domingo, maio 05, 2013

a minha mãe está viva

Hoje apoderou-se de mim uma vontade de ti. Não era uma vontade dos teus beijos ou dos teus abraços. Nem do teu colo. Era uma vontade de ti. Na primeira missa do dia lembrei-me vagamente do teu dia, que não é exclusivamente teu, mas de todas as mães. Na segunda missa, depois de uma oração que uma jovem mãe leu durante o momento da acção de graças, valeu-me que estava sentado e pude contrair-te toda em mim, atrás do altar. Na terceira, escapaste-me numa lágrima, quase ao final da missa. Hoje fui obrigado, entre aspas, a celebrar uma quarta missa de festa. E foi nesta que mais se apoderou de mim uma vontade de ti, mãe do meu coração e da minha alma, da minha vida e do meu ser, da minha vocação e da minha fé. Foi como se uma saudade me tivesse apertado contra ti. Busquei as palavras da oração das oblatas, mas elas teimavam em desaparecer do livro em cima do altar. Teimavam em desviar-se do lugar que deviam ocupar, de tão nubladas que se encontravam. Dei por mim sem conseguir olhar o meu povo na festa, engasgado nas palavras e no gesto de pegar no lenço de papel para me limpar. Todos na assembleia daquela missa sabiam que a minha mãe partiu já lá vão vários anos. Quando a força me chegou à voz, esclareci da minha fé, que se me perguntassem se eu queria a minha mãe junto de Deus ou longe de Deus, escolheria sempre a primeira opção. Por isso estava feliz por ela já lá estar, agarrada pela mão mais carinhosa do Deus que amo, aquela mão que está sempre aberta. Por isso dava graças, embargadas de lágrimas, a Deus. Um crente deseja que os que mais ama estejam o mais próximo de Deus. Por isso dava graças, embargadas de lágrimas, ao Deus que quis a minha mãe.
Naquela missa de festa uma outra jovem mãe ousara ler uma frase que tiniu em mim e ainda não saiu. Uma mãe nunca morre. E agora ouso acrescentar que enquanto houverem filhos, uma mãe nunca morre. Só morre quando os filhos morrem. E eu não quero que morras nunca.
Obrigado, Senhor, neste dia da mãe, porque a minha mãe está viva.

16 comentários:

Joana disse...

Lindo.
Hoje também me lembrei de si, a propósito deste dia. Um beijinho da minha mãe :)

Bartolomeu disse...

No post publicado na passada sexta-feira, 12 de Abril, abordavas a questão da crença na ressureição, de Cristo e na ressureição de cada um de nós.
Terminaste o post, confessando-nos que colocaste uma quarta pergunta, mas somente a ti mesmo. «Porque havia de Jesus ter ressuscitado?»
Eu penso que esta pergunta, tem uma única resposta, a qual, todos conhecemos; Jesus ressuscitou, por Amor!
Amor, é o sentimento mais poderoso, o sentimento que motivou a morte e a ressurreição de Cristo.
Ele morreu por Amor a nós e ressuscitou pela força do Amor que lhe temos.
Do mesmo modo, ressuscitam todos os que já morreram; porque os amamos. É esse Amor e a sua força incomensurável, que os fazem voltar à vida, como hoje sentiste reviver a mãe amada.
Aplaudo este hino à mãe e ao carinho que as mães nos merecem.

Maria S disse...

Tão lindo este texto, tão lindo e tão comovente. Também já não tenho a minha mãe comigo partiu para o Pai há cinco anos. Também eu quero a minha mãe sempre viva, tal como o meu amigo diz. Durante este dia as lágrimas têm assomado aos meus olhos. Também sou mãe e como é bom receber os beijos, as flores o carinho dos filhos...
Beijinhos
Maria

Anónimo disse...

Comovente, este texto.

Um abraço fraterno, Conf. AM

Anónimo disse...

Que texto tão lindo para provar a existência de Deus.

Peregrino disse...

“Jesus pois, quando a viu chorar, e também chorando os judeus que com ela vinham, moveu-se muito em espírito, e perturbou-se.” (João 11,33)


... meu Deus quantas saudades... dilaceram a alma abraçada ao coração...

Anónimo disse...

Bom dia!
Que bonita partilha!
AMO-TE MÃE.
E não é a distancia que nos separa que minimiza o que eu sinto por ti, pelo contrário intensifica-o mais.
Também não são as palavras ininteligíveis que me balbucias ao telefone, quando eu te digo que te amo muito, que impedem que eu creia que tu me amas com mesma medida.
Verdade confessionário, a nossa mãe está viva todos os dias da nossa existência.
PR

Anónimo disse...

Esta é a força da nossa fé. As mães nunca morrem porque os filhos precisam delas. Ontem a minha oração foi para aqueles que já não as tinham fisicamente.
Bjinho

Sónia disse...

Graças a Deus, ainda tenho a minha mãe perto de mim...
Mas o texto tocou-me, como muitos outros que por aqui leio.
Concordo em absoluto, com a frase, enquanto houverem filhos, uma mãe não morre nunca.
Bem-haja... e continue a evangelizar e a @vangelizar.

Anónimo disse...

A tua mãe é um imenso e profundo mar interior, onde mergulha a tua mente, alma e coração, flui e se entranha todo o teu ser. Espreita-te dos olhos, sob a forma de lágrimas, sempre que as saudades do mundo apertam. Une-vos um sólido amor em estado líquido. Está dentro de ti. É parte de ti. Está viva. É fonte de vida. É assim o verdadeiro amor entre mães e filhos. Um amor que fica, cresce e se renova.

Peregrino disse...

Padre Irmão… voltei.. ando inquieto.. fizeste estremecer o meu coração depois de tantos anos abrigando dores adormecidas… uma era da minha querida Mãe… outra de um amor que me marcou para sempre um novo rosto… tantas dores adormecidas meu Deus… e agora é um jorrar que não consigo conter… mas está a fazer-me bem… queima e dói mas estava mesmo precisar disto para me libertar de algumas coisas que não me permitiam ser livre totalmente… sarar totalmente…

.. deixei uma homenagem à dor e aos que levam um coração onde essas janelas nunca se fecham… se me permites ofertar-ta e a todos aqui deixo o lugar onde as sussurrei:

http://voodospardais.blogspot.pt/2013/05/da-voz-do-amor-que-ecoa-eternamente.html

Grato eternamente pelo dia que escreveste este teu post, um tesouro…

Abraço-te Naquele que abraçou também a dor no Filho…

maria disse...

Um beijo, J. Força!

Ana Melo disse...

A MINHA ESTÁ PROIBIDA DE MORRER!!!

Eu sei! que sou de poucas comidas!! mas fazem-me falta, as papas de abobora menina, o cozido, o esparregado de grelos com muita farinha de milho, a chanfana pelas festas, o sarrabulho pela matança do porco, o arroz preto de frango caseiro, o pão caseiro, quem é que me vai lembrar!, que á sexta feira continua a ser, quase sempre, sopa e carapau frito! porque á sexta não se come carne!!! - não é que eu não tenha visto como se faz! mas tudo isto são comidas que sujam muito a cozinha!!! e o sabor nestas cozinhas modernas não é o mesmo! portanto, estamos todos a ver o que eu perco.

A MINHA está proibida de morrer! mesmo quando se queixa de qualquer coisa, a filha vai dizendo, vê lá se isso passa com um chazito, vais lá pr`o medico! e eles matam-te lá – não vez a tia e a ti coisa, elas não saem de lá!! estão cada vez mais doentes!! - e ela aceita o conselho. Não sabe o que é um comprimido para dormir, nem me lembro de se ter queixado de dores de cabeça. Só os joelhos é que já a vão traindo um pouco!! mas a filha descansa-a, pois já não ninguém lhe pede que faça maratonas!! vai mais devagar, mas continua a ser necessária.

De vez em quando lá lhe marco uma consulta com o medico de família, fazer umas analises básicas.Quando regressa, a saber dos resultados, a filha diz-lhe, vê lá!! que eles ainda hão de querer ficar aí contigo!! mas o relatório só tem confirmado, de que está óptima, sempre regular no peso, na tenção, e nos outros indicadores. É um alivio, porque já poupamos uma consulta!, a minha!, pois se eu me alimento +/- igual a ela, mais chazito menos chazito devo estar boa também.

ROMANTIZAMOS DEMAIS, FAZEMOS HOMENAGENS DEMAIS, foram mulheres no seu tempo, iguais às do tempo de hoje! sonharam com mudanças de vida, mudaram-na porque é natural que assim seja, sempre na expectativa da felicidade!! a maior parte das vezes só mudaram de dono (e nós filhos não lhe demos sossego, porque também é natural que assim seja). Comiam e calavam muito mais que hoje. Eu prefiro as farturas e as franjas de hoje (o poder mudar e o poder falar). E serão, em todos os tempos, nas bocas dos seus filhos, AS SUAS MÃES, OS SEUS PAIS.

Anónimo disse...

E no meu coração, a tua mãe também não morrerá. Está viva. E dou graças a Deus por a ter conhecido, por tanto que ela me enriqueceu e continua a enriquecer. Aprendi, também com ela, que é possível amar no sofrimento, que é mais fácil enfrentar o sofrimento com alegria, com esperança, com fé, que é mais rico viver com simplicidade.

LPS

Anónimo disse...

Já disse quanto gostei dos últimos parágrafos deste post? Tocaram-me profundamente a alma... Sente-se o profundo amor que tens pela tua mãe, Padre Confessionário. Verdadeiramente comovente! Nem tenho mais palavras!

Anónimo disse...

05-05-2013 Rsqueci-me de dar os PARABÉNS A VOCÊ a todas as mães! Por isso, parabéns, atrasados!