Bateram à porta quase a meia noite. Sapatinho da cinderela. E dizia há dias um entendido na televisão que nós, os padres, devíamos estar sempre disponíveis. Mas para quê e para quem? E o bom senso? E a nossa vida? Eu sei que o tempo de Deus não é o nosso tempo e que o tempo dos padres devia ser mais parecido com o Seu tempo. Porém, também o tempo das pessoas devia ser como o de Deus quando precisam do padre.
Queriam que lhes resolvesse um assunto que elas não queriam resolver junto de quem podiam porque não se davam bem. Não se falavam. Nem lembravam o nome do seu pároco, mas criticavam-no e à sua igreja. Que não era delas a igreja. Também não era eu o seu pároco, mas doeu-me como se de mim se tratasse. A filha deixara de ir à Catequese porque a tinham reprovado por faltas. Com a Catequista que tinha, também que ia lá fazer, diziam. Eu estive quase sempre calado nos meus pensamentos. Com a mãe que tem também que ia lá fazer! Toca a desbobinar coisas e palavreado contra as pessoas. Foi uma chuvada valente e eu sem o guarda-chuva à mão. Não foi preciso muito para deixarem a minha porta. Bastou que lhes falasse que deviam falar com as pessoas devidas, que deviam dialogar, esclarecer os mal-entendidos, que deviam perdoar. A esta palavra começaram a descer a escada. Nunca, padre. Nunca. Desculpe lá o incómodo. Vamos bater a outra porta.
Queriam que lhes resolvesse um assunto que elas não queriam resolver junto de quem podiam porque não se davam bem. Não se falavam. Nem lembravam o nome do seu pároco, mas criticavam-no e à sua igreja. Que não era delas a igreja. Também não era eu o seu pároco, mas doeu-me como se de mim se tratasse. A filha deixara de ir à Catequese porque a tinham reprovado por faltas. Com a Catequista que tinha, também que ia lá fazer, diziam. Eu estive quase sempre calado nos meus pensamentos. Com a mãe que tem também que ia lá fazer! Toca a desbobinar coisas e palavreado contra as pessoas. Foi uma chuvada valente e eu sem o guarda-chuva à mão. Não foi preciso muito para deixarem a minha porta. Bastou que lhes falasse que deviam falar com as pessoas devidas, que deviam dialogar, esclarecer os mal-entendidos, que deviam perdoar. A esta palavra começaram a descer a escada. Nunca, padre. Nunca. Desculpe lá o incómodo. Vamos bater a outra porta.
E se Jesus lhes batesse também à porta