sexta-feira, abril 17, 2009

Ele disse que tinha utilizado um preservativo

Mal se sentou ao meu lado, disse. Senhor padre, utilizei um preservativo. Soube logo que o objectivo era verificar a minha reacção e saber a minha opinião. Falou com malandrice. Mas deve-o ter usado bastas vezes. Não abri muito os olhos. Não devo mesmo ter esboçado qualquer reacção. Tratei as coisas por tu. Isso já não me causa muita confusão. Sabes o que te digo e sem muitos rodeios. O seu a seu dono. Cada coisa no seu lugar. Pergunto-te. Para que servem os preservativos? Ele respondeu que para evitar contagio de doenças infecto-contagiosas. Continuei com o olhar da pergunta e ele percebeu. Também pode servir para evitar uma gravidez. O meu olhar permaneceu incólume. Ele não sabia que responder mais e perguntou. Diga lá então, padre. Olha, meu amigo, o preservativo também pode servir para usarmos o sexo de forma descontrolada, não pensada, não dirigida. Instintiva. Não retiro valor ao sexo, ou melhor, à sexualidade. Se Deus quis que o homem fosse criado com a ajuda do próprio homem através da relação sexual, já por si é algo maravilhoso. Mas o mais bonito para mim é a relação sexual ser a expressão de amor mais íntima, bonita e completa que Deus criou. Eu enquadro o preservativo nisto tudo que acabei de dizer.
A malandrice do Tó passou a ser mais que malandrice, uma curiosidade. Mas a Igreja condena o preservativo, não é? Falemos antes em magistério da Igreja, amigo, porque tanto eu como tu somos Igr. Digo-te, para já, que concordo com a teoria de que o preservativo, por princípio e por norma, é de condenar. Ò padre, interveio ele, olhe que há bispos que já dizem coisas mais prá frente. Ó Tó, se calhar dizem exactamente o mesmo que eu. Assim como me parece que as opiniões que têm originado muitas confusões, não serão muito diferentes umas das outras. A Igreja, magistério, tem sempre de apontar o caminho ideal. Eu penso que não deve desviar-se nem um milímetro. E depois deve considerar que nem toda a gente sabe pisar esse caminho, mas que são pessoas na mesma, criadas com o mesmo amor de Deus. Explico. A atenção e o acolhimento de cada pessoa humana estarão sempre em primeiro lugar no projecto de Deus. Assim ensinou Jesus com a Sua vida. Podemos condenar o pecado, mas não o pecador. As atitudes e opções, mas não quem as faz. A fragilidade, mas não a pessoa frágil. E ainda fica salvaguardada a consciência de cada um. Presumo que assim seja também o entendimento dos bispos e dos que orientam a Igreja.
Mas pensemos de novo no preservativo em si. Já ouvi muitas vozes da Igreja, magistério, afirmar que o uso deste contraceptivo poderá será a única solução para um casal em que um dos dois tenha essa doença da Sida. Ou então a abstinência. Porém, como todos sabemos seria anti-natura que um casal não usufruísse desse momento que é o mais belo e o mais íntimo de um casal, a relação sexual. Concordo sem problemas morais. Porque o que está em causa é o amor de duas pessoas que se entregaram uma à outra numa verdade de amor.
A minha opinião sincera é que tudo requer uma situação e um contexto próprios. Também o uso de preservativos. Custa-me que ele seja badalado para o uso incorrecto do amor. Explico. A maior parte das vezes serve como álibi para cada um fazer o que bem lhe apetecer, para cada um tirar o máximo de partido do prazer. Não que o prazer seja mau ou condenável. Mas que em primeiro lugar se badale o amor e a fidelidade. O problema do preservativo não está em si, mas na raiz do problema da nossa sociedade. Usa-se e abusa-se do outro e descarta-se, como o preservativo. Não se ama. Usa-se. Usa-se o preservativo não para proteger, mas para poder descontrolar-se. Usa-se para poder ter os parceiros que se quiser, mas não para amar. A campanha contra a Sida devia incentivar mais esta forma de encarar o sexo. Dentro do amor e da fidelidade, tudo é explicável. Fora, poderá ser a forma mais fácil de encarar o problema. A Sida é um problema. Grave. Duro. Sofrido. O preservativo poderá ser uma forma de a combater. Sem dúvida que o é, ainda que não a 100%. E até de outras doenças venéreas. Mas que não seja a desculpa para um falso amor, ou utilização plural do corpo. Hoje uma ou um e amanhã ou daqui a nada outra ou outro.

43 comentários:

Anónimo disse...

Muito, muito interessante...
Partilho a 100% a sua opinião.
É raro ler tanta lucidez junta!
Parabéns padre!
LPS

Luisinha disse...

Adorei tudo!!!

Luisinha

entremares disse...

Como começar ?
Gostava de lhe conseguir transmitir a ideia de que não discordo de tudo o que escreveu, mas que discordo profundamente de algumas das opiniões que aqui expressou.
Vamos por partes.
A Igreja deve sempre apontar a direcção ideal ? Sem sombra de dúvida.
O prazer é mau ou condenável ? É claro que não.
O uso do preservativo é um exemplo de um pequeno contrasenso que a Igreja, magistério, conduz. Porque o preservativo envolve a esfera do sexo... e sexo é um tema que não se discute em termos de Igreja, magistério. A Igreja discute o amor, as relações humanas, a família... mas não discute o sexo. O que está mal.
O uso do preservativo, enquanto prevenção da sida, está correcto. O uso do preservativo, enquanto sinónimo de liberdade excessiva na escolha de parceiros sexuais... não está correcto nem incorrecto, depende do livre arbítrio de quem o decide. Neste segundo caso, até considero que a Igreja se possa ( e deva ) manifestar, enquanto pilar de uma conduta, de uma ética cristã. Mas condenar o uso de um meio que visa impedir a propagação de uma doença...
Abordemos a questão de outro modo.
Recentemente, o caso da menina violada, que por ter abortado, originou actos de excomunhão... leva-me a pensar nestes termos. A Igreja, magistério, pretende representar Deus na Terra, ser o elo de ligação entre o humano e o divino. Pretende a Igreja que eu acredite que o próprio Deus fecharia as portas às pessoas que a Igreja excomungou ? Sinceramente, não o creio.
Do mesmo modo, a posição sobre o preservativo padece do mesmo mal; Uma coisa é defender a vida, após ser concebida ( e os argumentos da Igreja contra o aborto são sólidos, sou o primeiro a reconhecer). Outra coisa é insistir que o prazer do sexo corresponda obrigatóriamente à necessidade da fecundação. Isto, não só por vivermos no século XXI, mas principalmente por carecer de qualquer fundamento ou doutrina, não parece ser muito coerente.

Monge disse...

É interessante ver como muitos têm comportamentos devassos e depois usam a confissão para gozarem com a igreja ou então para aliviarem momentâneamente a sua consciência e no dia seguinte voltarem aos comportamentos anteriores. Caso para perguntar para que serve o perdão da confissão, ou mesmo procurá-la?

Confessionário disse...

Ó Entremares, a Igreja, magistério, que eu defendo não reduz a sexualidade apenas a um acto próprio e exclusivo para a fecundação.
Eu aprendi e sinto que é o acto mais íntimo do amor quer vale por si mesmo.
abraço

Anónimo disse...

Já agora sabe que em África a maior parte da população não é católica?... Muitos nunca ouviram falar de Jesus Cristo... isto quer dizer que na maior parte dos países africanos a Igreja católica têm uma influência diminuta... a opinião do Papa não tem qualquer eco nesses países... no entanto, a Sida tem aumentado exponencialmente onde estão os médicos da ONU, as outras instituições não religiosas, o que tem feito nesses países não católicose sem influência da moral católica, porque não destribuem gratuitamente medicamentos de combate à SIDA... é mais fácil culpar os outros (a Igreja) do que ir para o terreno em força... Sabem que só a Igreja Católica ajuda 27% dos doentes de SIDA no mundo, se os Ateus, agnósticos, anti-clericais se organizassem e ajudam-se outros 27%, se a industria farmaceutica ajudasse gratuitamente outros 27 % qualquer dia teriamos o problema resolvido.
Já agora valia a pena pensar nisto...

Antonio Valerio, sj disse...

Óptima forma de tratar um tema tão susceptível de mal entendidos e acusações... a distinção entre o papel do magistério e o acompanhamento humano e pastoral das pessoas concretas, é muito importante. O essencial é deixar claro o que significa a profundidade e a entrega a todos os níveis, interior e exterior, que seja um momento completo e feliz, e nunca superficial. Parabéns e obrigado, é mesmo bom que tenha a capacidade de falar sem medos e com tanta lucidez. Obrigado e bom fim de semana

MC disse...

olá, confessionário.

aproveito para te desejar uma Páscoa cheia dos dons do Ressuscitado.

Sobre o tema do teu post...não achas que a Igreja entra em contradição quando, por um lado diz que o acto sexual é a expressão da conjugalidade, e por outro tem a posição que tu tão bem expressas sobre o preservativo?

Não será que ainda, como muito bem refere "entremares", aceita a relação sexual apenas tendo como fim da procriação? Tu dizes que não, mas a ambiguidade permanece.

Vou dar um exemplo: alguns católicos dizem que o uso do preservativo, no caso de prevenção da SIDA, não apenas é aconselhável como obrigatório. E como método anticonceptional?

Não seria mais verdadeira, mais coerente a Igreja, se defendesse uma paternidade/maternidade responsáveis? Um planeamento familiar de acordo com as possibilidades de cada casal? É que não têm todos as mesmas condições e a Igreja nivela tudo.

Porquê também o ênfase que a Igreja dá à condenação do "uso" do corpo na fruição do prazer e não condena com a mesma veemência todas as outras formas de exploração da pessoa? No mundo laboral, por exemplo, há tantas. Algum empresário se confessa porque não dá as devidas condições de Higiene, Saúde e Segurança no trabalho aos seus trabalhadores? Que em função do lucro menospreza as condições de trabalho dos mesmos? e tantas mais...

abraço

Anónimo disse...

ó Padre vc tb usa??

Moçambicano disse...

"Porém, como todos sabemos seria anti-natura que um casal não usufruísse desse momento que é o mais belo e o mais íntimo de um casal, a relação sexual."

Caro Amigo P.e "Confessionário":

É sempre um gosto ler os teus "Posts", concorde ou não com o que lá escreves. (Na maior parte das vezes, até concordo, portanto...)

Relativamente ao teu parágrafo que citei acima, tenho um certo receio que, em alguns ambientes mais "centrais", se queira voltar a uma mentalidade "pré Vaticano II". Oxalá me engane...
Mas ninguém pode mudar o rumo da História. Finalmente a Humanidade pôde perceber que Jesus veio para Libertar - e não para "subjugar" a um conjunto de regras e dogmas. Isso, a "Lei", é e será sempre o "Antigo Testamento". Jesus quer-nos Fiéis, mas no Amor.

Um Bom Domingo de Pascoela para Tod@s!

E um grande abraço. Estejamos unidos; a "crise" exige-o, mais do que nunca.

Moçambicano

Confessionário disse...

MC, olá antes de mais. Já ha muito não te lia...

- acho que, mesmo que possa parecer o contrário, a Igreja magistério propõe uma paternidade/maternidade responsável, o que não é bem o mesmo que dizer à mercê da vontade de cada um, mas da responsabilidade de cada um.

- na minha forma de pensar este assunto não há qualquer tip de ambiguidade e assumo a minha posição sem qualquer receio.

- A Igreja magistério tem sido das instituições que mais se tem preocupado com questões sociais importantes ao homem. Só que a comunicação não as empola.

- acho (mas quero dizer que pelo menos eu assim penso) que a Igreja magistério não "condena" (de propósito entre aspas) o uso da corpo, mas o mau uso do corpo.

Abraço

MC disse...

Confessionário,

Não devia ter desviado a centralidade do tema post que é o preservativo, mas já que o fiz, ainda uma breve resposta ao teu comentário:

A paternidade/maternidade que a Igreja propõe, segundo a Humanae Vitae (que ainda continua como documento referência) é no seu próprio dizer a seguinte:

“Na missão de transmitir a vida, eles não são, portanto, livres para procederem a seu próprio bel-prazer, como se pudessem determinar, de maneira absolutamente autónoma, as vias honestas a seguir, mas devem, sim, conformar o seu agir com a intenção criadora de Deus, expressa na própria natureza do matrimónio e dos seus actos e manifestada pelo ensino constante da Igreja (10).”

Segundo entendo, tudo o que não for ordenado áquilo que se chama a “intenção criadora de Deus” (e lendo a Humanae Vitae fica claro que o sentido é apenas o procriativo, todo o acto conjugal, todo o afecto e apoios mútuos, estão ordenados para esse fim) é apenas para servir o egoísmo e o capricho dos homens e das mulheres.

É isto que defendes?

Vais fazer-me a justiça de não achares que é na comunicação social que procuro as orientações da Igreja para os diversos temas.

O que eu queria referir é que o ênfase que a Igreja dá à moralidade sobre o corpo, o sexo, não é o mesmo (porque é menor) que dá a outros males que afectam o homem.
Por exemplo, há alguma comunicação da Igreja a condenar as torturas praticadas em Guantânamo? Se há, não conheço.

O que chamas de “mau uso do corpo” não vem carregado de moralismo e de repressão à fruição do prazer?

Perguntas de quem quer saber: o prazer sexual só é moralmente lícito dentro do matrimónio?

O preservativo é um mal? O uso do preservativo (tiro a utilização como meio para impedir a transmissão do HIV) é uma via para uma sexualidade caprichosa e desordenada? Sempre?


Abraço

pescador de ilusoes disse...

Caro confessionario acho interessante todas as abordagens aqui mencionadas,e fico mais feliz ainda em ver que a opiniao da Santa Igreja foi mantida, é triste ver como pessoas querem distorcer o parecer do catecismo e do magisterio para suavizar seus fardos! Talvez seja por isto que muitos fieis dizem ter encontrado com Jesus em outras religioas posi querem o farod amis facil, escondem-se por tras de suas culpas e as entendem como meros deslizes! A Santa Igreja nos da um ensinamento de sexo seguro, o MATRIMONIO! Que por muitos nao sao vividos e com isto buscam nos ensinamentos falsas vedades para ocntinuarem em suas vidas desregradas!

sónia disse...

Que mais palavras se podem adicionar a palavras tão bem pensadas e racionais!
sem comentários...

beijinhos

Confessionário disse...

Olá de novo, MC

Indo directamente ao assunto:
- Defendo que a relacção sexual é acima de tudo o acto mais íntimo do amor, e é nesse acto mais íntimo de amor que pode surgir uma nova vida, um outro ser... por alguma razão será!... e por alguma razão tb Deus proporcionou que este acto tão íntimo de amor entre duas pessoas e que pode gerar vida, forneça tanto prazer ao homem e à mulher!!
- Não acho que procures apenas a comunicação social para justificar as tuas opiniões (é óbvio e tu sabes que eu não estava a falar de ti, mas no geral); mas não é verdade que a Igreja dê mais ênfase ao corpo e ao sexo que a outras questões sociais (quase todos os dias há um assunto desse genero abordados pela Igreja Magistério e poucas vezes fala no sexo), porém a comunicação social não aborda essa abordagem e é natural que não se saiba.
Ahhh, e posso afirmar que já aborodu Guantanamo; eu li, embora não recorde onde e quando.
- O mau uso do corpo não se refere ao uso do corpo para o prazer, mas o uso do corpo exclusivamente para um prazer egoísta, onde não existe amor e onde os meios existem apenas para esse prazer.
- Para ser mais correcto, o prazer sexual devia ser moralmente lícito dentro do amor genuíno e verdadeiro. Não me parece que o deva ser de e na forma ordinária no que se refere ao "amor" que anda a experimentar, procurar, curtir.
- O preservativo não é um mal em si (o vinho tb não, mas o seu mau uso é); Não quero exagerar e não posso usar a palavra "sempre", mas parece-me que o preservativo quase sempre é uma via para uma sexualidade caprichosa e desordenada (sabes, conheço muita malta nova!!).
abraço

concha disse...

Li o post e li todos oc comentários atentamente e há uma frase que me abriu horizontes...O preservativo não é um mal em si, mas sim o seu mau uso.A comparação como vinho, a meu ver está excelente.
Um abraço

Anónimo disse...

AMEM-SE! MAS, PROTEJAM-SE!(com preservativo)

Daniel

Anónimo disse...

Quando se refere ao casal,quer dizer marido e mulher? Se não, estamos conversados. Se sim, eu pergunto:
E os homens e mulheres que não optaram pelo compromisso do casamento? Não têm direito a viver a sexualidade?

Alma peregrina disse...

Caro Confessionário:

Na globalidade gostei do seu post. Infelizmente, tem algumas partes dele e também dos seus comentários que não se coadunam com o Magistério da Igreja...
Mas não vou perder tempo nesses detalhes porque o post captou o essencial, expôs a doutrina de uma forma compreensível e humana e você já está demasiado ocupado a defender o lado ortodoxo da questão, o que é bastante louvável.

Claro que surgiram os comentários já esperados. Faço eco do suspiro do Pescador de Ilusões. Mas já estou demasiado cansado para arremeter contra moinhos de vento. Já foi altura em que eu acalentava a ilusão de que uma pessoa armada com factos conseguiria vencer uma muralha das opiniões erróneas.

De qualquer das formas, publiquei no meu blog a verdade sobre as declarações do Papa e sobre o papel do preservativo no combate à SIDA em África.

http://cronicasdeumaperegrinacao.blogspot.com/2009/03/o-papa-e-doenca-do-mundo-parte-12.html

http://cronicasdeumaperegrinacao.blogspot.com/2009/04/o-papa-e-doenca-do-mundo-parte-22.html

Pax Christi

Anónimo disse...

A resposta é convincente porque o bom senso está bem presente. Penso que a Igreja deve antes de mais investir na fidelidade. Sem esta, a FAMÍLIA cai e a sociedade obriga-se a reorganizar-se em moldes que não pressupõem a sua existência. Resultado: crianças e/ou adolescentes com DEMASIADOS pais e com DEMASIADAS mães... Adolescentes com DEMASIADAS namoradas/os mas sem amigos. Com educação sexual mas sem antes terem sido educados/as para os afectos. Atulhados de perservativos mas carentes e confusos. Prontos para reproduzir vidas sem sentido que passam a ser a norma e não a excepção.

Sou "cota". Pois sou. E então?

Abraço amigo

Carlos Godinho disse...

Esta forma coloquial é indiscutivelmente a mais simples e mais bela para tratar questões tão sensíveis. Parabéns pela simplicidade que é uma forma de beleza e clarividência no que escreve. Ainda hoje me detive a escrever, neste mesmo espaço, sobre «A Igreja e a Sexualidade». E agora, ao passar por aqui, vejo que existem «formas» infinitamente mais simples de abordar as questões. Com muita verdade, mesmo quando estamos perante questões de «alguma» sensibilidade. Parabéns.

Anónimo disse...

O que eu posso dizer sobre este assunto é q uma grande percentagem de católicos usam contracetivos! Então como é? Somos condenados pela Igreja?

Todo o Homem tem a sua sexualidade, e ponto final.

Se a Igreja defende o amor! Então em determinada altura contradiz-se.

profpardal disse...

Tanto eu como o meu marido somos católicos praticantes. Tenho na família organistas, ministros da comunhão, catequistas.
Sou inclusive, peregrina e acérrima defensora do amor. Princípio primordial de Cristo.

Eu e o meu marido usamos o preservativo como meio contraceptivo. Nenhum de nós se arrepende de o usar ou se sente culpabilizado.
Nos tempos que correm não é fácil deixar vir ao mundo todas as crianças. Aliás, acho que a igreja até devia ser contra. Ninguém, mas ninguém tem capacidade hoje em dia de tomar conta de 5, 6, filhos. Penso ser preferível evitar uma gravidez a ser cúmplice e responsável pelos maus-tratos infligidos nas crianaçs.

Sei bem do que falo pois sou professora. Tenho miudos que na escola mendigam pão no bar. alunos que ficam contentes porque no fim de semana comeram esparguete.

Tenho um aluno que se suicidou sem querer. Comprou uma arma e por acidente deu um tiro nele próprio.
Tenho outro aluno com 13 anos alcoólico.

Sr Padre, não acha que o sofrimento destas crianças deveria ser evitado?

O Bispo Ilídio é um herói! Foi ele quem celebrou o meu casamento antes de ser bispo. Se todos os padres fossem como ele, mais jovens participariam na igreja e entenderiam a mensagem de cristo. Infelizmente, não é assim! A "chefia" da igreja é retrógrada. Porque não nomear um papa mais novo? Um exemplo para a juventude?

MC disse...

Olá confessionário :)

este será o meu último comentário porque ando com pouca vontade de discutir, seja lá o que for, mas faço mais umas considerações ao teu comentário, agradecendo desde já a atenção que te mereceram os meus. Obrigada.

Qaundo fazes a comparação do preservativo ao vinho não estás a ser coerente com a posição do Magistério nem bem com a tua própria argumentação.

Sabemos que o preservativo dentro da caixinha não é mal nenhum.
O Magistério não admite que ele seja usado em caso algum.
O vinho só se for bebido em grandes quantidades é que faz mal. Bebido responsavelmente é um bem para quem o bebe. Faço-me entender? ;)

"Para ser mais correcto, o prazer sexual devia ser moralmente lícito dentro do amor genuíno e verdadeiro".

Parece-me que te estás a querer substituir a Deus. Repara que ele deu a hipótese de prazer sem por condições nenhumas. O homem livremente e responsavelmente experimenta e vive o prazer. Mas nem toda a gente o quer ou pode viver assim. Como é que achas que Deus olha para a sua criação? Com ar paternalista e justiceiro ou com(paixão)?

É notório que a Igreja Magisterial tem, em grande parte, uma visão pessimista sobre a humanidade, sobre os homens e mulheres seus contemporâneos.

É como se alguém tivesse uma folha branca, fizesse um ponto negro no meio dela e a seguir perguntasse: "Que vêem?". O Magistério responde:"Um ponto negro!". "E a porra da folha branca, não está também lá?" Ouviríamos justamente perguntar.

Sobre o preservativo, o que a mim, me parece mais equilibrado, é ,por eemplo, a opção de Juan Masiá, especialista em bioética e padre jesuíta:"O prervativo é uma questão de responsabilidade"

Quem sabe que vai ter uma relação em que, por algum motivo, é necessária protecção, deve usar.

CrisR disse...

Padre acho que arriscou muito em tocar neste assunto, mas acho que fez bem.
Compreendo e concordo quando diz que hoje o apelo ao preservativo é mesmo um apelo ás relações sexuais desenfreadas e sem regra ou amor.
A melhor forma de não engravidar antes do casamento, ou de não apanhar doenças é mesmo a abstinência.
E não me venham dizer que isso é muito complicado hoje em dia, pois conheço muitos casos, tanto de rapazes como de raparigas para quem isso não foi um problema. Agora se calhar não podem começar a namorar aos 15 e casar aos 30, ou ir passar férias juntos e sozinhos, etc...temos de saber lidar com os nossos limites e desejos fisicos e fugir das tentações.
Agora mesmo dentro do casamento eu acredito que gerar uma vida é algo que tem de ser responsavel, e como tal se isso não acontece é melhor usar um método anti-concepcional do que trazer uma criança ao mundo para sofrer, nem que seja psicológicamente porque os seus pais não têm vocação para o criar.

Anónimo disse...

Olá!

A nossa juventude usa o preservativo apenas por um motivo: tens-se á mão uma protecção caso apareça um engate. E nem só a juventude cada vez mais existem relações extra conjugais.

E é para isso que ele é utilizado. Apenas para prevenir uma gravidez,ou uma doença.

Porque nos casais ,já não é norma usar-se o preservativo, e geralmente utiliza-se a pilula, ou fazem-se determinadas operações.

Isso quer dizer que: o preservativo é usado para aquelas relações de um dia. E eu penso que é por isso que a igreja tanto critica o seu uso. Nunca vi a igreja criticar o uso da pilula.

Um abraço

Alexandra

TeresaIHS disse...

Hoje em dia, o problema já não é roubar, é ser apanhado...é o que acho do preservativo.
Namoro há mais de três anos e não preciso dele para nada...eu e o meu namorado somos católicos e prometemos esperar pelo casamento.
Para nós, namoro casto é sinónimo de casamento feliz...e já somos tão felizes =)
Pena que o sexo, algo tão precioso e sagrado, seja banalizado hoje em dia sob o mito do sexo seguro.
Simplesmente detesto o preservativo e contracepção não natural porque impede os namorados de experimentarem a cumplicidade e felicidade de um namoro genuíno, que procura conhecer a alma e não o corpo; e porque impede os casados de terem relações totalmente unitivas, sem barreiras e fronteiras de latex pelo meio.
Preservativo não, castidade sim!

gralha disse...

Acho que não só eu como a larguíssima maioria dos católicos concordamos consigo. Obrigada por tê-lo expressado tão bem.

Confessionário disse...

OLá, amigos
desculpem nao ter podido responder a alguns, que me pediram, e que só agora faço co esforço:

Ao anónimo de 20 Abril, 2009 17:23
Aos casais que não se casam pela Igreja e que tomam outras opções, parece-me que não se põe em causa aquilo que um cristão deve ou não fazer!!! ... penso eu.

Confessionário disse...

Anónimo de 21 Abril, 2009 00:32

A Igreja defende um amor responsável e autêntico.

A Igreja de que eu falo não condena as pessoas, mas os seus actos.

Confessionário disse...

Prof Pardal

Na minha opinião, cada caso deve ser verificado como tal, um caso. Mas um caso não faz a regra nem o geral.
Acho que a Igreja não gosta de ver ninguém a sofrer. Mas quando há esse tipo de sofrimentos, será que é a Igreja a culpada?!
Há muitas formas de evitar sofrimentos!

Eu tb gosto mt do D. Ilídio. Admiro-o muito. Conheço-o pessoalmente (claro que nada tem a ver com o que aqui é tratado neste post) e admiro a sua simplicidade, verdade e coerência.

Canela disse...

Atenção!

Perdem-se rápido demais no contexto!

O que a Igreja diz...

Isto é, o que a Igreja defende é a vida, o amor conjugal fiel, reciproco e fecundo!

A Igreja defende isto!

A relação sexual, vivida dentro do matrimonio é santa!

Quem tenha ouvidos que oiça!

A Paz de Cristo!

Confessionário disse...

ahhhm ocorreu-me outras coisa para dizer ao anonimo de 21 Abril, 2009 00:32

é que a questão aqui não é propriamente a dos anticonceptivos, mas a do preservativo... algo que se utiliza, amaioria das vezes, para "um dia", como alguém dizia.

Um dia podemos falar dos outros.

Confessionário disse...

MC, sabias que o amor genuíno e verdadeiro é esse amor responsável?
Deus é sobretudo, para mim, pelo menos, AMOR verdadeiro.

Eu até entendo o que queres dizer. Mas não posso deixar de te dizer que a tua compreensão para quem usa o preservativo deve ser tão boa como para com aqueles que acham que existem formas melhores de combater doenças infecto-contagiosas, e fazer uso de um amor responsável.

A do vinho é o que é, uma comparação.

De resto, a minha opinião verdadeira é a que expus. Não me interessa fazer jus ao magistério, mas à minha opinião. (isto pode soar mal a alguns; mas acreditem que costumo pensar por mim, e quando aceito o que me diz o magistério da Igreja, faço-o porque o assimilei).

Tb não sei se poderei responder aos comentários que aparecerem, como gostaria (nem sempre há disponibilidade e disposição!). Vou tentando. Fico sempre à tua espera, MC. Não discutas com ninguém!! Se fizeres diálogo é mais saudável e sentimo-nos bem. Eu gosto de dialogar contigo.

Quero acrescentar para todos algo que se refere a quem, porventura, usa preservativo, independentemete daquilo que eu acho ser o ideal (já o referi no post, mas quero ser mais directo): Eu não condeno ninguém que use preservativo!...

Anónimo disse...

O PAPA ESTÁ CERTO - CONFIRMA PESQUSADOR DE HARVARD
«O PAPA ESTÁ CERTO» diz uma autoridade mundial no combate à sida.

«Eu sou um liberal nas questões sociais e isto é difícil de admitir, mas o Papa está realmente certo. A maior evidência é que os preservativos não funcionam como uma intervenção significativa para reduzir os índices de infecção por HIV na África»

Esta afirmação é do médico e antropólogo Edward Green, uma das maiores autoridades mundiais no estudo das formas de combate à expansão da SIDA. É director do Projecto de Investigação e Prevenção da AIDS, do Centro de Estudos sobre População e Desenvolvimento da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.
Em entrevista concedida a jornalistas no avião papal, rumo à Àfrica, Bento XVI afirmou que a AIDS não vai ser controlada só com a distribuição de presewrvativos. Para o Pontífice, a solução é «humanizar a sexualidade com novos modos de comportamento». Por estas declarações, o Papa foi alvo de críticas.

O Dr Edward Green, com 30 anos de experiêncioa na luta contra a AIDS, tratou do assunto no National Review Online (NRO) e foi entrevistado em Ilsuodiario.net.
Ele diz que a contaminação por HIV está em declínio em 8 ou 9 países Africanos. E diz ainda que em todos esses casos, as pessoas estão a diminuir a quantidade de parceiros sexuais. "A abstinência entre jovens é também um factor. obviamente. Se as pessoas começam a fazer sexo em idade adulta, acabam por ter menor número de parceiros durante a vida e diminuem as oportunidades de infecção por HIV"
Green também aponta que quando alguém usa uma tecnologia de redução de risco, como os preservativos, corre mais riscos do que aquele que não a usa. "O que nós vemos de facto, é uma associação entre o crescimento do uso do preservativos e um aumento dos índices de infecção. Não sabemos todas as razões para isto. Em parte isto pode acontecer por causa do que chamamos «risco compensação»".

O médico também afirma que o chamado programa ABC (abstinência, fidelidade e preservativo - e esta só em último caso), que está em funcionamento no Uganda, tornou-se eficiente para diminuir a contaminação.
O governo do Uganda conseguiu reduzir de 30% para 7% a percentagem da contaminação por HIV com uma política de estímulo á abstinência sexual dos solteiros e à fidelidade entre os casados. O uso dos preservativos é defendido somente em último caso. No país, por exemplo, existem cartazes que incentivam os que usam preservativos - considerado um grupo de risco - a serem fiéis às suas esposas...
«É dificil admitir, mas o Papa está realmente certo! » - repete Edward Green que se denomina liberal nas coisas sociais.

C.N.

CrisR disse...

Desculpe Alexandra, mas o Vaticano e como tal a igreja católica é contra qualquer meio anti-concepcional, seja ele a pilula ou o perservativo.

Anónimo disse...

Gostava que a Teodora tivesse comentado este post!
Seria interessante e divertida a sua opinião!!!

Anónimo disse...

Olá!

Ontem esta fraz chamou-me a atenção:

" A monogamia não é uma escolha, é uma vocação "

Conf. não é só você que tem de ter vocação para ser padre, nós simples mortais, tambem temos de ter vocação para sermos monogamos, mas nem sempre é facil. Por isso...

Um abraço!

Alexandra

mariana disse...

Gosto muito da forma como a Fá reflecte as questões que aqui são colocadas. Para mim o uso do preservativo por um casal não tem grandes problemas. Evita filhos quando não há condições para os manter. O problema é quando ele é utilizado para banalizar comportamentos que atentam contra a estrutura familiar. E acontece tantas e tantas vezes.

Gostaria que os meus filhos fossem encontrando professores como a Fá. Não duvido que ensina com vocação. É ou não verdade?

Mariana

Teodora disse...

Eu, destas coisas, não entendo nada!

Anónimo disse...

Mariana

Não se iluda. Sou como sou. Agrado mais a quem tem ideais que se aproximam dos meus e menos a quem perfilha outros. Esforço-me por respeitar as opções de vida individuais mas nem sempre consigo. Mesmo sem querer, acabo por passar a minha forma de sentir e agir.
Realmente optei por esta vida com convicção e entusiasmo. Não era aquela que os meus Pais -também eles professores- queriam para mim. Conheciam-lhe demasiado bem os espinhos e a eles me quiseram poupar. Hoje estou desiludida e se pudesse voltar atrás não era este o caminho que seguia... Tenho que ser verdadeira, Mariana:)

Um beijinho para si e para os seus filhotes.

Anónimo disse...

Ó Fá

não fique triste! é a Fa e mais uns valentes milhares.

um dia os que estão a assistir irão perceber do que se trata. aí já será demasiado tarde para todos.

Anónimo disse...

FILIPINAS: Igreja Católica contra preservativos para soropositivos

A Igreja Católina nas Filipinas emitiu um comunicado oficial a informar que o Vaticano não permite que duas pessoas casadas com VIH/SIDA usem preservativos.

"O que é pedido é auto-disciplina, ser fiel ao seu parceiro e ir mais longe para ultrapassar a praga do VIH/SIDA" disse Melvin Castro, secretário executivo da Comissão Episcopal para a Vida e Família no site da Conferência de Bispos Católicos das Filipinas.

Castro continua indicando que as ideia que a utilização de preservativo irá reduzir o número de infecções de VIH/SIDA é um "mito" numa referência específica à Tailândia onde teve lugar uma distribuição massiva de preservativos nos anos 80 e 90, concluindo que mesmo assim o número de infecções na Tailândia duplicou.

As afirmações foram feitas depois de afirmações anteriores feitas pelos media em que se afirmava que a igreja permetiria a utilização de preservativo em algumas circunstâncias.

Castro acrescentou que nem o Vaticano nem a igreja nas Filipeinas aprovam a utilização de preservativo em qualquer situação, nem mesmo como último recurso.

De acordo com dados oficiais 68% das pessoas HIV+ no país foram infectadas por contacto sexual.

PortugalGay.PT (Portugal)

Postado por MISSIONÁRIA ANDRÉA às Quinta-feira, Julho 17, 2008

Marcadores: CATOLICISMO