quinta-feira, novembro 20, 2008

Será que os animais vão para o céu?

Irmão Sol. Irmã Lua. Irmã árvore. Irmão pintassilgo. Irmão cão. Faz sentido gostar do que Deus criou, como faz muito sentido gostar e tratar bem dos animais. Um amigo meu gosta do que habitualmente dizemos ser o melhor amigo do homem, os cães. Digo-o sem segundos sentidos. Relaciona-se bem com eles. Eu também me relaciono bem com eles, mas apenas quando estão presos. Fora disso é só uma espécie de respeito. Eu gosto de lhe chamar respeito. Porém, o meu amigo gosta tanto deles que um dia, numa conversa daquelas em que costumamos reflectir assuntos ou passar algum tempo à procura de assuntos para reflectir, saiu-se com esta. Será que os animais vão para o céu? Fiquei de pernas e mãos atadas no sentido mais intelectual da expressão. Nunca se me havia deparado semelhante questão. Não imaginei sequer que um dia pudesse ser questão. Comecei por dizer aquilo que era mais fácil, o Olha pró que te deu. Não me podia desarmar e por isso passei para o Ora bem, eu penso que. E depois de pedir ajuda a Deus, se é que Ele pudesse estar interessado em ajudar-me, fui raciocinando em voz alta. Ora bem, eu penso que eles são capazes de se relacionar, mas não são capazes de amar no verdadeiro sentido da palavra, porque amar é algo gratuito, desinteressado. Os animais amam quando recebem algo, quando se habituam. Há pessoas assim, mas isso não interessa para esta nossa discussão, disse para amenizar ou aliviar o diálogo. Por este motivo não devem conseguir estabelecer relação de amor com Deus, não achas? Ora bem, eu penso que se não estabelecem relação de amor com Deus, não tem sentido pensar que eles possam ir para o céu. Disse mais umas três ou quatro vezes palavras parecidas com pensar e possam e ora bem eu penso que, porque não sabia o que dizer mais. Mas para mim o céu, apesar dessa ideia fenomenal de ser um paraíso, não precisa de tanta criatura bela. Só de imaginar que podia haver cães no céu à solta…

53 comentários:

Canela disse...

Ó Pe. Confessionário;

Vou-lhe contar um segredo, eu tenho medo de cães!

Acho-os bem bonitos, e, gosto de dizer qual a raça que mais aprecio, quando estão bem longe... ou presos!

:)

Teodora disse...

Assim sendo, os ateus nunca poderão ir para o céu?! Os afoitos da igreja, ainda que pessoas de bem também verão o seu acesso vedado?! etc.

Eu penso que há muitos animais que estão num patamar acima de muitos seres humanos.

Anónimo disse...

Quanto mais conheço as pessoas...mais gosto dos animais!!Espero que no céu haja animais e esteja lá o meu cão que tenho tantas saudades...!

Anónimo disse...

Eu gostei da ideia deixada sobre o que é relação com Deus e o que não é.
E ainda me fartei de rir com o texto.

Mas já pensou no caso das pessoas com deficiência?! Serão capazes de se relacionar com Deus segundo o seu critério?

um amigo

Olhando o Infinito disse...

Apesar da imagem de ter no céu alguns cães de grande porte, faz ter um pouco de receio..
Para algumas pessoas, os animais (cão, gato, pássaros) são os seus melhores amigos, são quem lhes faz companhia, os protege, quem nunca os magoa ou desilude; para pessoas nesta situação a pergunta se seus animais irão para Céu nem se põe, suponho que partem do principio que sim.

Espero que ninguém goste muito de leões ou tigres :)

Canela disse...

A nossa relação com Deus; passa primeiro com o Amor que ELE nos tem.
Com o AMOR com que ELE pensou na nossa existencia....

Muito pouco tem a vêr com as nossas, capacidades (ou falta delas)... nada tem a vêr com o que sou... mas como o aceito na minha vida.

Se sou incapaz de tomar conhecimento sobre ELE, por falta das minhas capacidades... então ELE está mesmo dentro do meu coração!

Acredito que seja assim!

Anónimo disse...

Uma pessoa que diz que os cães não amam senão por interesse é porque nunca teve a bondade de carácter de tentar interagir com um deles por mais de 3 min. Quem se considera acima de todas as outras criações do seu próprio Deus, devia ser repreendido por ele mesmo! Sinceramente... Eu bem tento arranjar maneira de não detestar a Igreja Católica, mas quanto mais procuro tolerá-la mais motivos encontro para querer distância. E já agora há alguma maneira de deixar bem claro que não quero ir para o céu por nada deste mundo? É que com tanto azar ainda lá vou parar sem querer...
Shame on you!
Alexandra (xana2000_2000@yahoo.com)

Vítor Mácula disse...

Olá, padre

O Céu é a criação renovada na invasão total do próprio Deus; o eterno em abraço total com o temporal, e em que todas as coisas boas e belas resplandecerão no seu princípio e fim, do mais pequeno átomo à mais pequena alma.

Podes dizer à criança que chora a ausência do seu companheiro canino atropelado, que este está com Deus ou no céu... Essa que no céu só há consciências relacionais ou almas pensantes é pseudo-gnóstica, pá LOL

abraço

O Selvagem de Huxley disse...

Eu pensava que a doutrina católica é a de que os animais, embora tenham alma, não têm uma alma imortal.

ie, embora os animais tenham recebido uma essência (um "Ser") do Criador...
... Os animais não receberam a Sua imagem e semelhança.

Por outro lado, o Homem, tendo recebido a imagem e semelhança de Deus, recebeu deste modo uma essência imortal.

O mesmo sucede com as pessoas com deficiências, pelo que estas já podem entrar no Céu.

Isto foi o que eu descobri em sites mais ortodoxos, mas posso estar enganado.







Quanto à Canela, concordo com ela. De facto, tem tudo mais a ver com o Amor que Deus nos tem do que com aquilo que nós fazemos (afinal de contas, nós não "merecemos" a alma que nos foi atribuída, antes ela foi-nos dada gratuitamente por Deus).

Mas temos que recordar que Deus ama toda a Criação. Deus ama cada animal e cada planta. E por isso lhes deu uma alma em conformidade.

No entanto, enquanto Deus ama os animais e as plantas como coisas criadas (todo o artista ama a sua obra)...
... Deus ama os seres humanos como filhos. Trata-se de um Amor diferente.






Se nós recebemos a nossa alma imortal de Deus, tudo dependerá da nossa resposta a esse dom. Se nos voltarmos para o Amor, viveremos eternamente no Amor. Se nos voltarmos para o Ódio, viveremos eternamente no Ódio. Isso é que é a verdadeira essência do Céu e do Inferno.






Nesse sentido, é-me difícil imaginar um animal no Céu... ou no Inferno. Quer dizer, se um cão morde uma pessoa, pecou? Vai para o Inferno se não se arrepender? Mas, e se for um cão de guarda?

E, nesse sentido, Deus estaria a criar uma perigosa injustiça. Pareceria que um coelho estaria predestinado ao Céu, mas uma raposa condenada ao Inferno... simplesmente por seguirem as suas naturezas.

Os animais não pecam, porque não têm consciência moral.

Os animais podem gostar da alguém, podem ter empatia, podem ter afecto, podem até ter espírito de auto-sacrifício (lamento Confessionário, mas nem todos os animais são utilitários nas suas atitudes, embora de facto, a maioria do mundo natural se norteie por um instinto egoísta). Mas os animais não podem amar. Porque o Amor parte da auto-consciência e de um valor moral que é atribuído à pessoa amada.

Para se ser um agente moral, é necessário liberdade. Os animais podem ser incondicionados, mas nunca livres. A liberdade é uma componente da nossa imagem e semelhança de Deus. Deus foi livre de nos criar e nós somos livres de O seguir ou não. Ao rejeitarmos Deus, estamos a rejeitar o propósito que Deus criou para nós. Mas um animal nunca pode rejeitar o propósito que Deus criou para ele.







Em resumo, penso que os animais não vão para o Céu (embora eu gostasse muito de rever o meu amigo de infância já falecido)...

Por outro lado, os animais também não vão para o Inferno. Ou para o Purgatório.

E, o que é mais importante, os animais receberam a benção de viver uma vida (ainda que finita) na plena graça de Deus. Como não podem "agir contra a sua programação", os animais não sentem a angústia humana de não viver de acordo com as suas expectativas. Não estão sempre sedentos de infinito. O infinito veio até eles, sob a forma de leis naturais e ordenadas que eles aceitam na sua finitude.

Os animais têm a benção de viver uma vida finita na plena Graça e Presença de Deus, sem mácula de Pecado (que é o que afasta o Homem de Deus, criando a infelicidade humana).

Não sei se estarei a ser demasiado prolixo, mas foi isto que eu aprendi.






No caso das pessoas deficientes totalmente inimputáveis (bem como crianças que morrem antes da idade da consciência), a própria vida delas é a sua própria batalha espiritual. Ainda que não nos seja visível, elas lutam entre a parte boa e má das suas almas e Deus respeitará sempre as suas decisões. Eu acredito que a vida que essas pessoas levam, as torna mais próximas de Deus e, consequentemente, mais próximas da Salvação.

Abraços em Cristo

Anónimo disse...

Ora bem o céu é aqui!"É a criação renovada, o eterno em abraço com o temporal" como diz o Vitor.O céu é neste agora e neste espaço.Os animais fazem parte da criação de Deus. Logo convivem connosco,amamo-los ( uns mais do k outros)e devemos respeitar a sua liberdade.Não há outro céu, lá por cima.Claro a ser assim, os animais estão no céu como nós estamos.
Abraço

Anónimo disse...

«No caso das pessoas deficientes totalmente inimputáveis (bem como crianças que morrem antes da idade da consciência), a própria vida delas é a sua própria batalha espiritual. Ainda que não nos seja visível,»

Deleito-me com este tipo de delirios!

O que são deficientes totalmente inimputáveis?
Qual a idade apartir da qual uma criança tem consciência?

Desculpem a minha ignorância ...

Anónimo disse...

Não há duvida que o Cristianismo tem muito a aprender com o Budismo.

Aquela passagem em que Buda se atira para a boca da leoa que morria de fome não conseguindo alimentar os filhotes diz-me bem mais que aquela na Bíblia em que Deus pede a um pai que leve o seu único filho ao cimo do monte para lhe espetar o cutelo no pescoço ... para ultrapassar a sua insegurança e ciúme de fidelidade.

figlo disse...

Será que o céu é um LUGAR? Se o é...deve caber lá, tudo o que de bom e belo Deus criou...
MAS...eu ponho nisto um grande MAS...
Eu acredito numa VIDA, para ALÉM desta vida que eu vivo , e na re-suscitação desta mesma vida que eu vivo...( tudo o que de bom Deus conseguiu que eu fizesse será re-suscitado). "Lugar" para onde se vai...não ! Essa não! Nem com cães, nem sem eles...

O Selvagem de Huxley disse...

Caro anónimo:

Lamento, mas não lhe vou responder às suas questões porque, como eu já disse, você não está interessado nas respostas... sinceramente, acho que você podia fazer coisas mais produtivas com o seu tempo do que ser desagradável a coberto do anonimato.

No entanto, sinto-me na obrigação de lhe fazer um reparo.

Porque é que é para si tão comovente que Buda tenha-se atirado para a boca de uma leoa...
... mas vale tão pouco para o seu coração que Cristo tenha morrido por SI?

Se você pensasse em ultrapassar essa arrogância e se preocupasse em estudar aquilo que critica, saberia que qualquer exegeta minimamente formado lhe diria que o "sacrifício de Isaac" não é somente uma exigência de fidelidade por parte de Deus. É uma prefiguração do sacrifício do Filho na Cruz.

Mas não se preocupe, que eu perdoo-lhe. Continue a ridicularizar-me. Se você quiser saber porque me estou borrifando, pegue numa Bíblia e leia a 1ª Epístola aos Coríntios, capítulo 3, versículos 18-20.

E, se me permite, continuarei a ignorar as suas questões, até você demonstrar o mínimo de abertura de espírito. Mas sempre que (como no presente comment) eu vir uma aberta para lhe falar no amor de Deus, é o que eu farei.

Abraço em Cristo

Anónimo disse...

Eu gosto de cães, de gatos, passaritos e gafanhotos... mas do que eu gosto mais é de pessoas... e acho que por muito amigo que um animal possa ser, jamais nos conseguirá dar aquilo de que só um ser humano é capaz...
... Todas as criaturas de Deus merecem o nosso respeito, mas não são "bagagem" para levar para o Céu...
Cordiais Saudações da C.Augusta

Anónimo disse...

Deverão estar todos no Céu porque são incomparavelmente melhores que os humanos! Palavra de bióloga:)
Sexta-feira acompanhei à sua última morada uma vizinha. Sem família, vivia só com o único filho que possuía. Um filho a quem problemas do foro psiquiátrico lhe roubam alguma da autonomia que os 59 anos de idade lhe deveriam garantir. Assistiu à Missa com muita dignidade fazendo um esforço enorme para não chorar e, na mão e no olhar, manteve sempre firme uma imagem da Nossa Senhora. A acompanhá-la meia dúzia de vizinhas de longa data a quem a idade também já pesa e o fim se anuncia. Com a fé dos simples, Filho e Mãe eram assíduos na Igreja. Mesmo assim, este filho não recebeu do Pároco, um gesto de carinho, um olhar, uma palavra, um abraço. E bem precisava. E bem merecia. Onde está a compaixão (leia-se, estar com… no sofrimento) de que Jesus falou aos homens e que os padres tanto pregam? “Foi viver para um Lar mas ontem conseguiu reunir forças, deu um salto a casa e desabafou: “Sabe vizinha, agora já não venho para aqui. A minha mãe morreu. Era a minha companhia. Com a minha cunhada não quero nada. Levo aqui as cadernetas.” Leva-as V. e guarda-as bem. Podem fazer-te falta.
Hoje, preparo-me para acompanhar à sua última morada a Conceição uma das primas mais queridas da minha Mãe… Cresci com ela e ela ajudou-me a crescer. Tenho a certeza que foi direitinha para o Céu e que lá está a interceder por nós. Os filhos sabem-no e a consciência do dever exemplarmente cumprido durante os treze anos em que a doença lhes prendeu a Mãe à cama, alivia a dor da separação. Que Deus os proteja!
Tudo isto num único fim de semana, reconheçamos, é obra!
Um abraço

Fernando Vouga disse...

Uma pessoa que ama os cães, só muito dificilmente conseguirá viver sem eles. Caso mereça o paraíso, não faz sentido que lá se veja privado dessa companhia, por meras razões funcionais (estas inaceitáveis quando tudo é gerido por alguém omnipotente).
Poder-se-á no entanto argumentar que a pessoa em apreço já não sentirá a falta dos seus cães. O que significará que já não é a mesma pessoa...
Já agora, mais uma pergunta: haverá no paraíso campos de golfe?

Anónimo disse...

Caro Pe.
Bom dia, será que muitas pessoas são tão boas e intelegentes como um cão? eu tenho cães e são de uma inteligência e uma sensibilidade que muitas pessoas não têm.
Tomara eu que muitas das pessoas que conheci na vida fossem honestas e fieis como um cão.

Anónimo disse...

A minha questão é a seguinte:

Alguém minimamente informado sabe que o purgatório foi inventado numa altura em que os cofres do Vaticano passavam um mau bocado e o Inferno com que se aterrorizaram gerações e gerações de infelizes seres Humanos foi encerrado por João Paulo II.
Quem me garante a mim que o Céu existe? só porque está escrito na Bíblia? Dir-me-á então que a terra é plana, o firmamento é estático, o sol está parada e o sol gira em seu redor.

Um pouco de coerência vinha a calhar, não!?

Paula.

concha disse...

De facto não sei para onde vão os animais, mas isso não me preocupa muito.Tenho uma cadela golden retrivier, que é dos cães que conheço, o mais dócil,mais afectuoso e mais fiel ao dono além de nunca ladrar e ter a certeza de que nunca morderá alguém.Portanto gosto imenso de cães e particularmente desta.No entanto penso que se for para o céu, estarei lá tão bem que a ausência deste animal não me fará falta.Ali deixa de haver dependências afectivas, para apenas contar o essencial.Mesmo entes queridos que já partiram, não sei se representarão para mim o mesmo que representavam aqui na Terra.A dimensão será outra.Estarei errada Confessionário?

Helder disse...

Bom Tarde!

Cara Paula, depois de ler o texto e alguns comentários confesso que não cheguei a perceber sinceramente se, realmente os cães vão ou deveriam ir para o céu, pois é uma questão delicada e dificil de responder e entender.

Mas cheguei a uma conclusão depois de ler o seu comentário, é que realmente à animais que merecem ir para o seu, mais de que alguns seres humanos.

Peço desculpa.

Abraço

Anónimo disse...

Estas coisas das religiões (que não acredito em nenhuma e nem sequer na existência de Deus) são como as marcas de um qq produto. A Igreja Católica pelos vistos, em toda a sua temência a Deus, arroga-se apesar disso a leviandade de dividir as criaturas de Deus em "dignas de céu" e "indignas de céu", mas lembrei-me a propósito deste post que há cerca de 4 anos, recém chegada ao meu prédio, um vizinho Testemunha do Jeová me veio bater à porta para "pregar". Ainda que tenha há muitos anos as minhas convicções, por ser uma pessoa de idade e um vizinho, deixei-o falar durante uma boa meia hora até que ele foi percebendo o meu desinteresse e resolveu dar a volta de outra maneira: "Sabe, Alexandra, mas não é só a Alexandra que vai para o céu, a sua cadelinha estará lá consigo igualmente!" Não há nada que chegue ao marketing, verdade?
Alexandra (xana2000_2000@yahoo.com)

Fernando Vouga disse...

Um(a) "Anónimo(a)" disse:

«eu tenho cães e são de uma inteligência e uma sensibilidade que muitas pessoas não têm.»

Desculpem-me, mas não resisto a citar uma história antiga na qual alguém afirmava:
— Há cães mais espertos que o dono. São raros, mas eu tenho um!

Convém não exagerar...

O Selvagem de Huxley disse...

Caro Helder:

Mau esforço de evangelização, meu caro... muito pobre mesmo...

Por favor, esse tipo de comentários não dignifica a nossa Igreja. Pode criticar, mas construtivamente. Pax!




Cara Paula:

Lamento, mas você está muito mal informada. O Papa João Paulo II não "encerrou" o Inferno. Não percebo onde você foi buscar essa ideia. Talvez me possa citar as suas fontes.

E o Purgatório não foi "inventado" para enriquecer ninguém. Reduzir toda a teologia do Purgatório à polémica protestante das indulgências é profundamente redutor.

Já no séc. IV, o teólogo Epifânio avisava contra as teses heréticas de Aerius, o qual ensinava que as orações dos mortos não produziam efeito. Ora, se as almas do Céu já estão salvas e as do Inferno já estão condenadas... então isso significava que já existia uma proto-ideia do Purgatório naquela altura. Na verdade, o purgatório é uma ideia inevitável que decorre da fusão da mentalidade judaico-cristã com o pensamento helénico.

No séc. XI, a doutrina do purgatório já estava bastante disseminada. S. Bernardo, S. Tomás de Aquino, o Concílio de Florença... todos escreveram sobre o tema muito antes do Renascimento.

Claro que você se estava a referir às indulgências. Mas, mais uma vez, aposto que você não sabe o que é uma indulgência. Ainda hoje há indulgências, e o Vaticano não ganha nada com isso. Na verdade, ainda este ano (por ocasião do aniversário de S. Paulo), a Igreja concedeu uma indulgência plenária a quem visitar locais paulinos.

Uma indulgência visa, de facto, reduzir (ou até anular) o tempo que um indivíduo passa no Purgatório. Uma indulgência NÃO é "comprar" um lugar no Céu.

No Purgatório nós somos purificados dos nossos pecados. Mas podemos purificar-nos ainda neste mundo, por meio de actos. A lógica? Por exemplo, uma pessoa que se zangou com alguém deveria, após a Confissão, reconciliar-se com o outro. Uma pessoa gulosa deveria abster-se de doces durante um certo período de tempo. Uma pessoa avarenta deveria dar uma esmola aos pobres, etc...

O problema foi precisamente esse. Quando se começou a introduzir dinheiro nas indulgências, isso criou corrupção. Nisso a Igreja teve culpa. Mas, como diria um blogger que eu admiro: "dou graças a Deus por não viver numa Igreja de santos, porque senão não haveria lugar nela para mim".

Agora, o que não é defensável é que a Igreja construiu doutrinas para enriquecer. Isso é falso. As doutrinas são as mesmas há 500 anos e hoje.




Você também parece não ter capacidade de discernir o que é uma figura de estilo daquilo que é o próprio conteúdo do livro. Ainda hoje se diz "pôr-do-sol". Se eu disser "pôr-do-sol", você acredita mesmo que eu acho que é o Sol que se está a mover?

Por exemplo: no terceiro capítulo da epístola aos Hebreus diz assim

"Por isso, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a Sua voz, não endureçais os vossos corações..."

Portanto, devo deduzir que a Paula considera que o Espírito Santo está a pedir às pessoas para não "endurecerem os seus corações", ou seja, para comerem mais saudavelmente a fim de não terem aterosclerose?

Obviamente que não! Trata-se de uma figura de estilo.

Agora, é um grande non sequitur afirmar que, só porque um livro tem figuras de estilo (bolas! são quase todos!) então TUDO o que diz respeito a esse livro é figurado. Quer dizer, você considera que o escritor da Bíblia pensava em Deus como uma figura de estilo, só porque usou uma figura de estilo no versículo da "dureza do coração"?

O que eu não percebo é porque as pessoas não colocam na interpretação da Bíblia o bom-senso que colocariam na interpretação de um qualquer outro livro.




Quanto à questão: "Quem me garante que o Céu existe?"

Ninguém.

Também ninguém lhe garante que o Céu NÃO existe.

É por isso que se trata de uma questão de Fé. Você parece mais disposta a acreditar que o Céu não existe, do que a acreditar que o Céu existe. É a sua escolha. Não tenho nada contra.

Mas talvez você devesse considerar quão mal informada você estava sobre os assuntos que comentou... talvez o Céu, Deus, religião, talvez você também esteja mal informada. Pense nisso, se quiser…







Cara Alexandra:

Quem iniciou essa ideia de que as religiões são "bens de consumo", não foi a Igreja, nem as igrejas/religiões. O consumismo é um fenómeno moderno, e é apenas na modernidade que as pessoas começaram a "escolher" as religiões e as doutrinas de acordo com aquilo que mais lhes agradava. Até ao séc. XX, a religião era uma honesta busca da Verdade, não uma tentativa de adequar a Verdade aos nossos gostos.

Aliás, se a Igreja é uma marca de consumo, por que continua a Igreja a defender certas ideias que não têm aceitação nos dias de hoje? Se se tratasse unicamente de bens de consumo ou não, há muito que a Igreja teria mudado, não acha?

A Igreja será louca? Será idealista? Não sei... mas uma coisa é certa: a Igreja não se vende. Pelo menos, não vende a Verdade.




Não vou manifestar-me mais a propósito dos animais, porque você não acrescentou nada de novo à discussão. Só quero desfazer um equívoco. Aqui, ninguém discutiu se os animais são "dignos" ou "indignos" do Céu. Limitamo-nos, apenas, a questionar-nos se os animais vão para o Céu. Se você se der ao trabalho de ler o meu primeiro comment, verá que a conclusão de que os animais não vão para o Céu (que é doutrina católica), não se prende com a "indignidade" dos animais. Limita-se apenas a um exercício de coerência. Se o Céu e o Inferno são consequências de escolhas livres e morais das pessoas... e se os animais não são entidades livres ou morais, ie, se são incapazes de escolher o Bem ou o Mal... obviamente, os animais não poderão entrar no Céu ou no Inferno.



Terminaria apenas por dizer... "detestar" a Igreja Católica é muito mau. Na verdade, "detestar" quem quer que seja é péssimo. Não é preciso você ser crente para perceber isso.





Cara concha:

Bravo! Magnifica resposta às objecções de Fernando Vouga
:)

Abraços em Cristo

gralha disse...

Os animais são capazes de um amor altruísta e desinteressado, disso não tenho dúvidas. Não amam a Deus porque não O conhecem. Mas há tanta gente a quem Jesus não é apresentado que vai para o céu, não há?

Nuno =] disse...

O Padre expõe as coisas de maneiras fascinantes... é fascinante ter enunciado o amor verdadeiro, que é o verdadeiramente humano e portanto não tem que ver com a afeição que pode caracterizar especificamente os cães (sim porque 'amor' só pode ser entendido como uma natureza do próprio género de ser que o pensa ou enuncia), como o padrão segundo o qual uma criatura pode ir para o Céu, e tê-lo feito mostra como o Sr. é mesmo Padre (porque se vê que o é por aquilo- e por como- pensa). O meu contributo para a exposição do seu pensamento é este: se tivermos em conta que o Céu é exclusivamente humano (é como o amor de que nós humanos podemos falar e que é relativo a nós, mas tem que ser ainda mais necessariamente apenas humano porque é acessível apenas aos "eleitos" i.e. aos sujeitos humanos puros sejam quem forem [esta indistinção é porque o Padrão da espécie humana não é um indivíduo da mesma mas Aquele que o Sr. Padre serve em toda a plena extensão deste termo] enquanto que o amor é acessível a todos os que estão vivos como os cães e os passarinhos e etc.), não podemos pensar que qualquer género de criatura não humano pode aceder a ele; mas, precisamente porque não podem aceder a ele, quem vive nele pode (na lógica desta dialética) querer cães ou pássaros consigo, que estes nem serão uns escolhidos de entre os outros da mesma espécie nem neles é diferente estar na Natureza no Céu do que é está-lo na Terra, porque eles não podem (verdadeiramente) inteligir em que é que o Céu, na medida em que podem nele estar presentes como um cão ou um pássaro estão presentes na Terra, é um domínio diferente do dos homens "vivos" como eles. No entanto, mantém-se sempre que não se pode dizer que eles podem ir para o Céu, até porque eles, especificamente, não o podem por esta razão: a simples ideia de Céu exige a de Bem (bem puro) e esta exige uma excelência que possui e que nada mais possui (designadamente o mundo i.e. a vida humana que tem lugar no mesmo lugar da vida animal), logo não pode ser digno de Céu uma criatura que não pode ser capaz de querer ou pensar o bem (como o amor, trata-se de um carácter definitivamente humano como ladrar é uma característica canina, aliás como o Padre sabe decerto mais pessoalmente do que eu, o amor é em si mesmo bem e este é nessa razão amor). Ou seja: podem estar presentes na medida em que quem vive no Céu quiser e puder (a vontade no Céu é perfeitamente subordinada à "Primeira"), mas não podem ter lugar nele tal como têm no lugar deles por excelência que é o "mundo" (claro que isto é um raciocício dimensionalmente plástico, por assim dizer, não é como falar de objectos concretos).

Claro que sendo humano, só posso esperar encontrar no céu o Sr. Padre. Não posso pensar que entrando no Céu haverá cães "santos" à minha espera. Mas olhe, se a Deus é possível viver com seres humanos (em Comunhão Consigo i.e. no Céu), muito mais possível para Ele é estes poderem ter animais "consigo"; é que Ele, especificamente na natureza dEle chamada Céu, atinge a Terra (também mal do homem se assim não fosse), e portanto no Céu pode ser aquilo que até àquele Dia (i.e. até este mundo ver esse Dia que é o da luz eterna do Céu) é na profecia do profeta quando este diz «a criança desmamada porá a mão na toca do basilisco [...]». É que não se esqueça de um pormenor: o sentido da força ou vigor da natureza dEle é dEle para nós (humanos que vivem no mundo). Sinto uma honra de dizer esta simples frase a uma pessoa que é Sacerdote e que a exprimiu incontáveis vezes nas mais variadas formas...

Obrigado Padre!

Anónimo disse...

Bem, eu acho que objectos não vão para o céu, mas seres animados com vida... Para mim o facto de terem vida têm algum "sentimento" (se é que assim se pode chamar), ainda que não o seja demonstrado como nós o demonstramos e a não demonstração não significa que não sintam algo. Justamente por não serem racionais não terão o alcance da compreensão das coisas como nós, mas muitas manifestações acontecem sem que recebam mesmo nada em troca!! Embora na grande maioria sim porque são animais que, por assim o serem, ainda vivem de instintos e recompensas. Uma vida implica a vinda da criação de Deus e a morte implica o retorno ao mundo espiritual de cada alma, e com os animais penso que será assim também, ou Deus seria muito injusto... Tadinho de São Francisco quando chegar ao céu e não vir lá os seus animais... Não fazia sentido tê-los adorado como criaturas de Deus semelhantes a si em Amor Divino, se eles não vão para o céu, vão para onde? Se não têm alma têm o quê, o que os anima? Acho que um corpo não é animado sem o princípio individual do espírito. Quem tem animais sabe que cada um possui a sua personalidade, as suas características, a sua alma! Ou Deus os criou para nos divertir e entreter?! Bem... e se as plantas têm vida... Também vão para o céu??!! Ups... Já estou a divagar muito... Eheheheh

Lua d'Alma disse...

De facto uma boa pergunta! :)

Nuno =] disse...

Eu sei que dizer isto é, de certo ponto de vista, tentar auto-flagelação para além de dizer o óbvio, mas até por isso mesmo não tenho problemas em fazê-lo... A pergunta é: Como é que uma pessoa pode ser imatura (ainda que de idade adulta) a ponto de mascarar uma tentativa de argumentar contra algo que outra pessoa tiver dito, com algo que obviamente não pode ter nada a ver com aquilo tiver sido dito. É infantilidade (e para mim seria uma vergonha com boa extensão) estar na praia à beira do mar, ver uma onda, achar que há alguma coisa de errado com ela ou achar que não tinha nada que haver onda, e agarrar por ex. no seixinho Psicologia ou Marketing ou seja lá o que for, para brandir contra a ondinha. É preciso ser muito pequenino... e carente de auto-entendimento.

Ponho as coisas assim só para dizer que ao contrário dessas pessoas, importa-me falar por mim próprio (não interpretar fantasias de que determinadas coisas ou sistemas substituem outras que eu nem sequer consigo inteligir, aliás aparentemente nem elas sem mim, que nem sequer me foi encomendada cruzada cega) e não negar ou acusar ou contradizer as negações ou acusações ou contradições interpretadas por pessoas imaturas. Ainda que obviamente não possam inteligir aquilo que eu disser.

Se não sabemos alguma coisa, expomos uma dúvida. Por ex., falta-me saber o que é que aquele comentador diz que significa o acto do Buda; que nem por acaso, é fundamental para perceber o comentário dele; aliás, para ele conseguir mostrar o que quer dizer.

'brigado

Nuno =] disse...

Ah Padre... se eu tivesse superiores como os padres têm, se na minha "empresa" houvesse responsáveis como há na sua... o meu cacto transformar-se-ia numa palmeira, e o meu burro num cavalo de corrida.

: "desabafo em voz alta" he he

Anónimo disse...

Olá!

Quando andava na catequese aprendi uma coisa muito importante e valiosa para a minha vida:
SÒ VAI PARA O CÈU QUEM TEM ALMA.

Os cães não têem alma!

Um abraço!

Alexandra

concha disse...

Há alguns anos atrás, também andei na catequese.Hoje penso que muitas coisas me foram ditas de um modo que a minha capacidade de entendimento na altura aceitasse.Somos seres essencialmente em evolução e todo o conhecimento, seja do que for deve vir numa idade em que seja fácilmente interiorizado.
Exemplificando:não devo ensinar a resolver equações, quem ainda nem contar sabe.
Abraço:)

Anónimo disse...

Olá! Sou a da pergunta das plantas eheheh
A meu ver, independentemente da crença de cada um se tem ou deixa de ter alma, penso que na realidade é algo que ainda será uma resposta que vai ficar muito tempo em suspenso porque não se pode comprovar realmente...
Mas eu ainda não deixei de pensar nisso... Então, supondo que vão para o céu, vão por o merecerem? E se não o merecerem?! Tadinhos dos bichinhos, vão para o inferno?! Mas eles só agem conforme o instinto deles, como é que se classificam as acções deles para merecerem o céu ou o inferno? Porque é assim que se faz para as pessoas...
Desculpem dizer isto mas eu ainda não tenho opinião sobre se os animais vão ou não para o céu, tenho é muitas perguntas (como podem reparar eheheh) e mais vale perguntas que respostas sem certezas comprovadas... Essas um dia Deus as dará!

Anónimo disse...

Cuidado! Quando defendi que os animais deveriam ir todos para o Céu por serem melhores que os humanos fi-lo numa perspectiva alegórica. Parece-me que os comentadores levaram demasiado à letra o que se diz no post.
Para ser sincera nem sei bem o que é o Céu... Para mim é confortável pensar que Céu e Paz, situando-se em dimensões distintas, coincidem em larga medida... Estarei longe da verdade, Padre?

Bj

Canela disse...

Selvageeeeeeeeeeem!!!!!!!!

Fiquei sem folego, só de ter ler!
Quando não é turibulada, é outra coisa que o valha....... ups!

Anónimo disse...

O cão tem alma.
Os cães têm alma.

Eles vêm para casa.
Eles vêem um filme.

osátiro disse...

Intrigante (ou significativa?) a indiferença da Igreja Portuguesa-Hierarquia e leigos- sobre a chacina de Cristãos na Índia.

joaquim disse...

O "problema" está em que, julgo eu, nós "vemos" sempre o Céu à nossa maneira, ou seja, algo comparável com o mundo em que vivemos.

Temos sempre aquela maneira de falar como quando por exemplo uma pessoa morre, dizendo que depois vai encontrá-la no Céu, como se o casamento ou qualquer outra forma de relação humana, ou entre criaturas, continuasse.

Se lermos Lc 20,27-40 e Mt 22,30 percebemos que essas “preocupações” que pertencem às nossas vidas do mundo não têm sentido, ou melhor, não existem no Céu.

No Céu estaremos na presença de Deus e portanto todas as outras relações não existem, ou melhor nem sequer são consideradas, visto não haver, pelo menos eu não consigo, definir o estado de beatitude perante Deus, que anula todos os outros estados.

Tenho para mim que Deus criou os animais e as plantas para servirem o homem, seja de que maneira for, para darem “cor” à vida do homem.

Claro que os animais devem ser respeitados como seres criados por Deus e que até alguns deles como já aqui se disse parecem melhor que os humanos.

Mas isso é porque eles não têm a liberdade de escolha consciente, porque senão alguns deles que são tão carinhosos provavelmente não o seriam.

E temos de reparar também que nos fixámos nos cães, que são animais muito perto de nós e nos despertam sentimentos afectivos!

Então e as cobras, e as melgas, e as sanguessugas e por aí fora…

A coisa assim já se complica não???

Abraço amigo em Cristo

Anónimo disse...

Oh pois é... Coitadinhos, esses animais também merecem consideração! E muitas vezes quando nos fazem mal é porque nós mesmos invadimos o território deles. Mas como agem por instinto de sobrevivência, instinto esse que os leva a ver-nos com adversários, vejo os animais numa categoria muito diferente à nossa, nem melhor, nem pior... Diferente!! Sempre merecedora de respeito e amor.
Bem, este é o 1º tópico que respondo, é um assunto que rende!!
Acho que quando um padre vir os seus fiéis meio "mortos na missa" deve começar a questionar se os animais têm alma! Eheheheheh... Estou a brincar, padre, não me leve a mal...
(A da pergunta das plantas eheheh)

Anónimo disse...

Se o Papa é infalível e transmite sempre a verdadeira palavra de Deus. João Paulo II, afirmou em 1999 que o inferno não é um lugar, mas “a situação de quem se afasta de Deus”.
Mas com a mesma infalibilidade que caracteriza o pontifício, o papa Bento XVI afirmou precisamente o contrário; que o inferno é um local físico que existe e não está vazio, ao contrário do que seu antecessor, João Paulo II havia afirmado.

O cardeal Jorge Arturo Medina Estevez, chefe da Congregação para Disciplina Sacramental, vai mais longe e afirma: – “o Diabo entende latim". O que nos revela uma qualidade insuspeita do Príncipe: tem mais erudição que muito académico dos nossos dias.


A menos que Deus e o Diabo andem mancomunados, abrindo e fechando o estaminé para nos azucrinar a mioleira. O que é que acontece quando o Inferno é fechado? Ficam os diabretes à solta? [Bom, isso explicaria porque é que durante o reinado de João Paulo II tenhamos tido Reagan, Bush pai e Bush filho, Tatcher e por que motivo o Papa era tão amigo de Pinochet.]

Outro ponto que sempre me intrigou é a localização do inferno. Neste nosso planetinha não deve ser, ou os geólogos e exploradores já o teriam situado. Estará no fundo dos mares? Hipótese improvável, aí a combustão eterna torna-se mais inviável. Nalgum outro planeta? Sabe-se lá. O problema é que, fora da Terra, os demais planetas são muito frios para abrigar um fogo eterno. Ou quentes demais para receber corpos dos mortais. Já na chegada, as pobres alminhas estariam incineradas.

Por meio de Abraão, na Bíblia, entende-se o que depois veio a chamar-se de purgatório. O texto informam-nos que no Hades há chamas mas não há água. No purgatório, alguma água há. Já é um refrigério. Do Hades, o homem rico consegue ver Lázaro. Um não deve estar muito longe do outro. Já é um indício.

Mas o mistério persiste. Onde fica o purgatório?

Diga-me o Senhor Padre...

Confessionário disse...

OLá, amigos

Tenho estado a ler os comentários sem fazer os meus... e de propósito para que a reflexão flua e os contributos possam ser úteis para cada um.

Hoje, quase a fechar este post, gostava de dizer aquilo que sei e sinto: o céu não é um local, mas uma forma de estar; assim como o inferno é essa forma de estar afastado de Deus. Tudo passa por um sentirmo-nos próximos ou afastados de Deus ou quase próximos, mas avistando de longe (purgatório). Um dia ainda hei-de explorar mais esta ideia ou forma de sentir.

Quanto aos animais e como muitos referiram, não precisam de se sentir próximos ou afastados de Deus. Não são uma criação menor, mas obra do amor de Deus. Só que, como o resto das criaturas para além do homem, não têm a capacidade consciente de responder ao amor de Deus e de, por este motivo, se sentir próximo ou afastado de Deus.

Agradeço todos os contributos dados por todos, mais positivos ou meos positivos. Aqueles que têm animais e que os amam, não se sintam privados de nada. Nesse sentir-se próximo de Deus, o amor que sentem pelos animais continuará presente.

Um abraço

O Selvagem de Huxley disse...

Caro anónimo 27/11/09 16:19(vou deduzir que você é a Paula, devido ao facto de estar a prosseguir a mesma linha de conversação, caso contrário não lhe responderia por causa do seu anonimato):

Que grande confusão que vai na sua cabeça...




Para já, o Papa não é SEMPRE infalível. O Papa apenas é infalível em situações muito excepcionais, como quando fala ex-cathedra (i.e. quando proclama um dogma).

O Papa João Paulo II não estava a falar de forma infalível (nem o Papa Bento XVI mais tarde) quando deu a sua opinião sobre o Inferno. Deu apenas a sua opinião pessoal.

No entanto, é uma opinião de um papa e deve ser contada como tendo algum peso.




Mas o que é que o Papa João Paulo II afirmou?

Precisamente o que você disse... que o Inferno não é um "lugar", mas um "estado de total afastamento de Deus".

E porquê? Porque as pessoas estava a começar a fazer raciocínios simplistas como o seu, procurando um lugar físico para o Inferno.

O Reino de Deus (o Céu) e o Anti-Reino de Deus (o Inferno) não são deste mundo. As suas questões assemelham-se muito às de Pilatos, que não compreendia o que Jesus queria dizer quando Se referia ao Reino de Deus. Estas dúvidas demonstram que você perde demasiado tempo em detalhes acessórios, em vez de tentar compreender e assimilar o cerne da mensagem cristã. Cristo teve o bom senso de nunca dar muitos pormenores acerca do Céu ou do Inferno e de não alimentar curiosidades fúteis. O que é importante é lá chegar, não onde fica...

Você pode explorar até aos confins do Universo que não encontrará Céu, Inferno ou Purgatório. Tal como você pode escarafunchar o corpo humano que não encontrará a alma. São realidades que pertencem a planos diferentes.




Claro que os media, que não sabem informar nada no que diz respeito a religião, começaram logo a proclamar aos 4 ventos que o Papa João Paulo II tinha "encerrado" o Inferno. Depois disso iniciou-se uma tendência segundo a qual o Inferno "não existia".

Não foi nada disso que o Papa João Paulo II disse. Ele NÃO disse: "o Inferno não existe". O que ele disse foi: "O Inferno não é um lugar físico, mas um estado de total afastamento de Deus". Por favor, parem de distorcer as palavras dele para que pareça que ele está a dizer aquilo que vocês querem que ele diga!




Perante esta confusão, o Papa Bento XVI tentou clarificar a situação, argumentando que o Inferno existe (que era exactamente o que o Papa João Paulo II afirmava, porque um estado de espírito "existe", não são só os locais físicos que "existem").

Mais uma vez, os media distorceram tudo, noticiando que o Papa Bento XVI tinha contradito o Papa João Paulo II.





Conclusão: quando vir os media a relatar algo sobre religião, procure informar-se com quem perceba realmente do assunto. E, pelo que eu sei, isso vale para muitos outros domínios do saber humano...

Abraços em Cristo

JS disse...

Saudações.

Confesso ter ficado bastante admirado perante o post em questão, bem como com os comentários subsequentes.

Há uma ideia generalizada sobre o céu "cristão" que é uma distorção clara (mesmo que não intencional)dos dados bíblicos.

Basta lembrar o princípio da ressurreição da carne para perceber que o segredo cristão (o mistério) está na matéria. E já não falta muito para voltarmos a celebrar o Deus incarnado... A discussão sobre almas é "apenas" eco das influências platónicas.

E a ressurreição está intimamente ligada à parusia, a segunda vinda de Cristo, com a instauração dos novos céus e da nova terra. Uma nova criação, enfim, em chave de renovação/restauração, já iniciada com a ressurreição de Jesus, mas aguardando a sua plenificação.

Entrar e fazer parte deste "novo mundo" não é uma questão abstracta de se ser bom ou mau, de se fazer bem ou fazer mal, mas de viver como nova criatura ("homem novo") e de colaborar com Deus no projecto de renovação da Sua criação.

O "céu" será, pois, um regresso ao Génesis, a esse Jardim onde todos os seres conviviam em harmonia, e de que o homem era guardião e cuidador. Só que agora, o Tentador já não irromperá, nem o ser humano se deixará seduzir por ele. Também aqui valerá a pena dar atenção a alguns textos de Isaias que vão brevemente ser escutados...

JS

P.S.: O Vítor Mácula terá explanado melhor que eu o que está em causa. E com menos palavras... :)

O Selvagem de Huxley disse...

Caro JS:

Quer dizer que os animais vão para o Céu?

Estou-lhe a perguntar com humildade e curiosidade... existe uma pessoa que eu conheço que ficará muito contente com uma resposta afirmativa.

Posso também perguntar-lhe as suas fontes?

Abraços em Cristo

O Selvagem de Huxley disse...

Eu tirei o material das minhas participações daqui:

http://www.ewtn.com/expert/answers/pets_in_heaven.htm





Mas, como eu já disse, eu posso ter dito asneira... não sei...

Morgana La Folle disse...

Fiel (Guerra Junqueiro)

Na luz do seu olhar tão lânguido, tão doce,
Havia o que quer que fosse
D'um íntimo desgosto :
Era um cão ordinário, um pobre cão vadio
Que não tinha coleira e não pagava imposto.
Acostumado ao vento e acostumado ao frio,
Percorria de noite os bairros da miséria
À busca dum jantar.
E ao ver surgir da lua a palidez etérea,
O velho cão uivava uma canção funérea,
Triste como a tristeza ossiânica do mar.
Quando a chuva era grande e o frio inclemente,
Ele ia-se abrigar às vezes nos portais ;
E mandando-o partir, partia humildemente,
Com a resignação nos olhos virginais.
Era tranquilo e bom como as pombinhas mansas ;
Nunca ladrou dum pobre à capa esfarrapada :
E, como não mordia as tímidas crianças,
As crianças então corriam-no a pedrada.
Uma vez casualmente, um mísero pintor
Um boémio, um sonhador,
Encontrara na rua o solitário cão ;
O artista era uma alma heróica e desgraçada,
Vivendo numa escura e pobre água furtada,
Onde sobrava o génio e onde faltava o pão.
Era desses que têm o rubro amor da glória,
O grande amor fatal,
Que umas vezes conduz às pompas da vitória,
E que outras vezes leva ao quarto do hospital.

E ao ver por sobre o lodo o magro cão plebeu,
Disse-lhe : - "O teu destino é quase igual ao meu :
Eu sou como tu és, um proletário roto,
Sem família, sem mãe, sem casa, sem abrigo ;
E quem sabe se em ti, ó velho cão de esgoto,
Eu não irei achar o meu primeiro amigo !..."
No céu azul brilhava a lua etérea e calma ;
E do rafeiro [1] vil no misterioso olhar
Via-se o desespero e ânsia d'uma alma,
Que está encarcerada, e sem poder falar.
O artista soube ler naquele olhar em brasa
A eloquente mudez dum grande coração ;
E disse-lhe : - "Fiel, partamos para casa :
Tu és o meu amigo, e eu sou o teu irmão. -"

E viveram depois assim por longos anos,
Companheiros leais, heróicos puritanos,
Dividindo igualmente as privações e as dores.
Quando o artista infeliz, exausto e miserável,
Sentia esmorecer o génio inquebrantável
Dos fortes lutadores ;
Quando até lhe acudiu às vezes a lembrança
Partir com uma bala a derradeira esp'rança,
Pôr um ponto final no seu destino atroz ;
Nesse instante do cão os olhos bons, serenos,
Murmura-lhe : - Eu sofro, e a gente sofre menos,
Quando se vê sofrer também alguém por nós.

Mas um dia a Fortuna, a deusa milionária,
Entrou-lhe pelo quarto, e disse alegremente :
"Um génio como tu, vivendo como um pária,
Agrilhoado da fome à lúgubre corrente !
Eu devia fazer-te há muito esta surpresa,
Eu devia ter vindo aqui p'ra te buscar ;
Mas moravas tão alto ! E digo-o com franqueza
Custava-me subir até ao sexto andar.
Acompanha-me ; a glória há de ajoelhar-te aos pés !..."
E foi ; e ao outro dia as bocas das Frinés
Abriram para ele um riso encantador ;
A glória deslumbrante iluminou-lhe a vida
Como bela alvorada esplêndida, nascida
A toques de clarim e a rufos de tambor !
Era feliz. O cão
Dormia na alcatifa à borda do seu leito,
E logo de manhã vinha beijar-lhe a mão,
Ganindo com um ar alegre e satisfeito.
Mas aí ! O dono ingrato, o ingrato companheiro,
Mergulhado em paixões, em gozos, em delícias,
Já pouco tolerava as festivas carícias
Do seu leal rafeiro.

Passou-se mais um tempo ; o cão, o desgraçado,
Já velho e no abandono,
Muitas vezes se viu batido e castigado
Pela simples razão de acompanhar seu dono.
Como andava nojento e lhe caíra o pelo,
Por fim o dono até sentia nojo ao vê-lo,
E mandava fechar-lhe a porta do salão.
Meteram-no depois num frio quarto escuro,
E davam-lhe a jantar um osso branco e duro,
Cuja carne servira aos dentes d'outro cão.

E ele era como um roto, ignóbil assassino,
Condenado à enxovia, aos ferros, às galés :
Se se punha a ganir, chorando o seu destino,
Os criados brutais davam-lhe pontapés.
Corroera-lhe o corpo a negra lepra infame.
Quando exibia ao sol as podridões obscenas,
Poisava-lhe no dorso o causticante enxame
Das moscas das gangrenas.

Até que um dia, enfim, sentindo-se morrer,
Disse "Não morrerei ainda sem o ver ;
A seus pés quero dar meu último gemido..."
Meteu-se-lhe no quarto, assim como um bandido.
E o artista ao entrar viu o rafeiro imundo,
E bradou com violência :
"Ainda por aqui o sórdido animal !
É preciso acabar com tanta impertinência,
Que esta besta está podre, e vai cheirando mal !"
E, pousando-lhe a mão cariciosamente,
Disse-lhe com um ar de muito bom amigo :
"Ó meu pobre Fiel, tão velho e tão doente,
Ainda que te custe anda daí comigo."

E partiram os dois. Tudo estava deserto.
A noite era sombria ; o cais ficava perto ;
E o velho condenado, o pobre lazarento,
Cheio de imensas mágoas
Sentiu junto de si um pressentimento
O fundo soluçar monótono das águas.

Compreendeu enfim ! Tinha chegado à beira
Da corrente. E o pintor,
Agarrando uma pedra atou-lh'a na coleira,
Friamente cantando uma canção d'amor.

E o rafeiro sublime, impassível, sereno,
Lançava o grande olhar às negras trevas mudas
Com aquela amargura ideal do Nazareno
Recebendo na face o ósculo de Judas.
Dizia para si : "È o mesmo, pouco importa.
Cumprir o seu desejo é esse o meu dever :
Foi ele que me abriu um dia a sua porta :
Morrerei, se lhe dou com isso algum prazer."

Depois, subitamente
O artista arremessou o cão na água fria.
E ao dar-lhe o pontapé caiu-lhe na corrente
O gorro que trazia
Era uma saudosa, adorada lembrança
Outrora concedida
Pela mais caprichosa e mais gentil criança,
Que amara, como se ama uma só vez na vida.

E ao recolher à casa ele exclamava irado :
"E por causa do cão perdi o meu tesouro !
Andava bem melhor se o tinha envenenado !
Maldito seja o cão ! Dava montanhas d'oiro,
Dava a riqueza, a glória, a existência, o futuro,
Para tornar a ver o precioso objecto,
Doce recordação daquele amor tão puro."
E deitou-se nervoso, alucinado, inquieto.
Não podia dormir.
Até nascer da manhã o vivido clarão,
Sentiu bater à porta ! Ergueu-se e foi abrir.
Recuou cheio de espanto : era o Fiel, o cão,
Que voltava arquejante, exânime, encharcado,
A tremer e a uivar no último estertor,

Caindo-lhe da boca, ao tombar fulminado,
O gorro do pintor !

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Exceptuando os Santos, não conheci jamais quem soubesse Amar assim, ser tão Amigo.

Não posso crer que Deus nos dê os animais e depois, no Paraíso, eles não estejam. Como pode haver Paraíso sem estas criaturas, muito mais puras do que nós?

Espero não estar enganada. Mas não me parece que esteja.

Saudações.

Anónimo disse...

Confessionário: Discordo de ti em grau, número e genero...Negar o céu a um cão seria o mesmo que negar o céu a um ser humano com problemas mentais que jamais entenderia o que é Deus...
Mas até o louco sabe que tem Deus dentro do coração dele mesmo sem saber quem é Deus.
De outrossim, é plenamente perceptivel que os cães tem alma, pela simples sensação de que emanam energia que podemos até sentir. Como um amigo aqui já disse basta interagir com um cão tres minutos e podemos perceber... Tua visão de Deus e do Paraiso é uma visão materialista e limitada. É até certo ponto egocentrica. Como outro cidadão disse aqui posições como a que vc colocou nos afastam da Igreja!!!
Alguém já teve um ser vivo morrendo nos braços? Já esteve junto desse ser no momento de seu ultimo respiro? Será que não sentiu a presença deste ser mesmo depois de seu ultimo suspiro por segundos? Então é a prova de que existe vida após a morte. É o que sustenta a minha fé, e tal experiencia me foi doada por um simples cachorrinho...Oras, pra onde foi aquela alma? Me deu menos que dois segundos e partiu...Paraiso logico. O céu é infinito, é imensurável, é inconteste...tem sentidos , tem vida tem alma............Adriano Bandeirantes - PR

Anónimo disse...

O céu e o inferno, a paz e a maldade, a bondade e a perverssão, são noções que nós facilmente podemos associar racionalmente (fundamentada em educação e comportamento cultural) ao bem e ao mal.

Sendo nós todos filhos de Deus porque só ao homem foi dado a possibilidade de atingir essa Graça ? Justamente porque, como já alguem disse, o homem tem alma !

Os animais irracionais, mesmo com um comportamento desviante, por não terem alma não poderão atingir esse desígnio.

E, de acordo com o catecismo, no céu só acesso os Santos.
Por mera hipótese académica, sabendo nós da existência de, por exemplo, um cão ou outro animal que levou uma vida de bondade, seria possível a sua canonização ?
Julgo que não, porque para a comunidade aqueles que são elevados aos altares é para servirem de exemplo para todos os seus membros. Ora se por absurdo um cão, ou um gato, fosse canonizado, como é que a comunidade poderia seguir o seu exemplo ?
Comentário: seria muito complicado ! ...
Fernando Gonçalves

Helder disse...

Boa Tarde Selvagem!

Não percebi o seu comentário...quem lhe disse a si que a minha intenção era evangelizar, longe disse, antes pelo contrário, pois não tenho paciencia...à quanto tempo anda a faze-lo? E...basta ler os posts e obteremos a resposta. A minha intenção está clara na minhas palavras, estou farto de ver criticar e refutar, sem nada dizerem de válido para justificar tais criticas e refutações.

Criticar por criticar não tem sentido nenhum, mas infelizmente à quem goste der ser o patinho feio. E esses deixo-os andar.

Abraço

JS disse...

Já agora, gostaria de sugerir o livro "O Cosmos" de Adolphe Gesché. Luminoso.

JS

valeria salgado disse...

FICO IMAGINANDO SE AS PESSOAS SABEM O QUE É AMAR...
COMPARAR O AMOR DE UM CACHORRO... ORA NÃO TEM COMPARAÇÃO MESMO.
VC NÃO SUPORTARIA A VIDA DE UM CÃO...EM QUALQUER DAS CIRCUNSTÂCIAS, PODE SER UM CÃO CRIADO DENTRO DE CASA, FORA DE CASA OU ATÉ MESMO NA RUA!
VC JAMAIS SERIA FIEL COMPANHEIRO DE NINGUÉM!
PQ FIDELIDADE NOS SÓ TEMOS MESMO DE DEUS E DOS CÃES.
VC PODE SER RICO OU POBRE... SE POBRE VC FOR, ELE NÃO TE TROCA NEM PELO BILL GATES, AGORA VC COM CERTEZA TROCARIA MUITA COISA PELA BOA VIDA!
UM CÃO MESMO QUANDO NÃO BEM TRATADO ELE CONTINUA FIEL AOS SEUS!
E O SER HUMANO... ME DIZ.
O SER HUMANO ME ENVERGONHA, ME ENTRISTECE, ME FAZ DESACREDITAR NO MUNDO...
SÃO TANTAS AS TRISTEZAS NA TERRA... FOME, DOENÇAS, MASSACRES, DESCASO, POLITICOS... EM FIM ISSO SÃO OS HUMANOS!
JÁ É UM CLICHÊ " QUANTO MAIS CONHEÇO OS HOMENS, MAIS GOSTO DO MEU CACHORRO" E NÃO E VERO?

MAS PADRE, SERA QUE SALOMÃO FILHO DE DAVI, QUE É CONSIDERADO O HOMEM MAIS SÁBIO DA TERRA, NÃO SABE O QUE FALA?
VAMOS VER...
ECLESIASTES 3:18,19,20,21

"DISSE EU NO MEU CORAÇÃO: ISSO É POR CAUSA DOS FILHOS DOS HOMENS, PARA QUÊ DEUS POSSA PROVÁ-LOS,
E ELES POSSAM VER QUE SÃO EM SI MESMOS COMO OS ANIMAIS. PORQUE O QUE ACONTECE AOS FILHOS DOS HOMENS, ISSO MESMO TAMBÉM ACONTECE AOS ANIMAIS;
A MESMA COISA LHES ACONTECE. COMO MORRE UM, ASSIM MORRE O OUTRO.
TODOS TEM O MESMO FÔLEGO, E NENHUMA VANTAGEM TÊM OS HOMENS SOBRE OS ANIMAIS. TUDO É VAIDADE.
TODOS VÃO PARA O MESMO LUGAR; TODOS SÃO PÓ, E TODOS AO PÓ TORNARÃO.
QUEM SABE SE O ESPÍRITO DOS FILHOS DOS HOMENS VAI PARA CIMA, E SE O ESPÍRITO DOS ANIMAIS DESCE PARA A TERRA?"

VAMOS ESTUDAR MAIS A PALAVRA DE DEUS, PARA PODERMOS SER FIÉIS A DEUS!

Anónimo disse...

Um ANIMAL, não precisa que você dê coisas para ele te amar, simplesmente de o seu coração á ele que ele té dará o dele.
Quem disse que cachorro é irracional?
Á cachorros que salvam vidas, dão a suas vidas para salvar a do dono, isso não é um meio de pensar?!
Talvez ele não lembre de Deus assim pelo fato de não ter essa inteligência comparada aos humanos. E se muitos venham aqui sofrem, sofrem, e é só isso acabo, só sofrimento? Eu acho que não!
De qualquer forma ninguém pode dizer nada. Ninguém foi ao céu ainda estando aqui, para dizer se vão ou não!

Anónimo disse...

Para o que havia de dar!
Esta conversa sobre animais...
Sempre ouvi dizer que os animais não iam para o céu porque não tinham alma! Assunto arrumado.
Ao ler este "post" lembrei-me de um outro que está por aí, algures, que li há uns tempos...
Um "post" que adorei, pela duplicidade de sentido e por ser tão terno e caseiro... Em que fiquei com imensa pena da gata e do dono (mais da gata, que não tem culpa do egoísmo do dono). Mentalmente, sempre pensei que aquela gata só podia ter um nome: "ALMA".
Depois deste post,fiquei com imensa pena que não o tivesse... Com Alma talvez a bicha ainda pudesse ter alguma chance de consolo no Céu...