Ante a minha admiração já desconfiada, num encontro de gente com responsabilidades na comunidade cristã, os chamados habitualmente de “leigos comprometidos”, à pergunta sobre se sabiam o que era um leigo, as respostas não foram muito consistentes. Sabiam que eram leigos na Igreja e que isso os designava, pois já o tinham ouvido imensas vezes, mas não sabiam o que isso significava na essência. Houve mesmo quem respondesse com aquilo que refere, mais ou menos, o dicionário de língua portuguesa: o leigo é alguém que sabe pouco de um assunto. Não sabiam sequer, e por exemplo, que, na linguagem eclesiástica, o leigo é um não clérigo. Ou seja, faz parte daquela imensa maioria de cristãos que, muitas vezes, ainda permanece passiva na missão que Jesus deixou à sua Igreja como sacramento da salvação. Recordou-me, infelizmente, a postura piramidal da Igreja desde tempos da Idade Média ou desde, particularmente, o concílio Vaticano I. Que pena!
Pode parecer que estou a entrar em águas pantanosas e que a teologia não é para aqui chamada. De modo algum. Escrevo como penso. E tenho muita pena que a maioria dos cristãos não saiba sequer o que significa a designação que lhe é atribuída por nós, os clérigos. Assim como me repugna, em certa medida, que ainda se pense o leigo no significado negativo, como um não clérigo. Como se o clérigo fosse o lado positivo, e o leigo o lado negativo da Igreja. Não gosto, e ponto final. Mas se podia queixar-me da hierarquia da Igreja, que mantém estas designações, mais me queixo desse número grande de cristãos, inclusive com vivência e prática cristãs - com se costuma dizer – que não tem a mínima noção do que é ser discípulo e missionário de Cristo, dentro de uma Igreja que é, acima de muitas coisas, Povo de Deus. Eu não quero leigos que substituam os padres e se tornem, eles próprios, uns padres em miniatura. Quero leigos com a grandeza e dignidade que lhes é conferida no baptismo e que se assumam plenamente como Igreja corresponsável.