O Américo faltou à missa. Estava doente e faltou à missa. Em vinte e oito anos nunca faltara à missa. E veio ter comigo à sacristia no final da missa para me contar o seu problema. Padre, faltei à missa. Aquilo que eu entendia como dificuldade, ele via como problema. Não consigo definir o seu olhar em mim. Triste como a noite, se é que a noite é triste. Mas a noite traz a solidão e por isso deve ser triste. Em pouco mais de três palavras, o Américo deixara cair três lágrimas. Padre, estive doente e não pude vir à missa. É claro que o Américo já sabe que, por doença, ficamos isentos de cumprir o preceito de ir à missa. Bem basta a pessoa estar doente. Eu costumo dizer que Deus sabe o quanto custa aceitar a dor, para saber que não lhe deve acrescentar mais dores por causa de não poder ir à missa. Mas o Américo deixava cair lágrimas atrás de lágrimas, mesmo depois de lhe ter feito esta observação. Ele não estava incomodado com a doença. Estava incomodado por ter faltado. E depois rematou. Padre, é a primeira vez em vinte e oito anos que falto à missa. Parecia que o problema estava não só na falta, mas no ter quebrado o recorde. Se eu não conhecesse o Américo faria essa afirmação. Mas como o conheço, sei porque estava aflito. E sei também que ele não quer faltar não por medo de Deus, mas por amor a Deus. Por isso precisava uma consolação minha, mais que outra coisa. Precisava sentir que Deus, apesar dessa falha, ainda o ama. Foi isso mesmo que lhe falei. E que não desse mais importância ao assunto. Importante é que agora estava ali e já não estava doente. Também tinha de assumir a doença que Deus lhe dera. Tinha de assumir a incapacidade de ir à missa que Deus lhe dera. O Américo perguntou-me se era para perceber ainda melhor a falta que lhe fazia a missa, e eu respondi que sim. Também podia servir para isso. Ele começou a sorrir. Falámos ainda mais umas coisas, mas não acho importante relatar aqui. Conto apenas que o Américo, quando me virou as costas, já não tinha lágrimas no rosto e notava-se mais aliviado. Quando saiu pela porta da sacristia é que eu pensei nos nossos cristãos que têm uma facilidade enorme de faltar à missa. Peguei nas minhas coisas e saí também. O Américo já estava a uma distância considerável. Entrei no carro. Liguei a ignição. E foi nesse momento que me ocorreu outro pensamento. A verdade é que também há muita gente que nunca falta à missa, mas por hábito.
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terça-feira, março 01, 2011
quinta-feira, janeiro 27, 2011
A barriga cheia fala mais que a barriga vazia
O padre António, que é meu vizinho, está doente. Pega a sul com as minhas paróquias, para os lados da montanha. Teve uma espécie ou um início de AVC. Ficou limitado à cama e ao descanso. E os seus paroquianos ficaram também limitados ao número de missas. Não há muitos padres disponíveis para fazer substituições.
O padre José, que está a oeste das minhas paróquias e que dista delas cerca de vinte quilómetros, foi operado. Os seus paroquianos há dias que não têm missa. Ele não pode. Os médicos e a recuperação não deixam.
Por isso, no Domingo passado, o senhor Alecrim, que é seu paroquiano, entrou pela sacristia de uma das minhas paróquias, uns minutos antes da eucaristia. Estávamos em amena reinação ou cavaqueira. Sorrisos e gargalhadas. Temos esta maneira de sustentar a boa disposição para nos dispormos com alegria a celebrar. O Alecrim já me conhece e cumprimentou-me. Contou do seu pároco. Recordámos o padre António. Veio a propósito falar da idade média avançada dos nossos padres. A maioria está acima dos setenta. Observámos que as paróquias do José e do António estão sem missa. O António ainda é novo. E às tantas deixei cair o desabafo para o saco. E ainda há por aí quem se queixe. Referia-me aos meus. Porque o horário da missa não é o que mais agrada. É cedo. É tarde. O padre foge, no final, para correr de uma missa para outra. E vem outra vez a missa vespertina. E uma Celebração da Palavra com o presbítero ausente.
Queixas com as razões do comodismo. Pensei-o, mas não o disse. Apenas deixei cair o desabafo no saco. Em saco roto. Foi este o meu pensamento. No entanto o Alecrim chegou para mim e para todos. Sabe, padre, queixam-se de barriga cheia. E repetiu. Queixam-se de barriga cheia. Cuide-se para não ir à cama também. Não corra muito. Faça só o que pode. E não dê importância a quem se queixa de barriga cheia. Quem nos dera que o nosso padre pudesse correr fosse a que hora fosse. Quando não tiverem, darão valor ao que tiveram. A barriga cheia fala mais que a barriga vazia.
O padre José, que está a oeste das minhas paróquias e que dista delas cerca de vinte quilómetros, foi operado. Os seus paroquianos há dias que não têm missa. Ele não pode. Os médicos e a recuperação não deixam.
Por isso, no Domingo passado, o senhor Alecrim, que é seu paroquiano, entrou pela sacristia de uma das minhas paróquias, uns minutos antes da eucaristia. Estávamos em amena reinação ou cavaqueira. Sorrisos e gargalhadas. Temos esta maneira de sustentar a boa disposição para nos dispormos com alegria a celebrar. O Alecrim já me conhece e cumprimentou-me. Contou do seu pároco. Recordámos o padre António. Veio a propósito falar da idade média avançada dos nossos padres. A maioria está acima dos setenta. Observámos que as paróquias do José e do António estão sem missa. O António ainda é novo. E às tantas deixei cair o desabafo para o saco. E ainda há por aí quem se queixe. Referia-me aos meus. Porque o horário da missa não é o que mais agrada. É cedo. É tarde. O padre foge, no final, para correr de uma missa para outra. E vem outra vez a missa vespertina. E uma Celebração da Palavra com o presbítero ausente.
Queixas com as razões do comodismo. Pensei-o, mas não o disse. Apenas deixei cair o desabafo no saco. Em saco roto. Foi este o meu pensamento. No entanto o Alecrim chegou para mim e para todos. Sabe, padre, queixam-se de barriga cheia. E repetiu. Queixam-se de barriga cheia. Cuide-se para não ir à cama também. Não corra muito. Faça só o que pode. E não dê importância a quem se queixa de barriga cheia. Quem nos dera que o nosso padre pudesse correr fosse a que hora fosse. Quando não tiverem, darão valor ao que tiveram. A barriga cheia fala mais que a barriga vazia.
sexta-feira, agosto 07, 2009
A comunhão do casamento
Era gente simples, a daquele casamento. Gente da terra. Gente tão simples que, às vezes, não sabe comportar-se. Gente que aparece pouco. Gente de casamentos, baptizados e funerais. Gente de ficar à porta de entrada para poder atender telemóvel ou falar com o vizinho. Gente que veste a melhor roupa nestas ocasiões porque a ocasião merece. Mas no fundo, uma camisa sem mangas e umas calças de ganga era mais o seu género. Gente que não tem grande mal. Pelo menos quero pensar assim. Mas que não tem consciência dos pequenos males que podemos cometer na vida com a nossa ingenuidade ou negligência. Digo tudo isto para tentar justificar o que se passou naquele casamento. Justificar nem que seja só à minha consciência.
Já não era a primeira vez que ouvia uma voz a fazer comentários durante a cerimónia. Não conseguia perceber as palavras. Mas percebia que não eram apropriadas. Fiz sinal com os olhos. Mas não devem ter sido vistos. Nem os olhos nem o sinal.
Chega a hora da comunhão, e como habitualmente, levo aos noivos a comunhão sob as duas espécies, o pão e o vinho. Entrego o cálice ao noivo e explico. Comunga. Passa-me o cálice, volta-se para trás, para o seu público, os convidados, e diz: É boa esta pinga. Desta vez os meus olhos foram mais sintomáticos. Ele sorriu, mas engasgado. Entretanto já a noiva estava a comungar, quando ouço, ou o pai ou o padrinho dele, que não dei bem conta. Devagar, não te engasgues. Não deve ter dado conta dos meus olhos. O pessoal, os convidados, o público, ria-se. Eu fazia esforço para não me irritar e para não me rir. Que confusão! Se calhar devia ter tomado outra atitude. Mas não consegui. Continuei a missa com normalidade. Só no final, no momento das assinaturas, expliquei aos noivos e aos padrinhos presentes, que não tinha sido muito correcto.
Mas enquanto assinavam, eu perguntava-me o que andávamos nós, padres, a fazer com sacramentos de circunstancia.
Já não era a primeira vez que ouvia uma voz a fazer comentários durante a cerimónia. Não conseguia perceber as palavras. Mas percebia que não eram apropriadas. Fiz sinal com os olhos. Mas não devem ter sido vistos. Nem os olhos nem o sinal.
Chega a hora da comunhão, e como habitualmente, levo aos noivos a comunhão sob as duas espécies, o pão e o vinho. Entrego o cálice ao noivo e explico. Comunga. Passa-me o cálice, volta-se para trás, para o seu público, os convidados, e diz: É boa esta pinga. Desta vez os meus olhos foram mais sintomáticos. Ele sorriu, mas engasgado. Entretanto já a noiva estava a comungar, quando ouço, ou o pai ou o padrinho dele, que não dei bem conta. Devagar, não te engasgues. Não deve ter dado conta dos meus olhos. O pessoal, os convidados, o público, ria-se. Eu fazia esforço para não me irritar e para não me rir. Que confusão! Se calhar devia ter tomado outra atitude. Mas não consegui. Continuei a missa com normalidade. Só no final, no momento das assinaturas, expliquei aos noivos e aos padrinhos presentes, que não tinha sido muito correcto.
Mas enquanto assinavam, eu perguntava-me o que andávamos nós, padres, a fazer com sacramentos de circunstancia.
quarta-feira, julho 22, 2009
Procissões cheias de gente
O António tem uma aversão às quatro paredes da Igreja. Digo eu. E ele diz que não é por mal. Que gosta muito de Nossa Senhora. São palavras dele. Mas não gosta de ir à missa. Quer-se dizer, não é por mal, repete. Mas não me puxa, padre. Até gosto de o ouvir nas suas palavras. Mas não me puxa. A minha São vai sempre. A Sarita, a minha neta, adora o senhor padre. É daqueles que vai todos os anos a Fátima e se gaba disso. Ó padre, este ano ainda não fui. Arranje-me lá lugar na camioneta. Houve um ano que foi a pé. Ó padre, o que me custou! Cheguei lá rotinho de todo. Mas Nossa senhora ajudou-me. Gosto muito de Nossa Senhora. Mas, ó senhor António, e então porque não há-de ir à missa? E lá volta a resposta. Não me puxa, padre. Já lhe disse. Não me puxa.
Já o tenho visto antes da missa, quando vou tomar um cafezinho rápido ao Central. Se for preciso paga-me o café. Ou eu a ele. Não é má pessoa. Mete-se nos copos, mas não incomoda ninguém.
E foi num desses dias que nos encontrámos no Central. Eu corria e bebia o café à pressa. Ele bebia o branquito traçado nas calmas. Eu lembrei. Olhe que a missa hoje é ao meio dia. Ó padre, já lhe disse. Interrompi-o para dizer Não lhe puxa, já sei. Estávamos na nossa conversa habitual do deve ir ou do fazia-lhe bem, ou do então não é amigo de Deus, quando, às tantas interrompe a dita conversa para me perguntar. É verdade, ó padre, hoje tem festa lá em cima, na anexa. Tenho. E a que horas é a procissão? É as três e meia. É boa hora. A ver se não falto, que eu não costumo falhar nenhuma das procissões das festas aqui à volta da terra.
Eu já estava de costas e a sair porta fora quando ele repetiu para o dono do café que não costumava falhar as procissões. Entrei no carro. Não tinha muito tempo para pensar porque estava com pressa de chegar cedo à primeira missa. Mas de facto, temos procissões cheias de gente que não costumamos ver na missa!
Já o tenho visto antes da missa, quando vou tomar um cafezinho rápido ao Central. Se for preciso paga-me o café. Ou eu a ele. Não é má pessoa. Mete-se nos copos, mas não incomoda ninguém.
E foi num desses dias que nos encontrámos no Central. Eu corria e bebia o café à pressa. Ele bebia o branquito traçado nas calmas. Eu lembrei. Olhe que a missa hoje é ao meio dia. Ó padre, já lhe disse. Interrompi-o para dizer Não lhe puxa, já sei. Estávamos na nossa conversa habitual do deve ir ou do fazia-lhe bem, ou do então não é amigo de Deus, quando, às tantas interrompe a dita conversa para me perguntar. É verdade, ó padre, hoje tem festa lá em cima, na anexa. Tenho. E a que horas é a procissão? É as três e meia. É boa hora. A ver se não falto, que eu não costumo falhar nenhuma das procissões das festas aqui à volta da terra.
Eu já estava de costas e a sair porta fora quando ele repetiu para o dono do café que não costumava falhar as procissões. Entrei no carro. Não tinha muito tempo para pensar porque estava com pressa de chegar cedo à primeira missa. Mas de facto, temos procissões cheias de gente que não costumamos ver na missa!
sábado, junho 06, 2009
A lente boa e a lente má
Esta é a história da lente que resistia a ler a Palavra de Deus e a história da lente solícita que, apesar de sozinha, não tinha medo de ler a Palavra de Deus. Eram as duas do António.
O António tem 65 anos e usa óculos. Pequeninos, bem ao jeito do nariz. Por azar da hora, os óculos andavam um pouco desconjuntados. Mas o sino tocara para a missa. Ainda teve tempo dos cumprimentos habituais na sacristia. Mostrou-me os óculos. Não os troco, que gosto muito deles. São especiais. Vou remendar o que houver para remendar. Quando ia voltar-me as costas, lembrei-me. Olhe, se não houver ninguém, vá ler a leitura. Acenou prontamente que sim. Chegada a hora, lá vai ele sorridente com os óculos na mão. Deita ambas mãos a cada uma das hastes dos óculos e dirige-os para cima do nariz. Porém, quando lá chegam, uma das lentes decide desistir. Cai. Espalha-se em frente ao ambão. O António olha para mim. Rimo-nos. E embora uma das lentes tenha desistido, o António nunca desiste. Se uma lente não quer ler, a outra há-de fazê-lo. E vai um par de óculos para cima do nariz apenas com uma lente. A leitura fez-se na mesma, por entre os sorrisos dos presentes, e o presidente da cerimónia demorou ainda bastante tempo a recompor-se. Raios partam as lentes, pensei. Ups. O que eu pensei! Pelo menos não se partiu a ingrata lente.
O António tem 65 anos e usa óculos. Pequeninos, bem ao jeito do nariz. Por azar da hora, os óculos andavam um pouco desconjuntados. Mas o sino tocara para a missa. Ainda teve tempo dos cumprimentos habituais na sacristia. Mostrou-me os óculos. Não os troco, que gosto muito deles. São especiais. Vou remendar o que houver para remendar. Quando ia voltar-me as costas, lembrei-me. Olhe, se não houver ninguém, vá ler a leitura. Acenou prontamente que sim. Chegada a hora, lá vai ele sorridente com os óculos na mão. Deita ambas mãos a cada uma das hastes dos óculos e dirige-os para cima do nariz. Porém, quando lá chegam, uma das lentes decide desistir. Cai. Espalha-se em frente ao ambão. O António olha para mim. Rimo-nos. E embora uma das lentes tenha desistido, o António nunca desiste. Se uma lente não quer ler, a outra há-de fazê-lo. E vai um par de óculos para cima do nariz apenas com uma lente. A leitura fez-se na mesma, por entre os sorrisos dos presentes, e o presidente da cerimónia demorou ainda bastante tempo a recompor-se. Raios partam as lentes, pensei. Ups. O que eu pensei! Pelo menos não se partiu a ingrata lente.
segunda-feira, junho 01, 2009
A música litúrgica
Aproveitou experimentar outra opinião, para justificar a dela. Lá na terra faz parte do grupo de jovens e cantam na missa. Tudo certinho e direitinho, porque o padre só gosta assim. Podemos dar notas ao lado, que o importante são os cânticos litúrgicos. Queríamos colocar guitarra. Grita impossível, e a gente sente o impossível bem no fundo de cada um de nós. Entretanto, quando há casamentos e nos pedem para os animar, a gente desforra-se um pouco. Até há uns dias atrás, em que ouvimos o que não queríamos. Estamos impedidos de cantar na missa. E agora diga-me o senhor o que havemos de fazer? Deixar de cantar? Deixar de ir à missa? Deixar de ser cristão? Na minha paróquia quem manda sou eu, disse. Eu não sabia que dizer, pois sou de opinião que a música litúrgica é aquela que se adapta à liturgia e não aquela que com sonoridades exclusivas e características, nos é proposto alindar a Eucaristia. Também não gosto de canções de ir à erva, um pouco apimbalhadas, imitações baratas de artistas conhecidos como os Abba ou por ai fora. Mas gosto de uma viola, de um bom ritmo, de uma canção que faça sorrir e faça festa, uma canção que incentive todos a cantarem. Para mim, a música litúrgica é aquela que acompanha, que sustenta a liturgia. Não pode ser um espectáculo, e deve servir para que toda a gente cante na assembleia. Recordo como o meu mestre no Seminário nos ensinava aqueles temas cheios de vozes e harmonias que ninguém cantava senão nós, e que depois dizia serem litúrgicos. Por tudo isto, pedi à jovem que encontrasse naquilo tudo um equilíbrio. Que falasse de novo com o pároco e que tentasse encontrar o tal equilíbrio juntos. Mas, ó padre, então eu para cantar a Deus não hei-de poder cantar com as minhas palavras e melodias? Sou obrigado a cantar o que não gosto? Então como posso gostar daquele a quem canto se não gosto do que canto?
quarta-feira, março 04, 2009
Olha que o senhor padre bate-te
O caricato surgiu no meio da celebração da Eucaristia. A criança não parava por nada. De um lado para o outro, desviava o olhar dos presentes para as coisas a que se agarrava. Círio. Ambão. Lampadário. Credencia. Cátedra. Vasos de flores. Candelabros. Todos estavam a ver a hora em que um deles fazia o estrondo de uma queda monumental. O avô, atrapalhado, de vez em quando ia buscá-la. Porém, não conseguia retê-la nem na mão nem no colo. O miúdo devia sentir-se algemado e esbracejava fazendo ainda mais escarcéu. Para evitar este, o avô largava-o. Informo que estas cenas decorriam a poucos metros de mim, o que me obrigava a atenções redobradas com a minha concentração. Por duas vezes lancei um olhar de carinho misturado com uma reprovação ou um dedo na boca para a criança. Não o fiz para o avô, que, merecendo-o embora pela falta de sensatez em assumir uma atitude – já não digo pela celebração, mas pelas coisas que se imaginavam cair de um momento para o outro -, estava mais atrapalhado que todos os presentes, sem saber que fazer. Esperei que algo sucedesse. Não gosto de intervir num papel que não seja propriamente meu. Esperei. Esperei. E do meio da assembleia surgiu a tia. Agarra-o a um metro de mim. Fica ali a olhar-me por cima das flores do altar. Pega-o ao colo com força. Força o seu rosto com a mão direita na minha direcção e diz. Está quieto e caladinho, senão olha que o senhor padre bate-te.
Não digo agora o que me apeteceu naquela hora fazer à tia. Mas sempre posso dizer que naquele dia aprendi porque é que as pessoas desde cedo começam a ter aversão pelos padres, e porque é que os rapazes desde cedo excluem a possibilidade de irem para padres.
Não digo agora o que me apeteceu naquela hora fazer à tia. Mas sempre posso dizer que naquele dia aprendi porque é que as pessoas desde cedo começam a ter aversão pelos padres, e porque é que os rapazes desde cedo excluem a possibilidade de irem para padres.
domingo, fevereiro 08, 2009
Estou?
Estou? Atende-se o telefone quase sempre com esta pergunta. Estou? Como se fosse uma pergunta para nós. E esperamos que a outra pessoa não responda à pergunta. Queremos que diga o que pretende. Ela diz também Estou? E ali ficamos a perguntar uns aos outros se estamos. E se acaso não ouvimos ninguém, repetimos Estou, sim? até ouvirmos do outro lado a mesma repetição Estou? Nunca havia pensado desta forma, mas olhando agora para a pergunta, não será que o fazemos para tentar perceber onde estamos! Com quem estamos! Se estamos presentes ou ausentes? Se somos nós que falamos ou se é alguém que fala do outro lado da linha por nós! Se estamos vivos e a viver ali!
Há dias aconteceu assim na igreja. Não foi por mal. A pessoa não tem essa maldade dentro de si. Dartacão dartacão. O telemóvel tocou a primeira vez durante a homilia, e saiu disparado porta fora. Como saiu dos primeiros bancos, quase todos os olhos dentro da igreja o seguiram, inclusive os meus. Da porta entreaberta três vezes se ouviu Estou? Mas depois voltou. Com certeza não estava. Perto do final da missa, a mesma melodia se ouviu. Dartacão dartacão. O senhor é pessoa para não saber desligar o telemóvel. Alguns colegas acham oportuno colocar um desenho de um telemóvel com uma cruz por cima, à porta da Igreja. Eu costumo pensar que o comum das pessoas sabe que há ocasiões em que o telemóvel deve estar desligado ou em silêncio. Mas aquele senhor é do grupo de pessoas que não faz por mal. Usa o telemóvel porque toda a gente usa. Porque é preciso usar. E isso não significa que toda a gente saiba usar. Vai daí, e porque já estava cansado de sair da Igreja, atendeu logo ali. Estou? Se até àquela ocasião, os olhos só procuravam o senhor, agora os olhos dentro da igreja riam e murmuravam. Eu ri e abanei a cabeça. Mais em sinal de estupefacção do que desaprovação. Estava sentado, ainda na acção de graças. Por isso, tive oportunidade de pensar na pergunta que o homem do telemóvel fizera. Será que quando estamos na Igreja, estamos mesmo?
Há dias aconteceu assim na igreja. Não foi por mal. A pessoa não tem essa maldade dentro de si. Dartacão dartacão. O telemóvel tocou a primeira vez durante a homilia, e saiu disparado porta fora. Como saiu dos primeiros bancos, quase todos os olhos dentro da igreja o seguiram, inclusive os meus. Da porta entreaberta três vezes se ouviu Estou? Mas depois voltou. Com certeza não estava. Perto do final da missa, a mesma melodia se ouviu. Dartacão dartacão. O senhor é pessoa para não saber desligar o telemóvel. Alguns colegas acham oportuno colocar um desenho de um telemóvel com uma cruz por cima, à porta da Igreja. Eu costumo pensar que o comum das pessoas sabe que há ocasiões em que o telemóvel deve estar desligado ou em silêncio. Mas aquele senhor é do grupo de pessoas que não faz por mal. Usa o telemóvel porque toda a gente usa. Porque é preciso usar. E isso não significa que toda a gente saiba usar. Vai daí, e porque já estava cansado de sair da Igreja, atendeu logo ali. Estou? Se até àquela ocasião, os olhos só procuravam o senhor, agora os olhos dentro da igreja riam e murmuravam. Eu ri e abanei a cabeça. Mais em sinal de estupefacção do que desaprovação. Estava sentado, ainda na acção de graças. Por isso, tive oportunidade de pensar na pergunta que o homem do telemóvel fizera. Será que quando estamos na Igreja, estamos mesmo?
quarta-feira, abril 09, 2008
a senhora vai à missa
Doente, a senhora Ascensão, não pode caminhar por seus pés. Estes não ajudam a transportar o peso da vida, da idade, da doença, das dores. Antes era capaz de fazer quilómetros para se encontrar com o Senhor na Eucaristia. Em muitos anos não me lembro de faltar à missa de Domingo, senhor padre. Mas agora só vou quando a minha filha me leva de carro. Ela mora longe. Não vai sempre. Não me visita sempre. Não pode sempre. E aqui, como é uma anexa, passam-se várias semanas sem missa. Sabe, já não há padres que cheguem para as encomendas. A paróquia fica a três quilómetros. Não consigo. As pernas não ajudam, as malvadas. Sorria e olhava para elas. Inchadas. Rosadas. Mas olhe que eu vejo a missa na televisão. Interrompi-a para dizer que fazia bem. O importante era o coração que estava disponível para celebrar o dia do Senhor. Que às vezes se podia ir à missa sem celebrar a Eucaristia e sem celebrar o dia do Senhor. Interrompeu-me ela o raciocínio para acrescentar. Mas olhe que faço tudo como se lá estivesse. Levanto-me e sento-me. Ajoelho-me. Respondo. Será que faço bem?
E nesse momento lembrei aqueloutras que me contavam que viam a missa enquanto cozinhavam ou arrumavam a casa. E pensei: faz bem melhor que aqueles que ouvem a missa enquanto fazem outras coisas. Por isso repeti com mais força. O importante é o coração disponível para celebrar o dia do Senhor. A Ascensão celebra com mais verdade que muitos que vão à missa. Saiba que nesta dor de sofrer e de não poder ir à missa, a senhora vai à missa.
E nesse momento lembrei aqueloutras que me contavam que viam a missa enquanto cozinhavam ou arrumavam a casa. E pensei: faz bem melhor que aqueles que ouvem a missa enquanto fazem outras coisas. Por isso repeti com mais força. O importante é o coração disponível para celebrar o dia do Senhor. A Ascensão celebra com mais verdade que muitos que vão à missa. Saiba que nesta dor de sofrer e de não poder ir à missa, a senhora vai à missa.
sexta-feira, março 14, 2008
Os Paulitos de hoje
O Paulito tem 11 anos. É brincalhão e extrovertido quanto baste. Tem bons pais. Não faltam à missa. Levam os filhos consigo. Coisas que rareiam cada vez mais. Famílias que rareiam. Descobri há dias que para grande parte das crianças, mesmo as que frequentam a catequese, daquelas que andam entre os 7 e os 10 anos, faltar à missa não é pecado. Vão quando vão. Vão quando os pais levam. Vão quando a avó leva. Nunca vão sozinhas. Por isso não têm que decidir. Se não decidem, não têm que distinguir se é importante ir ou não. Não são responsáveis. Porque os pais também não vão, embora as mandem à catequese. E têm alguma razão, ainda que pequena, em não sentir como seu o pecado. De alguém com capacidade de decidir será.
Mas o Paulito não falta. Porque os pais não faltam. E é reguila o Paulo. Está sempre disposto a brincar. Qualquer pessoa na terra opina que ele não é envergonhado. Que é despachado.
Há dias a mãe pediu-lhe que fosse confessar-se. E em resposta, ouviu uma enxurrada de argumentos. Para quê, mãe? É sempre a mesma coisa. Não me sinto à vontade. Vês lá os meus colegas? E que as pessoas olhavam. Que nem tinha pecados, pelos menos os grandes.
Quando a mãe ouviu dizer que não tinha pecados, insistiu com outra ideia, e foi dizendo que se não tinha pecados, devia comungar. Porque não o fazia? É que a comunhão era a partilha de Deus connosco. E que era um benefício comungar. E sobretudo que ela gostava muito de o ver comungar. É boa senhora. É de Deus. E não se impõe. Muito menos a fé. Mas incita o filho. Os filhos. Os que ama.
E o filho respondeu: Quantos da minha idade vês ir comungar, mãe? Eu envergonho-me de ir pelo corredor da Igreja fora e toda a gente a olhar para mim.
Não é moderno comungar ou ir à missa. Não está na moda. É como aquelas calças de marca que se não uso não sou ninguém. Não posso deixar de ser como os outros são, porque eles são a sociedade e a lei. Porque o mais importante é o que parece e não o que é. Porque Deus me faz envergonhar. Porque ser cristão hoje é um bocado chato. Porque na minha idade não é normal. Isso é dos velhos. Deus é para os velhos e acabados, ou a acabar. Porque hei-de ser diferente se isso até me faz envergonhar?
Mas o Paulito não falta. Porque os pais não faltam. E é reguila o Paulo. Está sempre disposto a brincar. Qualquer pessoa na terra opina que ele não é envergonhado. Que é despachado.
Há dias a mãe pediu-lhe que fosse confessar-se. E em resposta, ouviu uma enxurrada de argumentos. Para quê, mãe? É sempre a mesma coisa. Não me sinto à vontade. Vês lá os meus colegas? E que as pessoas olhavam. Que nem tinha pecados, pelos menos os grandes.
Quando a mãe ouviu dizer que não tinha pecados, insistiu com outra ideia, e foi dizendo que se não tinha pecados, devia comungar. Porque não o fazia? É que a comunhão era a partilha de Deus connosco. E que era um benefício comungar. E sobretudo que ela gostava muito de o ver comungar. É boa senhora. É de Deus. E não se impõe. Muito menos a fé. Mas incita o filho. Os filhos. Os que ama.
E o filho respondeu: Quantos da minha idade vês ir comungar, mãe? Eu envergonho-me de ir pelo corredor da Igreja fora e toda a gente a olhar para mim.
Não é moderno comungar ou ir à missa. Não está na moda. É como aquelas calças de marca que se não uso não sou ninguém. Não posso deixar de ser como os outros são, porque eles são a sociedade e a lei. Porque o mais importante é o que parece e não o que é. Porque Deus me faz envergonhar. Porque ser cristão hoje é um bocado chato. Porque na minha idade não é normal. Isso é dos velhos. Deus é para os velhos e acabados, ou a acabar. Porque hei-de ser diferente se isso até me faz envergonhar?
quinta-feira, janeiro 24, 2008
Mais uma razão para me dar razão
Ainda se contam pelos dedos, mas já quase não me sobram para contar o número de anos em que estou nestas paragens. E recordo que logo nos primeiros tempos fiz uma estudada reflexão para explicar que se tornava muito simbólica a comunhão pela própria mão, e que essa razão ainda era mais importante que a higiene do acto. Não tenho qualquer pejo em dar a comungar directamente na boca, embora em muitas ocasiões os dedos sejam humedecidos pelas línguas respectivas e seja difícil concertar a distribuição com a recepção. Porém, convenhamos que comungar com o esforço próprio tem o seu significado. Não esperamos apenas que Deus venha ter connosco. Igualmente o acolhemos para o podermos contemplar mais de perto, para podermos tratá-lo com carinho. São apenas razões. O importante é mesmo a comunhão. Nem se trata de um modernismo. Ainda há tempos, na Alemanha, me lembro de me colocarem nas mãos um panfleto que abominava quem comungasse de outra forma que não directamente na língua. A falta de tolerância e a forma como condenavam quem fizesse o contrário só veio dar mais razão às minhas razões.
Avancemos. Apesar da minha explicação, muitos dos meus paroquianos continuam a comungar directamente na boca, e eu respeito. Obviamente. E falo nisto porque há dias aconteceu-me o inusitado. Uma senhora ia morrendo afogada ou abafada com a comunhão. Explico. Como nem toda a gente abre convenientemente a boca e estende a língua, por vezes torna-se quase impossível que a comunhão não tenha atropelos. Vai daí que a referida senhora não abre a boca como deve ser, deixa a língua atrás da placa dos dentes, a hóstia toca nos emprestados dentes, estes deslocam-se, desencaixam, e a senhora, aflita, engasga-se durante uns bons segundos, avermelha, aflige ao seu redor, aflige-me a mim, aflige Deus, até conseguir colocar tudo no devido lugar e voltar também ao seu. Parece uma anedota, mas não é.
É mais uma razão para me dar razão.
Avancemos. Apesar da minha explicação, muitos dos meus paroquianos continuam a comungar directamente na boca, e eu respeito. Obviamente. E falo nisto porque há dias aconteceu-me o inusitado. Uma senhora ia morrendo afogada ou abafada com a comunhão. Explico. Como nem toda a gente abre convenientemente a boca e estende a língua, por vezes torna-se quase impossível que a comunhão não tenha atropelos. Vai daí que a referida senhora não abre a boca como deve ser, deixa a língua atrás da placa dos dentes, a hóstia toca nos emprestados dentes, estes deslocam-se, desencaixam, e a senhora, aflita, engasga-se durante uns bons segundos, avermelha, aflige ao seu redor, aflige-me a mim, aflige Deus, até conseguir colocar tudo no devido lugar e voltar também ao seu. Parece uma anedota, mas não é.
É mais uma razão para me dar razão.
segunda-feira, janeiro 14, 2008
A pastilha
Crismada há uns dias e catequista e boa rapariga, participativa, interessada, coralista, esta jovem de uns 16 anos não falta à missa. Os seus sorrisos fazem-se notar habitualmente, ou por alegria interior ou por alegria exterior. Sente-se e vê-se. Mas no outro dia excedeu-se um pouco. Os nossos cristãos têm destas coisas. Mascava e mascava. Quase toda a Eucaristia a mascar. No início eu pensei que fosse um mentolito ou coisa do género. Mas a demora em se desfazer começou a distrair-me. Não digo que fosse sua a culpa. Ninguém me mandou olhar para as suas bochechas no vai e vem. Começou a perturbar-me. Começou a inquietar-me. Começou a repugnar-me, sobretudo porque me parecia ser uma cristã com alguma formação. Dez anos de catequese, formação de catequistas, boa aluna, criativa.
Mas tudo isto não passaria de um incómodo se não houvesse distribuição da comunhão durante esta eucaristia. Pois, porque ela saiu do seu banco para comungar, eu não me achei dono da sua comunhão, da sua intenção e do julgamento divino, e por isso, quando ela abriu a boca para comungar e não avistei a pastilha, acabei por lhe colocar a hóstia consagrada na língua. Entristeci-me.
Ao acabar a eucaristia estava murcho por dentro e por fora. Ainda falei com ela, expliquei, re-ensinei, mostrei o meu desapreço e, embora saiba que Deus tem coisas mais importantes com que se preocupar, achei que aquela atitude não era própria de quem sabia a etiqueta e dignidade de Deus.
Voltei para casa a pensar nos dias de hoje em que os nossos cristãos com facilidade facilitam: comungam em pecado, comungam sem preocupar-se com o jejum aconselhado, comungam sem dar valor ao que comungam. Ou então não comungam sem motivo aparente para não comungar.
Mas tudo isto não passaria de um incómodo se não houvesse distribuição da comunhão durante esta eucaristia. Pois, porque ela saiu do seu banco para comungar, eu não me achei dono da sua comunhão, da sua intenção e do julgamento divino, e por isso, quando ela abriu a boca para comungar e não avistei a pastilha, acabei por lhe colocar a hóstia consagrada na língua. Entristeci-me.
Ao acabar a eucaristia estava murcho por dentro e por fora. Ainda falei com ela, expliquei, re-ensinei, mostrei o meu desapreço e, embora saiba que Deus tem coisas mais importantes com que se preocupar, achei que aquela atitude não era própria de quem sabia a etiqueta e dignidade de Deus.
Voltei para casa a pensar nos dias de hoje em que os nossos cristãos com facilidade facilitam: comungam em pecado, comungam sem preocupar-se com o jejum aconselhado, comungam sem dar valor ao que comungam. Ou então não comungam sem motivo aparente para não comungar.
quinta-feira, abril 06, 2006
Sabe o que é que ela me fez, padre?
Sentou-se ao meu lado, bem juntinha. Ainda me assustei. Não fossem os seus muitos anos e ficava intrigado. Mas não. Era por causa do segredo. Começou por ali fora a desfiar as maleitas. E que estava danada com a vizinha, aquela bruxa, dizia. Não lhe falava. Não podia. E falava, falava, falava. Justificava sobretudo. Não dava muita hipótese de a interromper. Tinha-me ouvido na homilia afirmar a importância do perdão, o exemplo do setenta vezes sete de Jesus. Infinitamente. Mas não podia. Só se fosse estúpida. No meio de tanta palavra, consegui dizer-lhe: uma coisa é a confiança, outra o perdão. Se acha que não merece a sua confiança, que abusa dela, então deve ter alguns cuidados. Que Deus não nos quer burros. Mas que o perdão é diferente. Que é algo de dentro. Que é amar mesmo os inimigos ou aqueles que nos fazem sofrer. E que é importante para estarmos em paz. Que o que perdoa é quem usufrui mais do perdão. Mas o senhor não sabe. E continuou a desenrolar uma série de questões ligadas a terrenos, a bens, a palavras, a pragas, a ditos, a coisas que a outra lhe contou, a Santora, que essa é muito amiga dela. E contou-me que ela disse isto. Eu já não sabia que dizer mais. A sua insistência era maior que a minha, a minha que, suponho, era a de Deus. Até que me deixou pasmo. Sabe o que ela me fez, padre? À hora em que o senhor eleva a sagrada hóstia lá em cima no altar… ela roga-me pragas. Pede a Deus que me aconteça muito mal. Perguntei: Como? Sim. Pede a Deus que me sequem os terrenos, e que me venha para cima uma doença de morte. Penso que até pediu que fosse o cancro.
Eu não resisti a mandar uma gargalhada. Primeiro uma que não é capaz de perdoar. Até pode ter razões. Mas Deus também as tem quando nos fala da importância de perdoar. Outra, pior ainda, usa o sacramento, a hora sagrada da consagração, para pedir a Deus o mal. Como se Deus usasse das Suas forças para o mal. Como vai por ai fora a nossa fé!! A minha gargalhada, acreditem, era irónica. Mas também a de quem já não sabe o que pensar desta gente. De quem já não sabe como Deus pode ter tanta paciência!
Eu não resisti a mandar uma gargalhada. Primeiro uma que não é capaz de perdoar. Até pode ter razões. Mas Deus também as tem quando nos fala da importância de perdoar. Outra, pior ainda, usa o sacramento, a hora sagrada da consagração, para pedir a Deus o mal. Como se Deus usasse das Suas forças para o mal. Como vai por ai fora a nossa fé!! A minha gargalhada, acreditem, era irónica. Mas também a de quem já não sabe o que pensar desta gente. De quem já não sabe como Deus pode ter tanta paciência!
A propósito, qual das duas Deus ouvirá com mais atenção?!... porque Ele ouve toda gente!...
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