Tenho na minha mão direita dois ramos de flores. Na esquerda outro. Não me perguntem que flores são. São flores. Sei-lhes a cor. Amarelo e branco. Laranja. Assim meio lilás e meio amarelo. Sei-lhes o cheiro. Mas não sei dizê-lo. Sei-lhes o tamanho, que é maior que o seu tamanho real. Sei-lhes a alma, porque, dizem, ela fica no fundo de cada um e faz cada um ser o que é. Sei que cada flor costuma ter um significado, mas para mim estas flores de cores variadas significam o mesmo. Afinal não sou apenas o pastor que carrega as ovelhas, que vive a vida a curar-lhes mazelas, a gritar-lhes para que o ouçam. Sou o seu pastor. Não sei quem os lembrou, ou se calhar sei. Mas quero pensar que foi a verdade e o coração que lembraram os meus paroquianos, no seu conjunto, hoje, dia do Bom Pastor, da importância do seu pastor, isto é, eu.
Longe da minha imaginação e do meu ram-ram, a meio da eucaristia, numas paróquias a seguir à homilia, como quem diz Agora que o ouvimos, ouça-nos; noutras, no momento da acção de graças, que é como quem diz Temos muito a agradecer. Em cada uma delas eu tive a mesma sensação de não saber que dizer ou fazer. Deixar-me apenas encantar. Aqui tens, nosso pastor, estas flores, para te recordar como és importante para nós. Queremos ser o teu rebanho. As palavras não foram bem estas, mas estou a resumir as folhas que leram. Pareciam mesmo combinados. Na primeira eucaristia tive de esconder o meu rosto por entre o ramo das flores, respirar fundo, e cortar a força das lágrimas. Nas outras, apesar da surpresa ter sido igual, reconheço que a força foi mais forte e a emoção mais controlada. Fiquei sempre sem palavras em segundos. Depois falei, falei. Deixei que a minha alma falasse. Nalgumas paróquias as flores deram lugar a outras recordações. Tiveram o mesmo sabor e cor das flores.
Nesta hora, uma hora em que acontece a celebração do sacerdócio e no mesmo minuto acontece a sua acusação desmesurada, vale a pena sentir que somos importantes para alguém. Apesar das nossas fragilidades, dos nossos pecados, das nossas limitações, Deus pode usar-nos e usa-nos para se encontrar com os seus.
Ó meu único e eterno Bom Pastor, hoje senti que valia a pena ser pastor destes rebanhos que me entregaste. Deste teu rebanho. Deste meu rebanho. Estas flores valem tanto!
Amanhã vou levá-las à minha mãe. Ela entende-as tanto como eu. Ela sabe se eu as mereço ou não. E pela mesma razão, eu sei que ela também as merece.
Longe da minha imaginação e do meu ram-ram, a meio da eucaristia, numas paróquias a seguir à homilia, como quem diz Agora que o ouvimos, ouça-nos; noutras, no momento da acção de graças, que é como quem diz Temos muito a agradecer. Em cada uma delas eu tive a mesma sensação de não saber que dizer ou fazer. Deixar-me apenas encantar. Aqui tens, nosso pastor, estas flores, para te recordar como és importante para nós. Queremos ser o teu rebanho. As palavras não foram bem estas, mas estou a resumir as folhas que leram. Pareciam mesmo combinados. Na primeira eucaristia tive de esconder o meu rosto por entre o ramo das flores, respirar fundo, e cortar a força das lágrimas. Nas outras, apesar da surpresa ter sido igual, reconheço que a força foi mais forte e a emoção mais controlada. Fiquei sempre sem palavras em segundos. Depois falei, falei. Deixei que a minha alma falasse. Nalgumas paróquias as flores deram lugar a outras recordações. Tiveram o mesmo sabor e cor das flores.
Nesta hora, uma hora em que acontece a celebração do sacerdócio e no mesmo minuto acontece a sua acusação desmesurada, vale a pena sentir que somos importantes para alguém. Apesar das nossas fragilidades, dos nossos pecados, das nossas limitações, Deus pode usar-nos e usa-nos para se encontrar com os seus.
Ó meu único e eterno Bom Pastor, hoje senti que valia a pena ser pastor destes rebanhos que me entregaste. Deste teu rebanho. Deste meu rebanho. Estas flores valem tanto!
Amanhã vou levá-las à minha mãe. Ela entende-as tanto como eu. Ela sabe se eu as mereço ou não. E pela mesma razão, eu sei que ela também as merece.