sábado, setembro 04, 2010

(in)completa 1

Bateu à porta dez vezes seguidas. Ou por falta de respeito, ou por pressa, ou por acumulação de nervos. Abri a porta de rompante. Não conhecia o rapaz. Teria os seus dezoito anos. Cabelo desgrenhado, à moda. Calças rasgadas no joelho, à moda. Piercing na sobrancelha, à moda. O suor aparentava a corrida. Preciso falar, padre. Preciso que alguém me ouça. Ao primeiro olhar, apeteceu-me dizer que estava ocupado. Não era pela apresentação, mas pelo tom da voz. E foi o mesmo tom que o deixou entrar para o escritório. Imaginei tudo e mais alguma coisa. Álcool. Droga. Sexo. Fuga de casa. Falta de dinheiro. Mas o tom da voz fez-me pensar naquele Cristo que nós queremos ser. Entra em minha casa. Procurai e abrir-se-vos-á. Sentou-se logo, sem pedir licença. Sentei-me também. E disse para mim. Confia em Deus. Disse-lhe o mesmo. Confia em Deus. Sabe, vim agora de estar com outro padre que me fechou a porta. Não me deixou entrar em sua casa. Quis esquecer o tom de voz, mas (...)
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Se queres ser tu a decidir o rumo das histórias e textos deste "Confessionário", então o "(in)completa" é para ti. Terás oportunidade de imaginar o final do texto e seres o seu autor. Aliás, o melhor final será publicado como post. Considero que esta é uma nova etapa do Confessionário, pois o "(in)completa", como lhe vou chamar, pretende ser um novo espaço para uma participação mais activa de cada "penitente". Ao mesmo tempo, servirá as ocasiões ou épocas em que a minha disponibilidade for menor, como é agora o caso, dado que vou estar de férias.
As regras são simples:
  1. Para participar, deves enviar o teu texto como "coment"
  2. deves dar um nome ao texto (com maiúsculas)
  3. deves repetir a última frase na íntegra, retirando as reticências.
  4. deves assinar no final, mesmo que seja com pseudónimo
  5. deves esforçar-te por não alongar muito o texto (no máximo 600 caracteres, isto é, cerca de 125 palavras)
  6. deves respeitar o espírito e personalidade do "Confessionário dum Padre"
  7. se o texto for, de alguma forma, abusivo, não será publicado
  8. podes participar com o máximo de 3 textos

N.B. Também poderás comentar nos coments os textos dos participantes; se achares necessária mais alguma regra, informa-me!

Obrigado, amigos. E boas férias!

16 comentários:

Bunny disse...

Boas ferias :)
Aproveite que o novo ano pastoral esta ai a porta!!!

Sinais no Mundo... disse...

Um feliz e Santo Domingo na Paz de Cristo...

Face á interpelãção de Cristo hoje no Evangelho de Lucas devemos sentir-nos incomodados por não nos prepararmos para esta pedagogia Divina...

Paz de Cristo

Anónimo disse...

A MINHA TAREFA


Quis esquecer o tom de voz, mas ela ecoava nos meus ouvidos. Por momentos fechei os olhos... Pensei no outro. Na porta fechada. Estremeci e abri os olhos. Continuava ali sentado. O seu rosto tornava-se inexpressivo. Apenas umas lagrimas silenciosas iam caindo. Olhei-o sem o ver. Hesitei e duvidei. Fiquei parado, impotente. Aquela expressão de infinita solidão, de abandono, fez-me lembar Ele. Lentamente levantei-me. Ele assustou-se. Não me mande embora. Não, só te quero abraçar. Estendi os meus braços fortes para aquele corpo fragil. Compreendi que aquela tambem era a minha tarefa: a mesma que escolheste para Ti. Dar a vida pelos outros. Os minutos passaram. Não ouve palavras... fiquei ali parado simplesmente a abraça-lo. Fiquei no mesmo lugar depois de ele sair. As minhas pernas quebraram , lentamente os meus joelhos tocaram o chão. Uma lagrima desceu pelo meu rosto. Uma lagrima de gratidão. Obrigado por me fazeres semelhante a Ti.

Alexandra

teresa disse...

boas férias , e descanse bastante ..

abraço amigo ..

Anónimo disse...

Boas férias! :D

Anónimo disse...

Corda-bamba

Quis esquecer o tom de voz, mas senti-lhe nas palavras o silêncio do seu coração. O momento da corda-bamba, onde o sim ou o não são o limite.
Minha voz ficou muda, perante a frase interminável que o rapaz-à-moda pronunciou.
Fico a saber que namora. Conhece-a desde sempre. Desde os momentos em que as brincadeiras no parque infantil se misturavam com os risos do escorrega, ou dos desenhos encantados que ofereciam um ao outro, como numa troca de amizade eterna...Quero dizer, parece-me que entretanto deixaram-se de namorar; parece-me até que o próprio namoro deste rapaz é moderno, porque me fala de uma outra pessoa de quem ela gosta...
...e que se encontra presente na vida dela desde sempre. É o seu caminho, a sua verdade e a sua vida...e eu, Sr Padre?...e eu?-pergunta-me.
Por breves instantes respira. Sinto-lhe a voz tremer como se a corda-bamba tivesse naquele momento a balançar....
- Quem é este Ser Eterno, que se chama Jesus Cristo, e que ela tanto ama?-pergunta-me finalmente -O que faço, Sr Padre, para a ter só para mim?
Sorrio, e pergunto-lhe: “Confias em Deus?”.
TiAna

Anónimo disse...

Desabafo

Sabe, vim agora de estar com outro padre que me fechou a porta. Não me deixou entrar em sua casa.
Quis esquecer o tom de voz, mas antes que pudesse dizer ou fazer alguma coisa ele começou num choro descontrolado e tentando falar pelo meio.
Estava revoltado com Deus, com sentimento de abandono, solidão e mesmo tempo não conseguia deixar de ser com Ele que desabafada todos os dias.
Afinal já não tinha ninguém com quem pudesse conversar..só Ele.
Mas hoje sentiu necessidade de falar a alguém que pudesse ver e dizer alguma palavra de conforto, por isso procurou um dos seus servo, na primeira tentativa fecharam-lhe a porta...prestes a desistir tentou novamente...
Só procurava o conforto amigo de alguém para recuperar força/energia para continuar a caminhar.
Sabia que não ia encontrar uma solução, mas talvez uma orientação do rumo a seguir...algo que o fizesse continuar a caminhar.
A Solidão, a desilusão e tristeza eram seus companheiros desde longo tempo..mas tinha pequeníssima esperança que que isso se alterasse..
sonhava apenas em ser feliz, ter pelo menos um amigo com quem pudesse partilhar sua vida.

Artur

Anónimo disse...

LUZ...

Quis esquecer o tom de voz, mas ela vibrava nos meus ouvidos e sobretudo no meu coração.O conflito entre o desagrado pela irritação causada, a pena desencadeada pelo seu aspecto e o desejo de fazer algo, sabendo das limitações humanas subjacentes. Olhei-o nos olhos, interrogando o seu interior mais profundo!
Ajude-me...
Pediu, já numa voz humilde e de sofrimento.
Estou só, acompanhado pelo vicio da droga e agora pela SIDA. Soube-o hoje. Que faço? Não quero morrer...
Entrei sem querer, não tive força para sair.
Mas não quero morrer...
Levantei os olhos ao Céu, procurando,eu,ajuda,palavras, Luz...

Maggi

Sinais no Mundo... disse...

A Paz.

Pela qualidade do vosso Blog que conheço há muitos anos " linkei-o " aos Sinais no Mundo.

Fá disse...

Mas isto é altura de alguém (que seja normalzinho) ir de férias???

Usufrua:)

Anónimo disse...

Quis esquecer o tom de voz, mas era impossível!! Um padre! Um padre não me recebeu! Aos gritos, fechou-me a porta na cara! Nem me deixou falar!! Ai, desculpe, Sr. Padre! Fiquei tão alterado que estou como ele, a falar de modo desagradável, tão alto! Calou-se. Engoliu em seco. E eu ouvia, expectante das reacções daquele rosto, dos movimentos daquele corpo franzino... Pelos olhos, que tinham chegado em fogo, incendiados de raiva, de desespero, começava agora a passar uma brisa suave, que fazia diminuir as labaredas que o consumiam quando chegou. Tornou a falar, mais calmo. Sabe do que eu preciso? Sabe por que vim aqui? Olhei-o em silêncio, interrogativamente. A minha vida até aqui não foi fácil: pai alcoólico, muita violência para comigo e para com a minha mãe. Um silêncio fundo, a voz que vacila. A minha mãe morreu na semana passada, de desgosto e da pancada que apanhou ao longo de tantos anos. Fiquei sozinho. O meu pai só tem lugar para o vinho na sua vida. Hoje ando a fazer uma pergunta… A quem? A mim? Ao mundo? Não sei. Mas a resposta é vital. Esta é para aí a milésima porta a que bato. Já tinha decidido: se este padre não me receber, vou arranjar maneira de ir para o pé da minha mãe. É que hoje faço 18 anos. E no meu coração lateja esta pergunta: vale a pena viver? Responda-me, por favor, Sr. Padre!
joANA

Anónimo disse...

NÃO HÁ DUAS FLORES IGUAIS

Quis esquecer o tom de voz, mas era difícil não estar na defensiva.

- Francamente, se não fosse pela minha mãe mandava-os todos à fava.

O tom era agora tão agressivos que tive de me controlar. Respirei fundo e tentei concentrar-me no mais importante:
- A tua mãe?

- Sim, ela está de rastos com a morte da minha avó. Para piorar, o pároco mandou dizer que não pode dizer a missa de corpo presente porque o funeral é sábado e ele tem a missa despertina.

- vespertina – corrigi-o, já adivinhando a correcção que eu próprio merecia.

- Dá no mesmo. O que acontece é que a minha mãe está inconsolável. Perguntei ao pároco se não havia solução, e ele só me disse que arranjasse outro padre, nem sequer me forneceu nenhum número de telefone. Já não havia autocarro para aqui e tive de apanhar boleia, que me deixou lá ao fundo na estrada. Vim a correr o resto do caminho. Desculpe se fui bruto quando entrei, mas francamente não estou com muito boa impressão dos padres.

Prometi resolver o problema e tentei de alguma forma desculpar o colega:
- Pois, não foste lá muito bem atendido... Mas já pensaste que ... hum ... enfim, a maneira como te apresentas ... hum ... enfim, intimidas um bocado as pessoas?

- Padre, tenho 19 anos e eu estou no último ano de Economia. Daqui a menos de um ano começo um estágio num banco e passo a ter de andar de fato e gravata. São os meus últimos meses de liberdade. Ainda bem que não foi a minha irmã gémea que veio, ela tem o cabelo pintado de verde...

Já mais tranquilo, o rapaz tinha um ar simpático e divertido. A imagem da rapariga dos cabelos verdes fez-me pensar nas flores. Senhor, devíamos acreditar mais no poder de imaginação que usaste com tanto amor na Tua criação. Se nem sequer fizeste duas flores iguais, porque é que teimamos em querer fazer categorias de pessoas, achando que vão ter comportamentos iguais só porque se apresentam com algumas características parecidas?

Clara da Fonseca

Joana disse...

A NOSSA IGREJA

Quis esquecer o tom de voz, mas não escondi um sinal de renitência, num olhar. Ele notou. Baixou os olhos e limpou as mãos suadas às calças. Fixou-me. Confia em Deus, repeti. Matei um homem, padre. Bebi, meti-me no carro e matei um homem. Não sei o que me vão fazer, mas não me importo. Queria ter morrido também. Vejo-o em todo o lado. Está em todo o lado. Precisava de saber... Voltou a baixar o olhar. Precisava muito de saber se me deixa entrar na sua igreja. Se me deixa ficar. Fixou-me de novo; olhos muito abertos; uma expressão de medo. Se posso nunca mais sair... da sua igreja. Respirei fundo. Levantei-me e pedi-lhe que me seguisse. Indiquei-lhe o caminho. Entrou e ajoelhou-se na laje fria, a chorar. Se ele ficasse, havia de ter tempo para lhe explicar que a Igreja sou eu e ele, e tantos mais. E que a porta é Deus que a abre e nunca a fecha. Mas naquela hora, só o silêncio falou mais alto.

Joana

Sinais no Mundo... disse...

" Oh. Que grande é o Poder da Oração...!" - Santa Teresimha do Menino Jesus.

Rezo pela Nossa Santidade.

Sinais no Mundo... disse...

Bateu à porta dez vezes seguidas. Ou por falta de respeito, ou por pressa, ou por acumulação de nervos. Abri a porta de rompante. Não conhecia o rapaz. Teria os seus dezoito anos. Cabelo desgrenhado, à moda. Calças rasgadas no joelho, à moda. Piercing na sobrancelha, à moda. O suor aparentava a corrida. Preciso falar, padre. Preciso que alguém me ouça. Ao primeiro olhar, apeteceu-me dizer que estava ocupado. Não era pela apresentação, mas pelo tom da voz. E foi o mesmo tom que o deixou entrar para o escritório. Imaginei tudo e mais alguma coisa. Álcool. Droga. Sexo. Fuga de casa. Falta de dinheiro. Mas o tom da voz fez-me pensar naquele Cristo que nós queremos ser. Entra em minha casa. Procurai e abrir-se-vos-á. Sentou-se logo, sem pedir licença. Sentei-me também. E disse para mim. Confia em Deus. Disse-lhe o mesmo. Confia em Deus. Sabe, vim agora de estar com outro padre que me fechou a porta. Não me deixou entrar em sua casa. Quis esquecer o tom de voz, mas (...)não consigo.

Quero confessar-me porque pequei contra Deus e contra a Sua Igreja.

Padre se a alma está acima deste misárável corpo, continuava ele agora mais calmo, porque mais fá cil encontrar um MÉDICO DO QUE UM PADRE?

Sinais no Mundo... disse...

Santa Teresinha do Menino Jesus, O.C.D.- Festa Litúrgica a 1 de Outubro;

-Doutora da Igreja;

-Nascimento 2 de Janeiro de 1873 em Alençon, Baixa-Normandia
França;

-Falecimento 30 de Setembro de 1897 em Lisieux, Baixa-Normandia
França;

-Veneração por Igreja Católica
Canonização 17 de Maio de 1925, Roma por: Papa Pio XI;

-Festa litúrgica 1 de outubro
Atribuições Rosas, História de Uma Alma;

-Padroeira Missionários católicos, Rússia

Preparemo-nos para viver esse dia em profunda intimidade com Ela para Honra e Glória de Deus Nosso Senhor Jesus Cristo...