A franja do cabelo tapava-lhe o olho direito, e pendurava-se no esquerdo a querer tapar-lhe os dois. Assim falava-me sem correr o risco de me olhar nos olhos. Sentámo-nos à mesa do café. Para um simples café e troca de palavras. Aos aromas do café juntámos o novelo da sua vida, que desfiou devagar e com paragens, pois estava cheio de nós. Tinha-se divorciado. O marido não fora violento, nem nada que pareça. Não havia razões daquelas que os noticiários parecem adorar. Ela queria ser mais feliz do que era, e separou-se. Depois disso já teve vários namorados, com quem sonhara ser feliz. Nunca fora propriamente depravada. Nem propriamente feliz. E perguntava-me. Será que é mal ou pecado ter sentimentos e procurar ser feliz? Eu achei que esse era o anseio de todos. Não julguei. Não quis. Já chega o que os outros devem julgá-la. E embora não queira aligeirar o tema, digo que fiquei incomodado. De franja em pé. E às vezes penso que a Igreja tem de se sentir incomodada.
terça-feira, abril 30, 2013
sexta-feira, abril 26, 2013
Gostava de fechar a minha igreja.
Gostava de fechar a minha igreja. Ela tem umas portas tão bonitas. Servem para entrar e sair, entrar e sair. As pedras de granito estão expostas umas em cima das outras. Pois que assim é que se colocam as pedras da igreja. Os antigos percebiam de construção e não precisavam de cursos. A minha igreja tem retábulos tão bonitos que dá gosto entrar só para apreciar. Aos Domingos ela fica engalanada. Cheia de flores, luzes e pessoas. Toda a gente olha a minha igreja com vaidade ou inveja. Fica-se com uma vontade mórbida de a fechar para ser só nossa. A minha igreja engalanada. Mas não é por egoísmo que eu gostava de fechar a minha igreja. Na verdade eu sei que ela não é só minha. Ela é a Igreja.
Apetecia-me fechá-la para que fosse difícil entrar nela e, os que entrassem, em vez de a apreciarem, reparassem nela. Talvez sem pedras ou retábulos, sem flores ou adornos, até sem portas, as pessoas percebessem, de facto, o que ela é, para que ela é, quem ela é.
sábado, abril 20, 2013
A geração do telemóvel
Não falo da geração que passa o tempo a tocar nas teclas do telemóvel, ou a ver as horas, ou a mandar uns toques. Essa geração que é ainda nova e que vai ter doenças nos dedos de tanto mexer e remexer nessa invenção que foi o telemóvel. Falo antes da geração que tem mais idade e que também faz do telemóvel o uso diário que está no bolso das calças ou na carteira e que toca a qualquer hora. São aqueles que só sabem usar o telemóvel para ligar uns determinados números previamente marcados em teclas especiais, e que sabem atender cada vez que toca aquele som que, digamos, já o ouvimos um centenar de vezes e não conseguimos gostar. A geração que ainda é nova sabe usar o botão que diz silêncio e raramente ouvimos um telemóvel desta geração tocar durante a Eucaristia. A geração mais velha, como não sabe sequer que tem a possibilidade de deixar o telemóvel funcionar em silêncio, passa a vida a atender telefonemas em qualquer lado. Ou se não atende, deixa tocar indefinidamente até ele próprio se calar. É comum uma vez que outra um telemóvel destes tocar durante a missa e do meio da multidão ver-se alguém incomodado e tentar passar a bola para canto. E olhem que isto está a ser cada vez mais comum. Por isso não apontem sem dó o dedo aos mais novos, porque os mais velhos já aprenderam a ser geração do telemóvel sem aprender todas as suas funcionalidades. Que façam como eu, que nunca levo o telemóvel para a Igreja. Mas não. O telemóvel, que antigamente não existia, agora tem de ir connosco para todo o lado. Bom, e depois desta tão grande introdução, deixem-me contar o que esta tarde aconteceu apenas em duas Igrejas, em duas missas. Na primeira, um destes telemóveis tocou e a senhora salta do banco a meio da homilia, corre desenfreada para a porta e enquanto chega lá e não, já se ouve Tá lá, sim, tá. Na segunda Igreja, depois de um ou dois telemóveis se ouvirem esquecidos, há um outro que toca da carteira de uma outra senhora. Esta levanta-se com o telemóvel a tocar na mão, estávamos numa leitura, sai com passo calmo e sereno, como se nada estivesse a acontecer, e do lado de lá da porta da Igreja faz o seu diálogo que só não se ouviu distintamente, porque a leitora também estava a usar da palavra. Nisto veio o Aleluia, estávamos a preparar-nos para o Evangelho, e toca um terceiro telemóvel, pois não há duas sem três, e o seu dono não esteve com meias medidas, atende logo ali, meio acocorado, e diz Liga mais tarde que agora estou na missa. Ora, pois nós também estávamos na missa. Eu só acho é que qualquer dia quem sai da missa é Deus.
quarta-feira, abril 17, 2013
Tens gostado da atitude ou atitudes do Papa Francisco?
Já lá vai mais de um mês que o Cardeal Bergoglio foi eleito Papa, o actual Papa Francisco. Desde o dia 13 de Março que as televisões, radios, jornais e redes sociais não se cansam de falar que ele fez isto e aquilo, que fez assim e assado, que disse isto e assim. Tem crescido um entusiasmo grande em volta da sua figura, mas, ao mesmo tempo, têm surgido críticas duras, sobretudo de uma certa ala mais liturgista e legalista no seio da hierarquia da Igreja. Tem deixado muita gente estupefacta, quer pela positiva, quer pela negativa. Algo está a mexer no seio da Igreja com este Papa. E tu, "Tens gostado da atitude ou atitudes do Papa Francisco?".
Convido-vos a darem razões da vossa escolha nos comentários.
sexta-feira, abril 12, 2013
Três perguntas e muitas mais
Num dia destes, numa homilia destas, a pensar numa sondagem que li algures, sobre coisas destas como a ressurreição, fiz três perguntas. Primeiro perguntei se acreditavam em Deus, e quase toda a gente, senão mesmo toda, levantou o braço cheio de certezas. Claro que supostamente quem está na missa acredita em Deus, mas nunca se sabe, dadas as tradições que temos coladas a nós. Baixados os braços, perguntei-lhes se acreditavam na Ressurreição de Jesus. E o mesmo número de pessoas, ou quase o mesmo, levantaram o braço com algumas incertezas, pois o ânimo da resposta pareceu, aos meus olhos, menor. Além disso, baixaram os braços muito depressa, como se fosse melhor assim. Fiz então a terceira e última pergunta, que era se acreditavam na nossa ressurreição. E o levantar de braços tornou-se lento. Medido ou incerto. Como se os braços não tivessem forças para se levantar sozinhos, seguros. O número de braços levantado também diminuíra. Quis convencer-me que foram os meus olhos que viram desta maneira. Porém, uns dias mais tarde, alguém me confirmou com os seus olhos. Senhor padre, levantei o braço nas duas primeiras e na última não. Outra pessoa, inclusive, disse que não levantara em nenhuma, pois eu levantara-lhe mais questões que aquelas que fizera. O assunto chegou aos cafés. Quero crer que os meus paroquianos ficaram a pensar, tanto quanto eu. Porque a Ressurreição é a razão principal da nossa fé que dá sentido à nossa Vida. E isso deve fazer pensar. Mas o que mais me intrigou foi a quarta pergunta, que só fiz a mim mesmo, e que se relacionava com aqueles que tinham levantado o braço na segunda pergunta e na terceira não o tinham feito. Porque havia de Jesus ter ressuscitado? E a esta pergunta respondi com outra. Apenas para mostrar o Seu poder?
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terça-feira, abril 09, 2013
é assim que me apetece ser padre
Começou por pequenos desabafos. Continuou num grande desabafo. Prolongou-se por vários meses em inúmeros desabafos ou inúmeras vezes o mesmo desabafo. Todos os dias procurava em mim uma resposta, uma palavra, uma atenção, um refúgio. Algumas vezes era maçadora, cansativa, exigente. Eu respondia à medida da minha disponibilidade. Mas respondia. Penso que até correspondia. Já lá vão vários meses, e há dias a pessoa que me contactava por email perguntou porque é que eu não a abandonava. Porque é que eu ainda lhe respondia às canseiras e desabafos. Se e porque é que eu precisava dela. E eu respondi de coração. Não te abandono porque Deus não te abandona. Quero precisar de ti porque Deus quer precisar de ti. Depois perguntou porque motivo eu era assim e dizia aquelas coisas. E eu respondi. Porque sou padre e é assim que me apetece ser padre.
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quarta-feira, abril 03, 2013
O leite que seca no cemitério
A barriga da Carla ainda não está proeminente, mas nota-se. A forma da barriga, para o vestido que a dona veste, parece dizer que está lá a pulsar mais alguma vida. Veio falar comigo à saída do carro, apressada, quando me deslocava para celebrar missa numa Capela que está ladeada pelo cemitério. Não nevava, mas fazia frio de neve. Por isso lhe sugeri que entrássemos na Capela para falar. Esta não tem Sacrário nem Santíssimo exposto, e com facilidade lhe fiz a proposta. Mas a Carla não podia. Não podia passar dos umbrais da porta que dão para a capela e para o cemitério. Umas senhoras de xaile na cabeça que ouviam a conversa piscavam os olhares entre elas e acenavam que era melhor não entrar mesmo. Não ouvi nenhum miar, mas achei que ali havia gato. Não seriam remorsos de falar na Capela, pois é habito fazerem-no, até ao exagero, como já assisti. Porque seria então? E no mesmo então fiz a pergunta. Diz-me lá, Carla, o que te impede de entrar. Meio corada, meio a olhar para as senhoras mais idosas, respondeu-me. Dizem que uma grávida não pode entrar no cemitério senão seca-se-lhe o leite. O gato fez-se sapato, e abri a boca num espasmo de admiração. Não conhecia o dito. Não conhecia a lição. Mas aprendi alguma coisa. Que a nossa vida está cheia de ditos que nos afastam ou podem afastar de Deus. Que uma grávida deve ter cuidados não só com a saúde, mas com a fé. A brincar a brincar ocorreu-me que as vaquinhas, coitadas, não podem nunca entrar num cemitério, correndo sérios riscos de deixarem de ser aquilo que são. Claro que ninguém as está a imaginar por lá a dar cabo dos arranjos das campas. Mais me ocorreu que faltava lembrarem-se de que uma grávida não deve entrar no cemitério, pois poderia ser prenúncio ou anúncio de morte ao nascituro. Não comentei nada disso. Seria um despropósito grande, que ainda agora acho que é. Mas a Carla acabou por entrar comigo através dos umbrais da Capela e do cemitério sem a anuência das senhoras de xaile. Fazia frio de neve e não queríamos gelar a conversa. Entrámos e ao que sei, até ao momento, àquela mulher ainda se lhe não secou o leite. Mas nunca se sabe.
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sexta-feira, março 29, 2013
Ser padre como um cireneu
Gostava de começar este texto com o blá blá blá fácil, embora sentido, que vem a propósito da quaresma, ou até da semana santa, ou até da Páscoa. Dizer coisas que são bonitas e tocam o coração. Falar da Paixão ou da morte, ou até da Ressurreição. Mas, com o avançado do cansaço, subiram-me os azeites à tona do sabor da boca, e apetece-me começar o texto com Esta é a minha cruz. Por isso dou asas à minha vontade e começo. Esta é a minha cruz. Depois digo que a minha cruz é ser padre. Imagino-me no meio de uma enorme multidão de pessoas que me acusam, que me insultam, que me açoitam, que me escarnecem, que me comparam ou à Igreja a um criminoso, que me fazem carregar com o fardo da cruz e me fazem subir montanhas mostrando a minha cruz. Aqui está ela. Para quem não conseguir avistar ao longe, que venham as televisões. E os jornais. Embora o papel esteja caro, que venham a voar com o vento, pois leves, chegam cá depressa. Sim. Esta é a minha cruz. Sou padre, digo. E depois de subir os montes, subo a cruz. Estou já com os braços abertos. Alguns querem abraçar-me e dizer que precisam dos meus braços, das minhas pernas, da minha voz, que precisam que eu desça da cruz, me torne vivo e lhes indique caminhos. Afinal o padre é isso. Mas outros olham-me com vontade de me darem vinagre a beber. Toma, que o teu sangue há-de jorrar todo pelos sulcos desta terra. Bem que eu queria ser padre doutra época. Padre doutra história. Pode ser da Tua, Senhor. Mas Ele não responde. Está também cansado e com o rosto sobre o madeiro. Afinal estamos ali os dois. Eu queria ser padre da Sua história, mas Ele diz-me que Ele é que está na minha história. Cansado disto, destas correrias que me trouxeram ao cimo deste calvário, as correrias de um lado para o outro, de uma missa para outra, de uma paróquia para outra, de umas vidas para outras, vou gritar. Vou gritar Pai, perdoa-lhes que não sabem o que fazem. Mas hesito. Porque eu também preciso do Seu perdão. E porque está ali Jesus na outra cruz e envergonho-me de usar as Suas palavras. Já sei. Vou dizer Meu Deus meu Deus porque me abandonaste. Vem a propósito. Tem tudo a ver. Porque a cruz era pesada e não a senti mais leve. Porém, não consigo. A voz ficou-me embargada nas duas primeiras palavras. Meu Deus. Fiquei com a boca aberta e de boca aberta. Voltamos então ao início. Vou só dizer que esta é a minha cruz. Ser padre. E do outro lado ouço uma voz conhecida. Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso. É Ele. Só pode. Foi Ele que mo disse do alto da Sua cruz. Já não o vejo bem. Estou com os olhos sem forças. Mas reconheço-lhe a voz. Ouvi-a muitas vezes ao longo da minha vida de padre. Ouvia na boca de muitos que vieram ter comigo e precisavam de um padre. Ou de mim somente. Como eu estava de braços abertos e Ele também, ocorreu-me dar um salto à Sua cruz para nos abraçarmos. Mas já não tinha forças. Não tinha forças para descer e subir de novo à cruz. Mas ainda conseguia falar. E tinha a certeza de que Ele era capaz de ler os meus pensamentos. Olha, Mestre, estás a ouvir o que eu estou a pensar? Esta aqui é a minha cruz. E acrescentava. Sou padre. Ser padre é a minha cruz. Sou um dos que gostaria de ser dos Teus. Se quiseres eu vou ai e dou-te um abraço. Imaginei-O a sorrir. Vou ai e tiro-te dessa cruz. Tiro-te a cruz. Atiro com ela para bem longe. Imaginei-O às gargalhadas. Como se fosse possível atirar a Sua cruz quando eu nem conseguia descer da minha. Mas estávamos ali os dois. A Sua cruz era maior. Era do tamanho Dele. E já ninguém quer saber de mim. Pressinto que estão todos a olhar para lá, para Ele na cruz. Foi um alívio. Ainda bem que Ele estava por perto na Sua cruz. Já posso descansar. Afinal a minha cruz é bem mais pequena. Sou padre. É pequena, mas pesa-me mais que a dos outros. Dessas não sei o peso. Se pudesse, atirava com ela. E no momento em que me apetecia dizer Afasta de mim este pequeno cálice, ouvi do cimo do calvário, daquela cruz gigante, uma voz conhecida que me disse Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso.
Aproveito para desejar a todos uma Santa Páscoa. Que a nossa cruz seja um braço da Sua cruz que aponte sempre o Paraíso na Vida Eterna.
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sexta-feira, março 22, 2013
A minha experiência de confessar
Veio uma e sentou. Outra e sentou-se. Uma de cada vez. Sentaram-se várias senhoras, ao meu lado, para se confessarem. Cada uma com as suas vidas. No meio de tanta outra gente que não se confessa, ainda há quem tire um pouco da sua vida para tirar-lhe peso, e para o entregar a Deus, através do sacramento da Confissão. Ainda há quem busque a esperança que vem do saber-nos olhados por Deus com misericórdia. Foi assim ontem e hoje, dois dias, duas experiências, que tocaram a minha vida no mais íntimo de si. Nesta certeza de que, nós padres, somos um vaso muito frágil, às vezes algo partido, onde Deus deposita a sua água viva para refrescar quem dele beber. Aconteceu ontem numa paróquia envelhecida pelo tempo. Daquelas que são feitas de pedras antigas trabalhadas com vasos nos varandins. E no meio do desfiar de pequenos nadas daquelas muitas mulheres e alguns homens que se abeiraram da confissão, senti-me pequenino. Ouvia cada palavra como se aquelas fragilidades, aqueles pecados, fossem apenas a virtude que eu queria ter na minha vida. Porque eram uma manifestação de fé simples e humilde. Porque, na simplicidade daquelas confissões, eu me achava indigno da tamanha bondade que o sacramento da confissão tem por si. Tinha dificuldade em perceber como Deus me podia usar a mim, pois que ao lado daquela gente eu era um aprendiz. E hoje, ao confessar umas dezenas de crianças da catequese, ainda mais pequeno me senti. Elas, com o seu tamanhito de palmo e meio, fizeram-me crer que possuíam mais três ou quatro palmos que eu. Sei que eu estava na cadeira que concedia a absolvição e elas na cadeira dos absolvidos. Mas fiquei com a sensação de que as cadeiras estavam trocadas ou poderiam estar. Por mais teologias que saibamos. Por mais liturgias e pastorais, normas canónicas e sacramentais. Por mais certezas de fé que a nossa vocação sacerdotal tenha, na hora em que o perdão de Deus age através de nós, somos apenas uma frágil criatura, pequenina, que é somente instrumento, e mais nada. Inquieto por não me saber merecedor, depois destas horas em que estive a confessar, agigantou-se em mim a certeza de que sou muito pequenino.
terça-feira, março 19, 2013
Gostaste da eleição do Papa Francisco?
No dia em que se inaugura definitivamente o Pontificado do Papa Francisco, após as sondagens em que falámos sobre o Papa Bento XVI e sobre a possível proveniência daquele que o substituisse, tendo já na nossa cabeça e no nosso coração uma série de dados sobre o cardeal Jorge Mario Bergoglio e do Papa que assumiu o nome daquele que marcou de uma forma ímpar a Igreja de Cristo, Francisco de Assis, achei oportuna esta nova sondagem: Gostaste da eleição do Papa Francisco?
Podes justificar a tua opção nos comentários.
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