pela mão do meu filho. Passei por várias fases: revolta, busca de toda a informação acerca deste tema com a participação em vários encontros, formulação de uma opinião fundamentada sobre o assunto e por fim aceitação da minha condição com serenidade e tranquilidade. Durante este período senti-me rejeitada, incompreendida, sozinha mas também tive a consolação de encontrar quem me acarinhou, incluiu, apoiou e me motivou a continuar mesmo contra ventos e marés. Neste caminho de aceitação da minha situação, aceito a posição da Igreja e compreendo-a. Também sei que Jesus quer misericórdia e não sacrifícios mas o facto de obedecer à Igreja de Jesus diz-me que tb estou a fazer a Sua vontade. Nesta altura da minha vida recuso-me a discutir questões teológicas, basta-me acreditar que Jesus tb me ama, que tb me acompanha neste caminho, me dá força para continuar, mostra-me o Seu Amor de tantas e variadas formas e que as coisas que têm que acontecer acontecerão na altura certa. Podem dizer que é uma fé simplista que não admite discussões, tudo bem, mas é esta a minha fé. Vivida com algum sofrimento, com alguma dor mas com a alegria de oferecer a situação a este Jesus que um dia tb se ofereceu por mim e que o continua a fazer todos os dias.
Peço a todos os que passam por este espaço e que se preocupam com os problemas que afetam as famílias nos dias de hoje, que rezemos por este Sínodo para que o Espírito Santo ilumine toda a Igreja, para que a misericórdia e a ternura de Deus estejam presentes e todos se possam sentir filhos do mesmo Pai e incluídos na mesma família-Igreja.
Bem haja caro confessionário por todas as partilhas e questões levantadas neste espaço.
Maria

Emmanuel disse...

Uma pergunta difícil. Ainda bem que não sou eu quem vai decidir.

Anónimo disse...

O que penso é que Jesus passou a sua vida pública a tentar levar para "o templo" os excuídos daquela altura e a Igreja exclui mais do que inclui. Quando um padre quebra o seu compromisso com Deus pode voltar à comunhão, e neste caso podemos dizer que apenas o padre falhou pois Deus não falha. Quando um casal se separa as falhas são humanas, de um com o outro e com o compromisso que assumiram, e isso não é perdoável para a igreja. Concluo então que podemos falhar com Deus mas não uns com os outros? Qualquer coisa aqui está errada. A base do casamento é o amor, se ele termina ainda há casamento? Quantos existem só no papel, só na aparência...
Se os recasados são os "doentes" então creio que Jesus veio essencialmente para eles. Mais do que com as formalidades devemos preocupar-nos com a verdade de cada um e ajudar e acompanhar quem passa estas situações que são de grande sofrimento pessoal e familiar. Sou casada pela Igreja e em momento algum me senti mais digna para receber o Senhor do que pessoas que conheço que vivem uma segunda união, que vivem a sua vida de forma digna e que continuam a participar da eucaristia e de toda a vida e na comunidade apesar destas restrições. Como dizia Frei Bento Domingues "são os convidados para jantar mas proibidos de comer". É urgente voltar ao Evangelho, é urgente a Igreja ter o olhar de Jesus para os seus filhos.

Anónimo disse...

Na minha opinião não devem comungar como o faz a maioria das pessoas: comungar por comungar. Mas se têm fé verdadeira, porque não hão-de poder comungar!?

Anónimo disse...


Judas não comungou? E que lhe deu a comunhão?

Zu disse...

Na minha opinião, se têm uma vivência de fé, devem comungar.
Há coisas na Igreja que não se entendem. Uma pessoa comete um crime, arrepende-se e é perdoada mas um casal que se divorcie e volte a casar, fica excluído para sempre. Bem sei que são realidades diferentes mas como alguém já referiu, Jesus não veio para excluir mas para incluir. Na Sua vida, sempre se deu com os pobres e com os marginalizados da sociedade. A sua mensagem e o seu Amor é para todos. Além disso, não é fechando as portas que se faz evangelização. Todas estas pessoas acabam por se afastar da Igreja como se fossem católicos de 2ª...

JS disse...

Continuando na contextualização, sugiro também a leitura desta notícia, acerca da posição actual dos bispos portugueses sobre o assunto. A coisa não está fácil...

JS disse...

Relativamente a alguns comentários acima, que evocam Jesus:

Não se pode ignorar a radicalidade da sua mensagem, concretamente sobre o matrimónio e o divórcio. Mesmo que se queiram introduzir algumas nuances (e a Igreja primitiva não tardou em fazê-lo), a verdade é que a exigência está lá, bem escarrapachada nos Evangelhos. Se quiserem pegar em Jesus, não dá para guardar o miolo e deixar a casca. Tem de ser comido por inteiro: o mel e o fel.

JS disse...

E mais uma achega: desta feita, palavras do Papa que alguns estão a interpretar como um pôr pontos nos ii, à medida que se aproxima a hora da decisão.

Anónimo disse...

As palavras do Papa são palavras de quem compreende estas situações. Não são novidade. Já o Santo Padre João Paulo II dizia o mesmo. Os casais em segunda união não são excomungados. Precisam de ser acolhidos e compreendidos na sua dor e vivencias. Precisam de compreender através deste mesmo acolhimento o porquê de não poderem aceder à comunhão eucarística. Precisam que a Igreja os cative de novo para o seu seio. Precisam de tudo aquilo que o papa Francisco disse na ultima 4ª feira. E não encaro estas palavras como sinal de que algo esteja a mudar. A Igreja ao cativar de novo estas pessoas para o seu seio tem que lhes mostrar que tb há lugar para elas como baptizadas que são. Hoje em dia ainda há muito desconhecimento de que é possível exercer uma função ou outra dentro da Igreja. Os senhores padres quando encontram casais nesta circunstancias devem ser esclarecedores e facilitadores de todo este processo de inclusão. Infelizmente às vezes não são. E por experiencia própria diria que, muitas vezes, eles tb não se sentem à vontade com estas situações...
Maria

JS disse...

E para quem quiser conhecer o lado da resistência...

Anónimo disse...

Caro JS:
O lado da resistência não merece comentário. Merece e necessita da nossa oração. O mundo está a precisar de olhar a misericórdia.
"Sede misericordiosos como eu sou" disse Jesus. Caminho exigente, difícil mas não impossível...
Maria