Estamos quase no Verão, mas chove. A trovoada lembra que não somos donos da vida. Que podemos fazer o que quisermos. Que podemos escolher as nossas opções como quisermos. Mas a última palavra não é nossa. O homem desde sempre teve esta vontade de se tornar Deus. Mas depois vem uma chuva que varre a vida, que arrasta consigo o que não tem bases sólidas. E depois é que nos lembramos que afinal a vida não é comandada por nós. E quando devíamos encolher os ombros na humildade de quem descobre que afinal eu só estou aqui para viver e buscar o melhor da felicidade que conseguir, costumamos revoltar-nos contra Deus e contra tudo o que Ele representa. Afinal Ele não está cá. Ou se cá está, porque havia de permitir que a chuva levasse a nossa vida toda em poucos segundos? Graças a deus que aquela senhora que apareceu na televisão com uns trapos, que lhe restaram, na mão, ia dizendo que agradecia a Deus por lhe ter deixado aqueles trapos que bem precisava. É a história conhecida do copo meio cheio ou meio vazio. Uma pessoa que tem muito, quer ter sempre mais. Por isso a Europa está como está. Quem tem pouco, acaba por reconhecer que cada pouco é muito. Eu penso que na nossa sociedade e na nossa Igreja devíamos aprender com quem tem pouco. Pois é esse pouco que dá valor a Tudo.
terça-feira, junho 21, 2011
quarta-feira, junho 15, 2011
A catequista Lucinda
A Lucinda é minha catequista há dois anos. É muito simpática. Autêntica. Exigente. Exigente com os miúdos, e por isso acha que eles não querem nada. Exigente consigo mesma, e por isso acha que não é boa catequista. Exigente com a catequese, e por isso acha que o que faz não dá frutos. Exigente com a vida, e por isso há dois anos que tenta resistir ao chamamento de Deus para ser catequista. Para continuar a ser catequista. Já por umas quatro vezes que pensou desistir. Por quatro vezes chegou à conclusão que não podia fazê-lo. As últimas desculpas que deu foram o tempo que retirava à família, ao lar, aos seus, e dizia-me, para se ouvir, que Deus não deve querer isso. Estava, portanto, decidida a deixar a catequese do próximo ano lectivo. Mas ontem ainda era este ano, e teve catequese com os seus meninos do primeiro ano. Falaram do Espírito Santo, e ela incentivou os miúdos a pedir ao Espírito Santo que os ajudasse a fazer algo. Um pediu que o ajudasse a fazer o TPC. Outro que o ajudasse a não cair. Outros foram por aí fora com pedidos do mesmo género. Porém, a Teresa disse: Ajuda-me a ser consagrada. E a Marília disse: Ajuda-me a ser santa. Foi nesse preciso momento que a Lucinda teve a noção exacta do seu papel na Catequese. Ela é catequista, e tem de participar nisto. Tem de ouvir e ver estes pequeninos amigos de Jesus. Contou-me estas coisas banhada em lágrimas minúsculas, como pontinhos de luz. Deus tem um sentido de humor incrível. Quando pensamos que temos as respostas, as certezas, Ele mostra-nos algo maior.
sábado, junho 11, 2011
Estou contente pelo José
Sentei-me aqui à beirinha da janela. A cadeira está ali disposta para que me sente à beirinha da janela, para que me perca no horizonte que a janela abre ou fecha. Coloquei uma perna em cima da outra. Cruzadas, mas não em forma de cruz. Como se uma precisasse descansar e a outra não tivesse outro remédio senão aguentar-lhe o peso. Olhei lá para fora, para a montanha, e pensei que hoje me sentia como as pernas. Por um lado a precisar de descanso. Por outro a precisar de aguentar. Ainda não tinham passado cinco minutos, ainda não me tinha perdido completamente no horizonte, quando o telefone tocou. Dei um salto, sobressaltado. Não há horas para o telefone. Nem para mim. Era o José que se vai ordenar padre em breve. Uma questão de semanas. O entusiasmo percebia-se nas palavras escolhidas, no tom da voz, na cadência da entoação. Deixei-me embalar pela conversa. Mas também deixei escapar uma ou duas expressões que manifestaram a minha alegria pelo entusiasmo do José. Depois, e como que a brincar, para ele não pensar que era a sério, saiu-me algo como Não sei como ainda há jovens que se entusiasmam desta forma. Ele sorriu. Ou sabia ou disfarçou que achava piada. Compus o ramalhete insistindo que estava a brincar com ele. E comigo. Já lá vão alguns anos. Os suficientes para não me lembrar como estava entusiasmado. Como estava ansioso. Como abria as mãos para experimentar abençoar. Para lembrar como tudo era colorido. Como as pessoas batiam nas costas de contentes. E como agora falam nas costas. E como agora nos carregam as costas. E como a vida hoje nos parece ter perdido alguma cor. O José perguntou se afinal ia à missa nova dele, que é assim que chamamos a primeira missa solene de um novo sacerdote. E eu respondi que não tinha tempo. Que não tinha tempo para partilhar a alegria dele. Para fazer minha a alegria dele. Desligámos e voltei à beirinha da janela. Olhei para a montanha e pensei. Estou contente pelo José, mas tenho de descansar esta perna.
quarta-feira, junho 08, 2011
Só me apetece olhar para lado nenhum
Só me apetece olhar para lado nenhum. Ainda há pouco, conversando com uma amiga, que é mãe, me dizia que tinha receio de ter mais filhos porque esta sociedade é tão ruim que tem medo de não a conseguir proteger. Ou de não ter como a ajudar a crescer. A ser gente. Hoje ser gente não é o mesmo que existir! E depois falava que a filha mais velha tinha sido abordada por colegas para experimentar o pó. A garota ainda é nova e deve ter pensado que o pó era o que os armários por limpar acumulam. Sabe, padre, os garotos não são como no nosso tempo. Tratam a vida como se ela lhes devesse algum favor. Concordei. Passam a vida à espera que a vida lhes seja doada e não conquistada. Por isso quando ela não lhes dá nada, acham que nada vale a pena viver. São as frustrações de quem não sabe valorizar cada segundo de vida que acontece. As frustrações de quem só valoriza aquilo que se sente. Por isso tanto sobem uma montanha como descem à cova mais profunda e escura. Não sabem o que é procurar, o que é descobrir, o que é caminhar para uma meta, o que é sonhar. Não se comprometem senão consigo mesmo. Eu diria que nem consigo se comprometem. Fazem-no apenas com uma parte de si, os seus sentimentos. Por isso a vida é light. Por isso a fé também tem de ser light. Por isso a fé não é procurada. Deus não é tido senão quando se possa sentir. Não querem nada que tenha de ser procurado. Não querem Deus se este não for uma resposta imediata. Resoluta. Clara. Certa. Não querem nada que seja duradouro ou que demore. Uma missa. Uma prece. Um matrimónio cristão. Só se for sentido, e enquanto for sentido. E aquela fé, que se trata no coração, deixa de poder ser verdade porque o coração só quer sentir e não quer dar nada de si. Não quer dar nada a sentir. Triste e sentida geração a nossa. Dizem por aí entendidos que esta é a geração rasca. Outros que é “à rasca”. Não sei se alguém já pensou nela em termos de fé. Eu queria pensá-la nesses termos. Usar este papel e estas palavras nesse sentido. Mas também só me apetece senti-la. Esta geração faz-me sentir que precisa de um sentido. E é por isso que só me apetece olhar para lado nenhum.
sexta-feira, junho 03, 2011
Cerimónias para ver
Hoje em dia tornou-se costume, ou normal, ou banal, serem as avós a tratar das coisas do baptismo. Os pais estão longe da terra e, às vezes, da Igreja. E foi assim que a Anunciação marcou o baptizado para o netinho Dinis. Tratados os papéis, os padrinhos e os pais, lá chegou o dia marcado pela avó e a hora marcada pela eucaristia da comunidade.
Cheguei uns vinte minutos antes, o que é raro. Havia tempo para tudo e mais alguma coisa. Em vinte minutos muita coisa acontece nas nossas vidas. Esperavam-me à entrada da igreja, mas dentro, no guarda-vento. Falámos um pouco. Estavam entusiasmados. Mantivemo-nos uns cinco minutos nisto, quando a avó, que lá estava, como manda a lei das avós que tratam de tudo, a dar conta da conversa, se lembrou de repente. Ó senhor padre, é verdade, lembrei-me agora, confesse-os lá. E apontava para os pais. Embora tardito, fazia sentido o seu pedido. Porém, como sou de opinião que estes pedidos devem vir de dentro, e ali vinham de fora, da avó que ainda queria continuar a tratar de tudo, olhei para eles e perguntei com o olhar se tinham vontade de confessar-se. Eles responderam, com o mesmo olhar, que não tinham bem a certeza. A avó deu conta e insistiu. Andai lá que a cerimónia fica melhor, mais bonita. E assim acabaram por confessar-se, que eu não me achei digno de o impedir. Disse o que tinha a dizer, e não sei se a cerimónia ficou melhor ou mais bonita. Nem se ficou mais sincera.
Cheguei uns vinte minutos antes, o que é raro. Havia tempo para tudo e mais alguma coisa. Em vinte minutos muita coisa acontece nas nossas vidas. Esperavam-me à entrada da igreja, mas dentro, no guarda-vento. Falámos um pouco. Estavam entusiasmados. Mantivemo-nos uns cinco minutos nisto, quando a avó, que lá estava, como manda a lei das avós que tratam de tudo, a dar conta da conversa, se lembrou de repente. Ó senhor padre, é verdade, lembrei-me agora, confesse-os lá. E apontava para os pais. Embora tardito, fazia sentido o seu pedido. Porém, como sou de opinião que estes pedidos devem vir de dentro, e ali vinham de fora, da avó que ainda queria continuar a tratar de tudo, olhei para eles e perguntei com o olhar se tinham vontade de confessar-se. Eles responderam, com o mesmo olhar, que não tinham bem a certeza. A avó deu conta e insistiu. Andai lá que a cerimónia fica melhor, mais bonita. E assim acabaram por confessar-se, que eu não me achei digno de o impedir. Disse o que tinha a dizer, e não sei se a cerimónia ficou melhor ou mais bonita. Nem se ficou mais sincera.
quinta-feira, maio 26, 2011
O preto pousou sobre eles sem licença
A mãe do Joaquim, que é a esposa do senhor Manuel e a sogra da Rosa, faleceu há coisa de um mês. O preto pousou sobre eles sem licença. O preto amargo que nos cobre e nos fecha a cadeado. Ela era fácil de se amar, e por isso o preto, neste caso, fez-se mais teimoso. Sou amigo da casa e custa-me ver aqueles rostos da cor das roupas. Já por umas seis vezes que falámos no assunto. Eles pedem-me tempo e eu dou. Eu falo que é minha obrigação e eles dizem obrigado. E falamos sempre. O luto faz-se, acontece e, às vezes os sentimentos das pessoas escurecem e escondem o sol ou as suas réstias ou raios de luz. É como se fizéssemos do dia noite. Eu não quero tornar-me incómodo, mas abordo esse sol, que não se pode apagar para não ser sempre de noite, e dou tempo. Eles agradecem por isso. Por lhes lembrar o sol, por lhes dar tempo, e por me lembrar deles. Três coisas que, cuido, devemos atender ao lidar com quem está escuro como o luto.
Há dias soube que o senhor Manuel vai todos os dias, ao final da tarde, até ao cemitério que não fica longe de casa. O Joaquim vai também a maior parte das vezes. A Rosa vai só quando o Joaquim vai a horas que ela pode. Fazem-no porque não sabem o que fazer. Fiz-lhes essa pergunta e não souberam responder. Foi mais ou menos um Não sabemos porque fazemos, mas temos de fazer, padre. Perguntei-lhes, numa só frase, sobre o sentido desse luto e dessa forma de agir. Não me souberam responder. Ao que respondi, questionando, que se algo não tem sentido, porque há-de fazer-se?
Olharam para mim de uma forma aberta e eu pensei. Estão a pensar que o que disse é importante. O Joaquim foi o mais expressivo. Mas as expressões enganam e às vezes uma expressão aberta pode significar só isso. Que ouvimos mas isso não importa ou não é importante. A nossa vida fica aqui, está presa aqui, neste luto e neste escuro e nesta noite. Amanhã será outro dia. Ou não.
As pessoas que estão escuras precisam que alguém lhes faça perceber que é de dia e o sol vai alto.
Há dias soube que o senhor Manuel vai todos os dias, ao final da tarde, até ao cemitério que não fica longe de casa. O Joaquim vai também a maior parte das vezes. A Rosa vai só quando o Joaquim vai a horas que ela pode. Fazem-no porque não sabem o que fazer. Fiz-lhes essa pergunta e não souberam responder. Foi mais ou menos um Não sabemos porque fazemos, mas temos de fazer, padre. Perguntei-lhes, numa só frase, sobre o sentido desse luto e dessa forma de agir. Não me souberam responder. Ao que respondi, questionando, que se algo não tem sentido, porque há-de fazer-se?
Olharam para mim de uma forma aberta e eu pensei. Estão a pensar que o que disse é importante. O Joaquim foi o mais expressivo. Mas as expressões enganam e às vezes uma expressão aberta pode significar só isso. Que ouvimos mas isso não importa ou não é importante. A nossa vida fica aqui, está presa aqui, neste luto e neste escuro e nesta noite. Amanhã será outro dia. Ou não.
As pessoas que estão escuras precisam que alguém lhes faça perceber que é de dia e o sol vai alto.
sábado, maio 21, 2011
Qual a frase de João Paulo II que mais te toca interiormente?
O agora beato João Paulo II não deixou indiferentes os que com ele privaram, quer através dos seus escritos, das suas viagens, das suas aparições, das suas celebrações, dos seus ensinamentos, quer através da sua vida. Ainda no rescaldo da sua beatificação, fui procurar algumas das suas frases mais famosas ou que mais me foram tocando. São apenas algumas e não me perguntem porque as escolhi. Deixo-as agora em tom de partilha, sujeitando-as a uma sondagem sem outras pretensões que não a de nos ajudar a meditar com a ajuda deste beato que, segundo afirmações do cardeal D. José Saraiva Martins, não há-de tardar muito em ser canonizado. A pergunta é esta: Qual a frase de João Paulo II que mais te toca interiormente?
Se a frase que mais gostam não estiver neste lote, transcrevam-na nos comentários. E se possível, deixem no mesmo local as palavras que as vossas escolhas suscitarem.
Se a frase que mais gostam não estiver neste lote, transcrevam-na nos comentários. E se possível, deixem no mesmo local as palavras que as vossas escolhas suscitarem.
quinta-feira, maio 19, 2011
Menina não baptizada não entra
A data fora marcada com antecedência pela avó. A hora também. E lá estavam o casal à porta com a menina ao colo, os padrinhos e a avó. Era a avó que trazia a Inês ao colo. Iam baptizá-la. Cheguei apressado, quase em cima da hora combinada, que era a hora da Eucaristia da paróquia. Convidei-os a entrar. Estava frio e não queria que a Inês se constipasse. Entraram todos, menos a avó e a Inês. A mãe da Inês fizera menção de pegar nela e levá-la consigo, para dentro. Mas a avó, pelos vistos, não deixou. Apesar das horas estarem super-marcadas, passo a passo, nos meus compromissos, decidi voltar atrás, à rua, ao frio. Insisti que entrassem, ao que a avó respondeu que não podiam. A menina não podia entrar antes de ser baptizada. Escusado será dizer que a resposta me surgiu pronta. Então fique aqui com a menina, que quando terminar o baptizado, eu chamo-as. Ó senhor padre, disse ela. Mas é a Inês que vamos baptizar! Como pode ser isso? Bom, senhora avó, se a menina não entra, não tem como poder baptizar-se.
São as histórias das superstições que sempre se rezaram assim. As crianças não devem entrar nas igrejas sem estarem baptizadas. Eu pensei que estas coisas já não eram de hoje, mas pelos vistos enganei-me. E enganei, entre aspas, a avó, porque ela acabou por entrar logo atrás de mim.
São as histórias das superstições que sempre se rezaram assim. As crianças não devem entrar nas igrejas sem estarem baptizadas. Eu pensei que estas coisas já não eram de hoje, mas pelos vistos enganei-me. E enganei, entre aspas, a avó, porque ela acabou por entrar logo atrás de mim.
quinta-feira, maio 12, 2011
Não olha senão para mim
Hoje estou aqui sentado. O banco tem lugar para mais cinco se não forem gordos. Mas estou só. A Igreja está escura. Junto ao altar, por entre a janela, percebe-se um tom amarelo da rua. Um amarelecido do tempo. Não quis acender as luzes. Gasta muito. E gasta-me os olhos. Assim descanso-os e posso poisá-los na luz mais forte da Igreja, a luz do sacrário. Trouxe comigo algumas coisas. No banco, do meu lado direito, coloquei as minhas fraquezas. São muitas. Ocupam muito espaço. A seguir coloquei os meus falhanços. As fraquezas ficaram mais perto porque as vejo sempre muito perto. Do lado esquerdo coloquei as cobardias, os medos e as tentações que mais frequentam o meu coração. Se fossem volumes de livros, seriam uma biblioteca. Na ponta do banco, do lado direito estão os pecados. Amontoados. Desorganizados. Não os queria trazer. Mas eles vieram colados à minha sombra. Tal como a sombra não nos abandona, quer com muito sol, quer com iluminação fraca, assim eles se colocam atrás de mim. Costumam colocar-se estrategicamente atrás e não à frente. Tenho a certeza que se eles estivessem na minha frente, eu procuraria todas as horas voltar-me para o Sol. Não consigo avaliar melhor localização. Se de forma que os não veja e sinta. Se de forma que os veja para procurar o Sol.
Recordo que a Igreja está escura. Ainda bem. Pressinto que não estou sozinho no banco. Mas sinto que o sacrário é mais forte, mais luminoso. Prende-me mais a atenção. Apetecia-me passar horas aqui sentado a sentir o que estou a sentir. É como se Ele não tivesse querido olhar as minhas fraquezas, fracassos, cobardias, medos e tentações, e se fixasse apenas no amor que me tem. Também Ele dirige o olhar para o meu banco e não olha senão para mim. E confia. Apesar do banco estar pesado, Ele confia em mim e quase parece fazer-me deslocar levemente, como uma pena, ao Seu encalço. Quer-me assim. Ama-me assim. Não está interessado senão em amar-me.
Levanto-me e parece, de facto, que estou mais leve.
Recordo que a Igreja está escura. Ainda bem. Pressinto que não estou sozinho no banco. Mas sinto que o sacrário é mais forte, mais luminoso. Prende-me mais a atenção. Apetecia-me passar horas aqui sentado a sentir o que estou a sentir. É como se Ele não tivesse querido olhar as minhas fraquezas, fracassos, cobardias, medos e tentações, e se fixasse apenas no amor que me tem. Também Ele dirige o olhar para o meu banco e não olha senão para mim. E confia. Apesar do banco estar pesado, Ele confia em mim e quase parece fazer-me deslocar levemente, como uma pena, ao Seu encalço. Quer-me assim. Ama-me assim. Não está interessado senão em amar-me.
Levanto-me e parece, de facto, que estou mais leve.
quarta-feira, maio 04, 2011
As inutilidades das nossas Bíblias
Andámos a mexer nas Bíblias de cada um. Convidara as pessoas a trazer a sua Bíblia para a Igreja, numa partilha comunitária. Pelo menos para sacudir-lhe o pó, expliquei. E para percebermos que ela pode usar-se. Que ela tem palavras escritas para serem lidas. Que não é apenas um adorno fácil das nossas estantes ou da nossa cómoda envernizada. Valeu a pena o esforço. O número daqueles que trouxeram a Bíblia foi aumentando aos poucos. Outros pediram que lhes fizesse o favor de lhes comprar uma. Fiquei feliz por poder ajudar. Por poder contribuir. Por proporcionar maior contacto com a Palavra de Deus. Temos a Bíblia em casa e podemos usá-la.
Mas há dias dei por mim a pensar naquelas pessoas que não trouxeram a sua Bíblia ou não pediram para a comprar. Dei comigo a pensar que podiam padecer da timidez dos cristãos que não querem assumir mais do que aquilo que se habituaram. Ou que não percebem que a Bíblia foi uma das maneiras mais excelentes, escolhida por Deus, para falar connosco. Ou que não percebem que os cristãos devem ser comprometidos com Deus também desta forma. Ou que elas não têm a Bíblia em casa porque não a sabem ler. Ou porque têm receio do que ela possa exigir-lhes. Ou, pura e simplesmente porque não a querem ter. O que me entristece. Há tempos alguém me dizia que a Bíblia dos simples era o terço. Achei a afirmação interessante. Mas continuo a julgar que um verdadeiro cristão deve ter a Palavra de Deus Escrita em casa.
Mas há dias dei por mim a pensar naquelas pessoas que não trouxeram a sua Bíblia ou não pediram para a comprar. Dei comigo a pensar que podiam padecer da timidez dos cristãos que não querem assumir mais do que aquilo que se habituaram. Ou que não percebem que a Bíblia foi uma das maneiras mais excelentes, escolhida por Deus, para falar connosco. Ou que não percebem que os cristãos devem ser comprometidos com Deus também desta forma. Ou que elas não têm a Bíblia em casa porque não a sabem ler. Ou porque têm receio do que ela possa exigir-lhes. Ou, pura e simplesmente porque não a querem ter. O que me entristece. Há tempos alguém me dizia que a Bíblia dos simples era o terço. Achei a afirmação interessante. Mas continuo a julgar que um verdadeiro cristão deve ter a Palavra de Deus Escrita em casa.
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