Um colega, padre e amigo meu, disse um dia algo que já citei algumas vezes, referindo-se ao resumo de cada uma e de todas as homilias. Dizia que quase bastaria dizer um “Sede bons”. E reafirmava que isso bastaria. Tenho este colega em sincera admiração. As homilias dele nunca se resumiam a um “Sede bons”. Aprendi imenso com ele a actualizar a Palavra de Deus na homilia.
Mas há dias, quando uma mãe sofrida pelo facto de os seus filhos não lhe seguirem os passos da fé, e perante a indicação que eu dera a propósito do melhor meio de evangelização que constituía o testemunho, ela respondeu-me simplesmente que tentava ser boa a todo o custo. Essa resposta deixou-me em aberto as possibilidades reais da evangelização.
Na verdade não me parece que baste ser bom. Isso qualquer um pode e deve ser, independentemente da sua fé ou do seu credo. Um não cristão pode ser muito melhor pessoa que um cristão. A fé é mais que isso. Trata-se da configuração com uma pessoa que é Cristo. É um modo de vida a que nem sempre o “ser bom” bastará. É toda uma forma de viver, de amar, de sofrer e de pensar cada coisa para além de si mesma, centrado no caminho para Deus. Um caminho, que afinal, vai para além da bondade.
