sexta-feira, setembro 07, 2012

Quem canta, seu mal espanta

A senhora Emília é a cantora mor numa das minhas comunidades. Inicia e orienta os cantos da liturgia. É muito prestável, mas já não é a primeira vez que na hora do pós-comunhão fica em silêncio. Pelos vistos estavam assim habituados. E não vem mal ao mundo que a acção de graças seja feita na intimidade própria do silêncio. Porém, como gosto de cantar, insisto que se cante. No último Sábado assim aconteceu. Como ela estava perto da cátedra onde me sento, insisti baixinho, mas de forma audível, para que cantassem. Nada. Fez-se ainda mais silêncio. Mas nisto alguém resolveu cantar do lado de fora da porta da capela. Estávamos nós no tal silêncio profundo quando se ouviu, como se fosse ali juntinho à porta, o senhor burro a zurrar. Gargalhada geral na capela. Mais sonora que o zurro do senhor burro. E o senhor padre não resistiu a comentar do altar. Ora, eu tenho dito para cantarem. Mas hoje alguém me ouviu, e já que não cantamos nós, que haja quem cante por nós. E saímos da eucaristia todos bem-dispostos, pois que, deixem passar a expressão, quem canta seu mal espanta.

12 comentários:

Porthos disse...

:)

O Senhor revela-Se no mais estranho dos acontecimentos!...

Há quem acredite em coincidências... Eu acredito em Milagres, mesmo que pequeninos.

E será que a cantora-mor vai passar a cantar?

Aquele abraço.

Anónimo disse...

E se fomentasse a criação de um, ainda que pequeno, grupo coral?
Um abraço
Anónimo

Anónimo disse...

ahahahahhahahahaha

Confessionário disse...

anónimo das 13 Setembro, 2012 10:42:
A senhora não canta sozinha. Canta com um pequeno grupo coral. Mas ela é que começa os canticos.

Rosa disse...

Eu penso que quem está no grupo coral tem uma certa dificuldade para participar e recolher-se um pouco,a Celebração é vivida de outro modo,mais para os outros de que para o seu interior de silêncio,recolhimento.
Não será?

Anónimo disse...

Fartei-me de rir. Voltou o bom humor, senhor padre?

Anónimo disse...

Nem na minha paróquia nem na ilha há desses, mas fazem falta, quem sabe um dia, naqueles dias em que as senhoras do coro fazem birra ou estão chateadas com o padre, ele o animal não faria melhor figura...
Um dia destes as senhoras resolveu não cantar o cântio final pois elas queriam que fosse um e o padre queria outro. O padre começou a cantar e a assembleia acompanhava, logo que a voz do padre deixou de ser audivel, todos se calaram... e o padre não esteve com meias medidas, voltou para trás e fez questão de cantar o cântico do inicio até ao fim...
Bom tive de me conter pois as senhoras ficaram furiosas e o rosto do padre ficou com um sorriso que as deixou mais furiosas ainda... mas ninguém "arredou" pé e mais importante cantaram...

Joana ;) disse...

Vê padre anime-se!

Tanto desapontamento com o Zé Tuga e vá descobre um burro (animal) católico... lol :)

Ah!! e melhor ainda, praticante e participativo!!! Gostei... lol :)

Bjs

peregrina (emcontratempo.blogs.sapo.pt) disse...

Pois, e ele só zurrava, se falásse o que teria dito, provávelmente oh b... canta!
Não quero com isto ferir quem quer seja, mas é que por onde ando também se passam coisas idênticas, não fazem, nem deixam os ouros fazer.
desculpem todos, apenas um desabafo.

Anónimo disse...

Já chorei ouvindo música e vendo fotos. Já liguei só pra escutar uma voz. Já me apaixonei por um sorriso.
Charlie Chaplin

Anónimo disse...

O amor ensina música.

Anónimo disse...

Aleluia

Bem, ouvi dizer que existia um acorde secreto
Corrigir
Que Davi tocou e alegrou o senhor
Mas você não liga para música, não é?
E vai assim, a quarta, a quinta
O menor cai e o grande ascende
O rei frustrado compondo Aleluia

Sua fé era grande, mas precisava de provas
Você a viu banhando-se no telhado
Sua beleza ao luar derrubou você
Ela te amarrou em sua cadeira da cozinha
Ela destruiu seu trono, ela cortou seu cabelo
E dos seus lábios ela tirou o Aleluia
Querida, eu já estive aqui antes
Eu já vi este quarto e já andei nesse chão (você sabe)
Eu costumava viver sozinho antes de te conhecer
E eu vi sua bandeira na arca de mármore
Amor não é uma marcha de vitória
É um frio e sofrido Aleluia
certa vez você me mostrou
O que realmente se estava a passar
Mas agora você não me mostra mais, não é?
Mas, lembre-se de quando me instalei em você
E o Espírito Sagrado também se instalava
E toda respiração que nós puxávamos era aleluia

Talvez haja um Deus lá em cima
Tudo o que aprendi com o amor
Foi como atirar naquele que desarmou você
E não é um grito que podes ouvir a noite
Não é alguém que tenha visto a luz
É um frio e sofrido Aleluia





Você diz que eu tirei o nome em vão
Eu nem mesmo sei o nome
Mas se eu fiz, bem, realmente, o que é isso para você?
Há um clarão de luz
Em cada palavra
Não importa o que você ouviu
O santo ou quebrado Aleluia
Eu fiz o meu melhor, não foi muito
não podia sentir, então eu tentei tocar
Eu disse a verdade, eu não vim para te enganar
E mesmo que
Tudo deu errado
Eu estarei diante do Senhor da Canção
Com nada mais em minha língua além de Aleluia

Ch M