Ainda se contam pelos dedos, mas já quase não me sobram para contar o número de anos em que estou nestas paragens. E recordo que logo nos primeiros tempos fiz uma estudada reflexão para explicar que se tornava muito simbólica a comunhão pela própria mão, e que essa razão ainda era mais importante que a higiene do acto. Não tenho qualquer pejo em dar a comungar directamente na boca, embora em muitas ocasiões os dedos sejam humedecidos pelas línguas respectivas e seja difícil concertar a distribuição com a recepção. Porém, convenhamos que comungar com o esforço próprio tem o seu significado. Não esperamos apenas que Deus venha ter connosco. Igualmente o acolhemos para o podermos contemplar mais de perto, para podermos tratá-lo com carinho. São apenas razões. O importante é mesmo a comunhão. Nem se trata de um modernismo. Ainda há tempos, na Alemanha, me lembro de me colocarem nas mãos um panfleto que abominava quem comungasse de outra forma que não directamente na língua. A falta de tolerância e a forma como condenavam quem fizesse o contrário só veio dar mais razão às minhas razões.
Avancemos. Apesar da minha explicação, muitos dos meus paroquianos continuam a comungar directamente na boca, e eu respeito. Obviamente. E falo nisto porque há dias aconteceu-me o inusitado. Uma senhora ia morrendo afogada ou abafada com a comunhão. Explico. Como nem toda a gente abre convenientemente a boca e estende a língua, por vezes torna-se quase impossível que a comunhão não tenha atropelos. Vai daí que a referida senhora não abre a boca como deve ser, deixa a língua atrás da placa dos dentes, a hóstia toca nos emprestados dentes, estes deslocam-se, desencaixam, e a senhora, aflita, engasga-se durante uns bons segundos, avermelha, aflige ao seu redor, aflige-me a mim, aflige Deus, até conseguir colocar tudo no devido lugar e voltar também ao seu. Parece uma anedota, mas não é.
É mais uma razão para me dar razão.
Avancemos. Apesar da minha explicação, muitos dos meus paroquianos continuam a comungar directamente na boca, e eu respeito. Obviamente. E falo nisto porque há dias aconteceu-me o inusitado. Uma senhora ia morrendo afogada ou abafada com a comunhão. Explico. Como nem toda a gente abre convenientemente a boca e estende a língua, por vezes torna-se quase impossível que a comunhão não tenha atropelos. Vai daí que a referida senhora não abre a boca como deve ser, deixa a língua atrás da placa dos dentes, a hóstia toca nos emprestados dentes, estes deslocam-se, desencaixam, e a senhora, aflita, engasga-se durante uns bons segundos, avermelha, aflige ao seu redor, aflige-me a mim, aflige Deus, até conseguir colocar tudo no devido lugar e voltar também ao seu. Parece uma anedota, mas não é.
É mais uma razão para me dar razão.