sexta-feira, outubro 31, 2008
As paróquias que estão a morrer
sexta-feira, outubro 24, 2008
sondagem_ “Como classificas os católicos hoje em Portugal?”
“Como classificas os católicos hoje em Portugal?””
E os resultados são:
1. sem formação _27%
2. indiferentes _19%
3. tradicionalistas _16%
4. não praticantes _10%
5. gente de fé _ 9%
6. simpatizantes _8%
7. supersticiosos _5%
8. anti-clericais _4%
9. praticantes _1%
10. responsáveis _1%
pequenas considerações:
Não podemos esquecer que o fazer uma classificação, por si, é sempre um acto que depende da perspectiva de vida de quem vota. Por este motivo, esta sondagem pode ser apenas um mero barómetro para auscultar aquilo que pensa um grupo de pessoas. De facto não podemos nunca classificar ninguém nem medir de forma exacta a sua fé. No entanto, podemos aproveitar estes resultados para pensar.
Não vou fazer muitas considerações. Vou deixá-las para cada um as realizar. Mas não posso deixar de realçar:
- que 72 % das respostas evidenciam um total afastamento, uma inadequada formação ou a total ausência dela;
- que a anterior conclusão traz consigo uma grave constatação: que aqueles que habitualmente chamamos de católicos portugueses não são verdadeiros católicos;
- que “gente de fé”, “responsáveis” e “praticantes” apenas contabilizam 11 %;
- que não parece haver um grande espírito anti-clerical;
- que o mais votado se prende com a falta de formação, o que indicia uma fé por “arrasto” e a urgência de contrariar esta situação;
- que a vida dos padres ou agentes de pastoral fica complicada, dado que o seu trabalho vai ser nos próximos tempos algo próximo da “manutenção”, porque é o que as pessoas vão pedir; próximo da “tradição” porque é o que as pessoas querem; votado à formação, o que exige tempo e dedicação, coisa que menos abunda;
Que considerações farias tu?
Hoje surge nova sondagem, enquadrada nas novidades (seria novidade?!) ou preocupações que têm surgido do Sínodo dos Bispos sobre a “Palavra de Deus na vida e missão da Igreja”. Também podes explicar os motivos da tua opção. A pergunta é:
Como classificas de uma forma geral as homilias que tens ouvido?
quinta-feira, outubro 16, 2008
É dentro de nós que a vida se resolve.
Por isso hoje queria dizer-vos aquilo que disse ao Guilherme por causa da imensidão de problemas que ele mencionou na sua vida. Queria dizer-vos que nós resolvemos a vida desde dentro. Não resolvemos os nossos problemas com a mudança das situações, com a mudança das coisas à nossa volta, com a mudança dos outros. Tentamos esquecer. Tentamos mudar de lugar, de habitação, de curso, de carro. Tentamos mudar de amigos, procurar amigos, mudar os seus comportamentos e atitudes. Impingimos a nossa forma de sentir e pensar. Mas é dentro de nós que a vida se resolve.
segunda-feira, agosto 04, 2008
Um olá bem grande
segunda-feira, junho 30, 2008
Todas as semanas têm um Domingo
De vez em quando há quarta estação. Um desvio no calvário. Alguma Procissão. Ou reunião. Ou encontro. Ou festa. Ou, sei lá. Geralmente termina ao findar do dia. Todo roto. Amanhã tenho mais ainda que fazer. Não é Domingo, mas é dia de trabalho. Porém celebrar a eucaristia com os meus é bom! Hoje estou aberto a sugestões. Como celebrar ainda melhor?! Quem dá sugestões!?
terça-feira, junho 10, 2008
Como se avalia um padre?
Têm tendência a dizer bem dum padre novo, mas enquanto celebra de forma mais alegre ou aberta. Porque se acaso ousa dizer não posso, já não é assim tão bom. Se diz amén a tudo, não tem personalidade, é fraco. Precisamos um mais forte. Se alterar algum hábito, tira-nos a fé. Se apresentar ideia novas, qualquer dia os santos caem do altar. Se entrar num café é dos nossos. Se entrar habitualmente, deixa de ser nosso para ser como os outros. Se fala com as pessoas é simpático, mas anda mal acompanhado. Se passa muito tempo em casa, não faz nada. E se vai à Igreja menos vezes que o padre antigo, só cá está para levar o dinheiro.
Os padres velhos são geralmente bons padres no sentido mais solidário que existe. Uns pobres padres. Já não fazem nada. Estragam tudo. Têm vícios. Há quem os abomine. E há quem os desculpe.
Os padres de meia-idade nem são uma coisa nem são outra. Não costumam ouvir gracejos ou piropos, mas também ninguém lhes dá o benefício da dúvida. São aqueles que aparentam a maturidade que precisamos no nosso padre, mas que já não conseguem engraçar, façam o que fizerem. Já não têm ponta para admirar e começam a cansar. É melhor vir outro antes que este chegue a velho.
Mas o que é um bom padre? Como se avalia?
Avalia-se pela quantidade de coisas que consegue fazer? Pela quantidade de coisas que consegue que outros façam? Pela forma como reza? Pela forma como faz rezar? Pelas vezes que se vê na rua? Pelas vezes que está em casa? Pelas vezes que vai à igreja? Porque bebe connosco? Porque não bebe? Porque tem personalidade? Porque é simples e humilde? Porque é sábio? Porque é culto? Porque é organizado? Pelas palavras que diz? Pela sua voz? Pelos sorrisos que dá? Pela qualidade da missa? Porque demora muito? Porque demora pouco? Pela sua criatividade? Pelas festas que faz? Pelos pulos que dá? Porque veste bem? Porque é bonito? Porque diz palavras sábias? Porque fala bem? Porque escuta melhor? Porque é novo? Velho? De meia-idade? Ou porque já se foi?
quarta-feira, junho 04, 2008
Quem entrasse nos meus pensamentos, ouvia-me berrar
Por isso quem entrasse nos meus pensamentos, ouvia-me berrar. Um grito mudo, seco, que me fez cerrar os punhos por debaixo da casula antes de iniciar a eucaristia.
Porquê, meu Deus?! Porque é que as pessoas te confundem com as suas superstições?! Porque é que se dizem cristãos como forma de sossegar a consciência?! Porque não entendem a tua beleza?! Porque não te entendem?! Porque não amam como tu amas?! Porque não sabem perdoar?! Porque apontam o dedo umas às outras, esquecendo os seus próprios erros?! Porque é que juntam as mãos para rezar, mas não as juntam para amar?! Porque é que estendem a mão para receber, mas não a abrem para dar?! Porque é que a nossa forma de nos afirmarmos cristãos não nos faz melhores?
sexta-feira, maio 30, 2008
Não sei o que é não ter emprego
Os pobres de hoje vivem assim, em pé para fugir, para não perder tempo, para não demorar a sensação das dificuldades, para não assumir que se precisa, para que ninguém possa murmurar a pobreza dos seus. Os pobres de hoje, que aumentaram em número e diminuíram o da classe média baixa, têm vergonha de precisar de ajuda.
O sorriso era forçado. Ter de justificar a sua necessidade precisava de um sorriso. Assim como precisava de sorrir para que os filhos sorrissem. Precisava de ajuda. Eu ouvia sem falar. Às vezes não conseguimos mais que ouvir, porque não sabemos as palavras ou gestos certos. E enquanto ela me falava das dificuldades da vida, lembrei-me de um jovem que, em tempos, decidira entrar no Seminário. Lembrei também as minhas gargalhadas quando me contaram que este, questionado sobre os motivos pelos quais queria ingressar no Seminário, respondera que assim tinha a certeza de arranjar emprego. Nada mais desapropriado, mas nada mais acertado. Emprego garantido. Trabalho sem horários definidos, mas sempre garantido. Remuneração indefinida, mas sempre garantida.
Por isso ao ouvi-la, senti-me atado. Estranhamente atado entre uma vida que escolhi por causa de Deus, mas que me facilita a causa dos homens. Reconheço que perante o meu trabalho, esforço e responsabilidade, a remuneração não é a suficiente. Mas perante a vida, os encargos e os outros, sinto-me um privilegiado. Não tenho nada. Porém, não me falta nada que, de facto, faça falta.
Escondi as mãos nos bolsos porque não sabia onde as colocar. Não fazia sentido ter uma mão aberta ou fechada. Não fazia sentido ter uma mão que não pudesse apertar outra. Era mais fácil escondê-la, atá-la, cerrá-la. Quando nos despedimos, retirei-a do bolso e mais o que lá estava. Mas o que é um peixe num mar imenso?! Sobretudo quando não se tem cana de pesca, rede ou barco?!
Claro que ser padre não é um emprego no verdadeiro sentido da palavra. É uma vocação, algo que se vive inclusive durante o sono. Ser padre define-me. Não é um atributo. Mas hoje, ao olhar aquele sorriso forçado, senti-me um privilegiado porque nunca senti o que é não ter emprego.
segunda-feira, maio 19, 2008
A fé de Portugal
Não foram à Eucaristia? Perguntei. Por isso vim falar consigo, padre. Não fomos, e eu sinto-me incomodado com isso. Ainda tentei convencer o pessoal, mas eles não me quiseram ouvir, e eu não consegui resistir. Então foram a Fátima com fé em Nossa Senhora, com a devida devoção, mas não quiseram saber da Eucaristia? E não procuraram outra, que em Fátima costumam haver várias? Não, padre. Depois regressámos a casa. Que me diz? Fiz bem ou mal?
O João não teve coragem de mostrar a sua verdadeira fé, aquela que vê na mãe, chamada “de Fátima”, como o meio de chegar melhor ao Seu Filho, como o meio de amar mais o Seu filho Jesus. E é esta a fé de Portugal, que tem uma enorme devoção a Fátima, às promessas e às tradições. Basta pensar nas pessoas que vão a Fátima cheias de fé e de promessas, mas que não vão à missa, nem na paróquia nem no santuário. Basta recordar como tanta gente enche as fileiras das procissões das festas, fora ou dentro delas, e as que vão à missa dominical. Basta pensar naqueles que gastam uns cêntimos numas velas mas não partilham dos mesmos cêntimos com os vizinhos pobres. Basta pensar nos sacrifícios feitos para peregrinar a Fátima e nos sacrifícios que não são feitos para perdoar quem nos magoou. Basta pensar em Portugal, para perceber que esta é a fé dos portugueses, uma fé em Fátima, nas tradições e nas promessas.
Que me diz? Fiz bem ou mal?
quarta-feira, maio 07, 2008
Tinha uma vida cheia de tudo
Agarrei-me a ela com força, a força que Deus me dera para ter naquele momento, para também eu ser forte e a fazer forte. Limpei-lhe uma lágrima com um dos meus dedos. Mas não insisti, porque o mesmo dedo parecia querer aproximar-se de um dos meus olhos. Disse três ou quatro palavras que nem lembro porque fiquei a falar por dentro. Sei que ela parou de chorar. As palavras devem ter valido de conforto. Quando se levantou com a minha ajuda e me disse adeus, eu pensei no como tanta gente resiste a ter mais filhos por um qualquer motivo que, vá-se lá a saber, a maioria das vezes não é mais que uma forma de evitar preocupações e problemas, esquecendo que outros problemas e preocupações podem vir atrás dessas opções.