Entregaram-me um papel com seis nomes dias antes da festa para que, por ocasião da mesma, nomeasse as novas mordomas. Pelos nomes não as conhecia. Mas como estas coisas se comentam, alguém me veio contar que não deveria nomear algumas delas. Uma era divorciada. Outra tinha fama de se meter na cama com homem alheio. Pelo menos essas. Que o senhor padre não deveria nomear.
Na verdade, faço questão de que algumas das pessoas que fazem parte de uma mordomia de festa assegurem o sentido de fé nas festas religiosas e que todas as pessoas nomeadas aceitem as normas que nos são propostas para este tipo de festas. Porém, como pároco, sinto o dever de acolher todos, indistintamente da sua estrada de vida. Judeus ou gregos, escravos ou homens livres, pecadores ou que não se sabem pecadores.
A Igreja não é uma comunidade de perfeitos. O papa Francisco tem dito isso imensas vezes. Aliás, não podia ser de outro modo, porque não há gente perfeita. Além disso temos de confiar na mão de Deus.
E respondi a quem me chamou a atenção. Nas minhas paróquias quero que todos se sintam acolhidos. Repare que as mordomas deste ano, por exemplo, depois da proposta que lhes fiz, confessaram-se. E a maior parte delas já não o fazia há dezenas de anos.
Não basta abrir portas às nossas igrejas. É preciso deixar a porta aberta.
