sexta-feira, janeiro 23, 2026

entre o dia e a noite [poema 401]

sento-me à mesa com o prato nas mãos 
equilibra-se nos dedos, como a vida 
não tenho fome mas como, assim me aguento 
entre o dia e noite 
 
ontem chorei antes de me sentar à mesa 
não havia mais pratos e isso assustou-me 
onde estão os outros pratos? assim não há vida 
entre o dia e a noite 
 
um vento passa e levanto-me da mesa 
o prato vem colado a mim, onde quero comer? 
e o vento volta a passar, como peregrino 
entre o dia e a noite 
 
leva-me 
entre o dia e a noite

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