Estava saturado de estar saturado. Estava com os paroquianos, mas desejava logo a seguir estar em casa. Fechado ou pelo menos que não entrasse ninguém com facilidade. Que pudesse sair de vez em quando, de preferência para longe e sozinho. Dizia que ainda conseguia sorrir para as pessoas quando estas lhe causavam um transtorno que, na maioria das vezes, para ele constituía um problema. Perguntei como conseguia e ele respondeu-me que era sincero. Que se esforçava por amar a pessoa e não o que ela estava a dizer. Sorria por fora, e para dentro usava os dentes quase cerrados do sorriso para premir com força e relaxar os nervos. Perguntei-lhe porquê e respondeu-me que não sabia. Perguntei-lhe se não tinha amigos, e respondeu-me que sim. Mas que ultimamente, mesmo quando estava com eles desejava chegar a casa rápido porque tinha o não sei quê para fazer. Se estivesse com eles em casa, fazia um esforço enorme para estar acordado contando piadas. Mas não gostas deles? insisti. Gosto imenso. Que seria de mim sem eles! Perguntei-lhe se andava cansado e respondeu-me que não. Que estava apenas saturado. Mas depois lembrou que quase todos os dias ainda antes de jantar já se encontrava com sono.
A conversa ocorreu ao telefone e desliguei para falar pessoalmente com o padre Y. É um pouco mais novo que eu. Não sei como vou entrar em sua casa. Mas estas conversas são de casa e não de rua ou fios de telefone.
Porém ao virar costas lembrei o que há dias dizia a umas senhoras da paróquia. Às vezes apetece-me adoecer para passar umas férias no hospital. Ao menos nessa ocasião as pessoas aprenderiam a viver com aquilo que se pode e não com aquilo que gostam de ter ou da forma como gostam de ter.
A conversa ocorreu ao telefone e desliguei para falar pessoalmente com o padre Y. É um pouco mais novo que eu. Não sei como vou entrar em sua casa. Mas estas conversas são de casa e não de rua ou fios de telefone.
Porém ao virar costas lembrei o que há dias dizia a umas senhoras da paróquia. Às vezes apetece-me adoecer para passar umas férias no hospital. Ao menos nessa ocasião as pessoas aprenderiam a viver com aquilo que se pode e não com aquilo que gostam de ter ou da forma como gostam de ter.