Senhor padre, como é que se pode amar mais a Deus?
Uma pergunta destas que surge desprovida de contexto e sem se contar com ela, parece algo banal ou sem sentido. Mas não era banal e fazia muito sentido a pergunta da senhora Luísa. Uma senhora que eu tinha e tenho como boa paroquiana e como crente. Aliás, é pergunta que já me ocorreu em noites mais escuras ou em dias mais fechados em mim.
Na verdade, quando percebemos e caímos na conta do amor perfeito de Deus, que ama sem limites, sem interesses, em liberdade, sem maquilhagem, e quando isso contrasta com as nossas debilidades, com os nossos interesses, com os nossos medos, com a nossa forma tão medida de amar, a pergunta da senhora Luísa começa a ganhar sentido e uma série de novos contornos. Será possível amá-lo mais? Como poderíamos amá-lo na perfeição? Como podemos amá-lo mais? Que fazer para aumentar esse amor?
Reconheço que a primeira reação que a senhora Luísa me incitou foi a de lhe responder com alguma doutrina à maneira, com palavras do costume, aquelas frases que nós padres temos muita mania em usar. Mas também não tinha palavras destas em mim. Naquele imediato e como quase sempre, foi o coração que falou sem que eu lhe desse autorização consentida. A melhor forma de amarmos mais a Deus é deixarmos que o seu amor entre mais ainda em nós.