Fiquei sem elas. Aliás, não fui só eu quem ficou sem elas. Foi toda uma comunidade paroquial. Ficámos sem as irmãs consagradas que há várias décadas aqui haviam construído uma comunidade religiosa, uma presença espiritual. Sim, muito mais espiritual que pastoral, embora se notasse particularmente a sua presença na pastoral da paróquia. Como não têm tido vocações, a sua provincial vê-se obrigada a fechar, pouco a pouco, algumas casas onde estão pequenas comunidades religiosas. Quando anunciámos o encerramento desta casa e desta pequena comunidade de três irmãs, embora com umas lágrimas a deslizar pelo sulco da face, a voz do agradecimento foi mais forte. Nesta hora, dizia eu ao microfone da Igreja paroquial, não podemos prender-nos à lamentação da perda, mas ao agradecimento dos vários dons que cada um recebeu com a sua presença. É isso mesmo que penso. Mais do que lamentar-nos da sua ausência, devemos agradecer a sua presença.
Foi tudo rápido e agora já cá não estão. Não quero desistir de procurar uma outra congregação ou Instituto de vida Consagrada para aqui estabelecer uma comunidade religiosa. Mas a coisa não está fácil. As respostas ao nosso convite vão chegando com a descrição de dificuldades similares. A maioria delas diz que também estão a fechar casas e comunidades.
A realidade está ao alcance dos nossos olhos. E nós teimamos em fazer como se nada estivesse ocorrendo na Igreja. Vamos fazendo o mesmo de sempre, com menos vocações consagradas, menos cristãos, menos recursos, numa pastoral de manutenção que não tem mais lugar num mundo em que a fé conta cada vez menos.