sexta-feira, setembro 06, 2013

pequenina oração

Faltava uma hora para o dia dar lugar a outro dia quando me sentei nos bancos do santuário, do lado oposto à vitrina onde a imagem de Nossa Senhora se destaca. Olhei ao meu redor e contei doze pessoas espalhadas, cada uma por si e em seu canto, tantas quantas o número dos apóstolos. Curioso, disse para os meus botões. O silêncio da noite, iluminado por uns quantos focos, contrastava com o ruído do dia e o vai e vem dos peregrinos, uns a pé e outros de joelhos ou de vela na mão. Permaneci naquele banco cerca de meia hora e meia. Havia terços que eram quase devorados pelas mãos dos doze peregrinos. Iam desaparecendo e tornavam a aparecer por entre os seus dedos. Uma conta atrás de outra nas mãos e nos dedos em ritmo certo, mas calmo, como se um metrónomo estivesse na oração daquele gente. Dei por mim a rezar com a forma de estar daquelas pessoas. Contemplando-as, encantado pelas que não temiam rezar de joelhos. Mulheres e homens, sem distinção.
No banco fui arrastado pela sensação de pequenez diante dos outros doze. Pequenino padre. Pequenina oração. Não há hora melhor para se estar nos bancos daquele capelinha, em Fátima.

21 comentários:

Anónimo disse...

"Dei por mim a rezar com a forma de estar daquelas pessoas."
E eu dei comigo a rezar com as palavras que escreveu e com as lágrimas.
Ultimamente pego no terço e rezo-o, não sei fazer nem dizer mais nada, e adormeço muitas vezes com ele na mão.
A sós no quarto também eu sou engolida pela pequenez.
Pequena mulher, pequena mãe... pequena pessoa para não dizer minúscula, ou até mesmo invisível, miserável.
Tão pequena, tão minúscula e insignificante que nem um beijo de parabéns eu recebi hoje de quem mais próximo (pelo menos fisicamente) está de mim.
Confessionário isto foi um desabafo, esteja à vontade se decidir não publicar este comentário.

Anónimo disse...

Little prayer!!
Little priest!!

Adorei... bjs :)

Confissões a Jesus disse...


Deixai vir a Mim os pequeninos e não os impeçais (…) O bom Deus não inspira desejos irrealizáveis, eu posso, portanto, aspirar à santidade apesar de minha pequenez. Tornar-me grande, é impossível. Devo, pois, suportar-me tal como sou, com todas as minhas imperfeições, mas quero procurar um meio de ir ao Céu por uma pequena via, bem recta, bem curta (...) Eu quereria encontrar um elevador para subir até Jesus, porque sou pequena demais para escalar a áspera escada da perfeição (…)

Febe disse...

Nem uma flor no altar...nem uma flor no ambão...nem uma flor aos pés da cruz...todas arrumadas, com extremo cuidado apenas atrás da imagem de Maria...pode não ter importância...mas será q ela gostaria...ela que levou toda a vida a dizer como o Baptista "30 É necessário que ele cresça e que eu diminua João 3"?

HD disse...

“Não há hora melhor para se estar nos bancos daquele capelinha, em Fátima “

Também gosto especialmente de Fátima , fora de horas. Fora do bulício das correrias, das multidões….e do etc…
Aprecio orar á noite, também sentado na mesma capela, onde em regra pontilham outros, que sabem ao que vão e ali permanecem rezando. Gente das mais diversas origens e estratos sociais. Gente idosa e gente nova. Lagrimas e sorrisos correm amiúde, longos silêncios, escutamos o que Ele nos segreda…perante tanta Vida rezada….
Por vezes ignora-se o frio a chuva que latejam á volta, pois a necessidade de um sinal para a Vida, focam-nos neste tempo de silencio e escuta….
Foi nesta simplicidade e em companhia de gente humilde a altas horas da noite na Capelinha, que percebi o significado do despojamento na oração…
A revisitar qb:)
HDias

Bartolomeu disse...

Resumindo.. (se é que existe algo no mundo que possa ser resumido): quanto menores formos capazes de nos tornar aos olhos de Deus, mais fácilmente veremos a luz que d'Ele emana?!
Já agora, padre... essa analogia que estabeleceste entre os 12 peregrinos e os apóstulos de Cristo, não tende a comparar-te a Ele?!
;))
(este Bartolomeuzinho gosta muito de provocar reações, gosta, gosta...)

Confissões a Jesus disse...

Bartolomeu "essa analogia que estabeleceste entre os 12 peregrinos e os apóstolos de Cristo, não tende a comparar-te a Ele?!" Queres dizer que Cristo o comparou a Ele, ou que ele se comparou a Cristo?

(A pequenez tb pode advir de grandes visões).

Acho que o tema pode constranger o padre.

Confessionário disse...

ó Bartolomeu, ó Bartolomeu!
Seria demais... bem que todos devíamos ser como Ele...

Bartolomeu disse...

Confissões; de que Cristo nos ensina a optarmos nas nossas decisões pela melhor forma de estarmos no mundo, em harmonia com os nossos semelhantes e a natureza que nos rodeia, não tenho qualquer dúvida. Que, na busca dessa doutrina, tentamos ao máximo aproximar-nos à sua imagem e ao seu exemplo, também não. Mas penso que Cristo não se importará nada, se de quando em vez nos sentirmos, como ele, filhos de Deus!
;)))

Bartolomeu disse...

Padre, padre!
E não somos?!

Confissões a Jesus disse...

"Mas penso que Cristo não se importará nada, se de quando em vez nos sentirmos, como ele, filhos de Deus!" Faz-se de inocente? Não foi bem isso que pensou inicialmente... Quer dizer sentir-mo-nos como sermos Ele, ou sentir-mo-nos como Ele se sentia?
Isso não lhe faz nada bem padre, mantenha-se humilde vc precisa!;)

Confessionário disse...

Cara amiga "Confissões de Jesus", essa frase não é minha.

Ruth Bassi disse...

Padre, estive o fim de semana passado em Fátima e também me senti bem pequenina. No meio daquela multidão de peregrinos que rezava, colocava velas,cumpria promessas não os consegui acompanhar nem na fé nem na emoção.Será que sou demasiado racional? Incomoda-me esta quase insensibilidade...
Beijinho
Ruth

Confessionário disse...

Ruth, és como és.
Eu tb não sou muito desse tipo de manifestações e, no entanto, considero-me sensível quanto baste!

Bartolomeu disse...

E como se sentia Ele, Confissões?
Alguma vez Ele lhe terá confessado quanto se sentia angustiado, desiludido com as atitudes dos homens, desesperado pelo desleixo dos poderosos perante a miséria que lhes sustentava as riquezas e o poder? Confessou-lhe Cristo algum dia temer, que apesar de toda a força do seu desejo, de todos os rogos que dirigia ao Pai por nós, seríamos sempre almas pecadoras, eternamente pecadoras e eternamente remissoras através da Graça do Espírito Santo?
Humildade não basta, precisamos entender que essa humildade visa sobretudo igualarmo-nos, e só nos igualamos se incluirmos; quando excluímos, pecamos. Foi esta a mensagem e este é o caminho, a confissão, é o acto que nos permite aplanar esse caminho, sem deixarmos de colocar o olhar no exemplo e os ouvidos na Palavra.

Confissões a Jesus disse...


Oh padre… pobre padre…. ! Compadeci-me. Essa frase era do Bartolomeu. Eu perguntava-lhe se ele se referia a nos sentirmos como sermos Ele ou se como Ele se sentiu. Bom, vê estava apenas a procurar compreender o ponto de vista dele em relação à tua vivência. Mas ele troca-me as voltas talvez porque não tenha chegado bem ao que eu queria saber ou procurei dizer. Achando que a comparar-te com Jesus, poderia ter malefícios de grandiosidade na tua alma ; ) por isso é que referi que isso não te fazia bem… que não te deixando levar pela aparente comparação te mantivesses sem voos, mas ainda pequenino e humilde. MAS o culpado disto tudo é o Bartolomeu!!! Heheh vá espero que tenhas entendido.

Confissões a Jesus disse...

Bartolomeu, Jesus confessa-me muitas coisas… quero crer que é Ele. Mas depois das suas explicações ainda não entendi as nuances do que quis precisamente dizer com “essa analogia que estabeleceste entre os 12 peregrinos e os apóstolos de Cristo, não tende a comparar-te a Ele?!” . O que diz não respondeu às minhas dúvidas, amigo. Mas uma vez que o confessionário não se questionou a respeito da sua observação, talvez ele, a conhece-lo melhor talvez o tenha entendido. Eu é que não sei se vc queria dizer se o Sr. padre havia sofrido uma manifestação interior por parte de Deus e se sentira minúsculo perante essa inspiração de uma certa grandeza, ou se vc estava a referir que ele se sentira como que no papel de Jesus, pela alusão aos 12. Neste caso seria ele a sentir-se! É que existe muita diferença e já agora pergunto directamente ao autor (…) acho que afinal não vou perguntar… : )Não era lícito...

Bartolomeu disse...

«Não julgueis, para que não sejais julgado» Mateus 7.
Eu não julgo, Confissões. E não o faço por temer ser julgado, mas somente porque não me concedo "autoridade" para tanto.
Aquilo que faço, confesso, é semelhante ao que as crianças fazem quando acompanhadas dos adultos e se deparam com alguém que possui uma perna mais curta que a outra... simplesmente apontam e dizem naturalmente: mamã, papá, aquele senhor é côxo!
Nem ao coxo, nem à criança, nem ao pai ou à mãe vai acrescentar ou retirar alguma coisa, o facto de a criança ter reparado na coxice do coxo. Mas individualmente, sim. Ao coxo porque vive com uma limitação física que o impede de progredir com a mesma agilidade de um são. à criança porque a vida lhe mostrou que apesar de todos iguais, alguns são menos iguais que outros. Aos pais que devem ajudar a criança a entender que apesar de diferentes de nós, os outros são nossos irmãos e devemos ajuda-los a superar as suas fraquesas, por forma a que possamos sentir útil a nossa existência.
Sei que este comentário não responde à questão que vens a querer ver aclarada, por isso fico a aguardar que voltes a formular a pergunta, usando uma forma diferente. Vais ver que depois de colocares a pergunta duas ou três vezes, encontraras na tua própria pergunta, a resposta que desejas.
;))

Confissões a Jesus disse...

Caro Bartolomeu, uma deficiência física é muito diferente de uma vivência interior. Podemos tenta-la interpretar sob pena de nos enganarmos e especialmente se é uma vivência de outrem, por isso ao ser apontada, não o é sem uma avaliação que se reflecte nas palavras, mais ou menos claras... Às tuas palavras " fico a aguardar que voltes a formular a pergunta, usando uma forma diferente", se a minha forma feriu a tua susceptibilidade as minhas desculpas. No entanto, não tenho mais nada a questionar-te, amigo. Não nos perturbemos... nem todos podemos viver na mesma frequência, mas isso é natural. O inverso, e que nos agrada é que é mais invulgar. Mas digo-te que no fundo a resposta que procurava não era a tua, era o que o confessionário havia vivido, e na verdade tens razão quando dizes que já se me tornou claro o que ele viveu! Tudo de bom.

Confissões a Jesus disse...

Caro Bartolomeu, uma deficiência física é muito diferente de uma vivência interior. Podemos tenta-la interpretar sob pena de nos enganarmos e especialmente se é uma vivência de outrem, por isso ao ser apontada, não o é sem uma avaliação que se reflecte nas palavras, mais ou menos claras... Às tuas palavras " fico a aguardar que voltes a formular a pergunta, usando uma forma diferente", se a minha forma feriu a tua susceptibilidade as minhas desculpas. No entanto, não tenho mais nada a questionar-te, amigo. Não nos perturbemos... nem todos podemos viver na mesma frequência, mas isso é natural. O inverso, e que nos agrada é que é mais invulgar. Mas digo-te que no fundo a resposta que procurava não era a tua, era o que o confessionário havia vivido, e na verdade tens razão quando dizes que já se me tornou claro o que ele viveu! Tudo de bom.

Bartolomeu disse...

Concordo inteiramente, Confissões, os sinais exteriores de cada um, poderão estar nos antípoda das experiências vividas a nível do intelecto. Porém, ambas são suscetíveis de ser notadas por outros. E em consequência dessa observação, poderão dar origem à colocação de questões, directa, ou indirectamente. Pessoalmente prefiro a forma directa, ligeira e não peremptória. Se o padre faz menção ao número de pessoas que orava e os compara em número aos apóstulos de Cristo, eu pergunto-lhe se: sendo ele o nº13 estaria a achar-se no lugar de Cristo, ou então, e esta questão não coloquei, se se consideraria o 13º apóstulo, que alguns teólogos consideram estar presente na mesa da última ceia e que figura na pintura de Leonardo, identificando-o como sendo Maria Madalena.
De resto, acrescento que nada virtual poderá afectar a minha susceptibilidade porque me considero pouco permeável a influências avulso e porque tenho a certeza de não teres pretendido fazê-lo. Por fim, retribuo-te os votos de bons sucessos.
;)