Depois de ler as vossas opiniões, e adicionar-lhe a minha opinião, vamos colocar à votação os textos/prosa que parecem os melhores 10 do ano 2016, para, através da sondagem afixada, podermos apurar os melhores três. Se quiseres lê-los de novo, como é habitual, tens o link respectivo abaixo da sondagem. Também podes justificar as tuas opções.
Apresentamos ainda os resultados da sondagem que apurou os melhores textos de 2017 com a vossa ajuda.quarta-feira, abril 04, 2018
sábado, março 31, 2018
Amontoado de cruzes
Ontem, quando vinha da cerimónia da tarde, a tarde de sexta-feira santa, tropecei num pequeno pedaço de madeira em forma de cruz. Deve ter sido alguma criança da catequese ou algum dos que fazem parte da encenação da via-sacra que o deixaram cair. Na verdade, apesar de quase ter caído, não foi bem um tropeção. Foi mais um pontapé. Sim, sem querer dei-lhe um pontapé que atirou aquele pedaço de madeira para longe. Olhei-o como se fosse uma pedra preciosa e recolhi-o no bolso. Depois levei-o comigo, para casa, afim de poder perguntar a quem pertencia. Mas ao subir as dezenas de escadas para o local onde moro, o bolso pesava-me. Pensei que eram as chaves, mas depois de as meter na ranhura da fechadura, o peso continuava o mesmo. Só podia ser a cruz que encontrara na rua, que atirara para longe e que recolhera de novo. Chegado ao meu quarto, pousei-a em cima da cama. Vou dormir sobre ela. É que nesta Quaresma e nesta Semana Santa tenho encontrado cruzes por todo o lado, de vários feitios, pesos, medidas, e materiais. Tenho-as amontado na cama. Vou adormecer para acordar com elas, e amanhã vou celebrar o Senhor que está vivo para me carregar estas cruzes.
Uma Santa Páscoa, com os olhos na Ressurreição, para todos
sábado, março 24, 2018
rever Confessionário Dum Padre em 2016
Como informámos, propomos agora que se faça uma selecção dos textos/prosa publicado em 2016. Recordamos que é uma forma de revermos textos, pensarmos de novo, e ajudarmos este autor do blogue a verificar caminhos. O que se pede é que, para já, indiquem os textos que consideram como os melhores, os mais tocantes ou interessantes. Indiquem nos comentários o título ou títulos dos vossos preferidos. Posteriormente, colocaremos os melhores a votação. Como nas outras ocasiões, tenciono posteriormente colocar os melhores à votação.
Agradeço, desde já, a colaboração.
Nota que os poemas não entram nesta sondagem.
Quem quiser dar uma espreitadela aos "best post" de 2012, 2013, 2014 e 2017 clique AQUI
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Janeiro
Fevereiro
Deus resolve-nos a vida
A pequena Sónia e a sua mãe doente, em Fátima
Os ruídos e silêncios da missa
Março
Falou-lhe na comunhão espiritual
Sair da ideologia do sistema
Abril
Tanto e tão pouco
As partilhas da D. Amélia
Não estar agarrado ao meu sacerdócio
Maio
Uma conversa de acolhimento e imposições
O senhor padre está aqui para servir
Junho
A justiça de Deus
Julho
Baptismos ajeitados
Pobres de rua
Não quero as tuas cruzes
Agosto
O padre tem de saber perdoar
Atentados ou sublimados
Setembro
José, de personagem secundária a modelo principal
Padres habituados a ser clericais
cancro da mãe à porta
Padres que não sabem que caminham
Outubro
Os filhos que às vezes são esquecidos
Nós e vós
Novembro
Perder o que se não tem
Padre com fé
Como serão os funerais quando não houver padres?
Dezembro
A Igreja que se tinha de afastar do mundo
Encostadas ao meu peito
sábado, março 17, 2018
Sabemos pouco da vida
Sabemos muito pouco da vida. O destino precede-nos como a sombra que caminha à nossa frente. O mundo domina-nos. Não somos nem o seu dono nem o patrão que lhe paga o salário. Somos o seu empregado. Dizemos que nos entregamos nas mãos de Deus, mas não lhe conhecemos o tamanho, a cor, as rugas, os calos e o calor que delas imana. Dizemo-lo porque a vida nos ultrapassa e não sabemos como a dominar. Vamos vivendo como se não morrêssemos. Como se estar aqui fosse habitar uma selva onde se sobrevive a pensar na hora em que somos apanhados numa armadilha.
E alguém é capaz de perguntar se também os padres não sabem da vida quando têm uma ligação especial ao outro lado da vida. Não sei se têm ou não uma ligação especial com esse lado. Se têm explicações da fé para a vida. Apenas posso falar por mim. O que me parece é que pouco perguntamos da vida e pouco sabemos dela. Vivemos. Uns de forma mais consciente ou consistente, e outros vão andando sem saber porquê. Pessoalmente gostava de entrar nas entranhas mais profundas de Deus para perceber esse porquê. Para entender o que não entendo da vida. Também eu me entrego nas suas mãos. Mas preferia entregar-me ao seu coração.
sexta-feira, março 16, 2018
quarta-feira, março 14, 2018
Plantar pessoas [poema 179]
Pensa o mundo como chão
Caído entre as várzeas do caminho
Planta aí teu corpo, o teu ser
Adormece pela manhã que já acordou
E nasce no meio do giestal
Deixa que a estrada te percorra
Encarnada, a sangrar por ti
É tudo muito estranho visto daqui
Amanha é tempo de plantar pessoas
Caído entre as várzeas do caminho
Planta aí teu corpo, o teu ser
Adormece pela manhã que já acordou
E nasce no meio do giestal
Deixa que a estrada te percorra
Encarnada, a sangrar por ti
É tudo muito estranho visto daqui
Amanha é tempo de plantar pessoas
terça-feira, março 13, 2018
salmos [poema 178]
Entrei aos solavancos pelo meio das palavras
Mais por dentro delas que entre elas, não sei
Mais como quem navega sem pousar na água
E não como quem nada como peixe debaixo dela,
É dessa água que falo e que fala e que bebo
Porque dá vida e me tira a vida porque me afoga
Entrei nuns versos que são salmos
Numa língua que não conheço mas sei,
Entrei numa Palavra que é alguém
Que quero conhecer e não sei se sei
Vou continuar a entrar como se amanhã não fosse
Mais do que a hora em que estou contigo em ti
Mais por dentro delas que entre elas, não sei
Mais como quem navega sem pousar na água
E não como quem nada como peixe debaixo dela,
É dessa água que falo e que fala e que bebo
Porque dá vida e me tira a vida porque me afoga
Entrei nuns versos que são salmos
Numa língua que não conheço mas sei,
Entrei numa Palavra que é alguém
Que quero conhecer e não sei se sei
Vou continuar a entrar como se amanhã não fosse
Mais do que a hora em que estou contigo em ti
segunda-feira, março 12, 2018
uma casa entre outras [poema 177]
Gosto da casa entre as ruínas
Da casa, sem paredes, entre o silvado
Ou matas queimadas,
De uma casa com escadas
sem beirado
Em granito antigo ou madeira gasta
Envolta por janelas abertas, desmontadas
Casa que o tempo leva,
carrega e traz
Para a frente e para trás
Gosto de ser casa que se constrói
Entre aquilo que não se sabe, e até dói
Mas que é casa que não mora
sozinha
É esta casa que sou eu
e é minha
Da casa, sem paredes, entre o silvado
Ou matas queimadas,
De uma casa com escadas
sem beirado
Em granito antigo ou madeira gasta
Envolta por janelas abertas, desmontadas
Casa que o tempo leva,
carrega e traz
Para a frente e para trás
Gosto de ser casa que se constrói
Entre aquilo que não se sabe, e até dói
Mas que é casa que não mora
sozinha
É esta casa que sou eu
e é minha
domingo, março 11, 2018
Ahav e Hatikvah [poema 176]
Vou em breve ter ao mar
Vou-te ver, tens de esperar.
Buscar-te-ei, minha fada
Pelas ondas do chorar,
Numa lágrima salgada,
Por detrás do seu luar
Irei como se não existisse
Mais lágrima onde atracar
Vou-te ver, tens de esperar.
Buscar-te-ei, minha fada
Pelas ondas do chorar,
Numa lágrima salgada,
Por detrás do seu luar
Irei como se não existisse
Mais lágrima onde atracar
sábado, março 10, 2018
ela [poema 175]
Cadeia sem ferros, sem força
Que não seja a de sangue a jorrar
Passa por ti e alguém pergunta quem é?
Ela é quem me sou, a mãe.
Que não seja a de sangue a jorrar
Passa por ti e alguém pergunta quem é?
Ela é quem me sou, a mãe.
a minha homenagem atrasada à mulher da minha vida
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