sábado, janeiro 17, 2009

A homilia da Paula

O homem sobe para o ambão e começa num berreiro contra o pessoal. Deu lenha o tempo todo. Foi chapada velha, pontapés e chutos a torto e a direito. E vai daí, durante meia hora não teve uma única palavra de afecto. O tipo deve ter entrado no Seminário por frustração. Não viveu com pessoas. Não deve ter conseguido ver que à volta dele há pessoas independentemente dos seus pecados. Cruo. Não percebe que muitas daquelas pessoas que vão à igreja vão porque provavelmente todos sofrem e não interessa com o quê ou porquê. Simplesmente sofrem ou no mínimo estão à procura de algo. Aquele tipo é um triste coitado, que não percebeu nada do que andou a estudar. Berrou, berrou. Vós vindes à missa pedir para vós e não Lhes agradeceis as graças que Ela vos dá. Adorais Maria e esqueceis-vos que a figura principal é Deus nas suas três formas. Vindes à igreja quando precisais e depois tudo cai no esquecimento. Etc e etc, padre. O tipo é louco, nem imagina. Berrava de dedo em riste. Vós pensais que Maria é uma extraterrestre, mas não é! Vós podeis ser como ela. Uma mulher que se entregou, confiou. Uma mulher casta, livre de pecado. Ó padre, só faltou dizer que éramos todas um bando de putas. Uma tristeza. Até o rosto dele só espelhava tristeza. Nunca abriu a boca senão para berrar. Por isso nunca mostrou um sorriso. E repetia a treta da extraterrestre. Nunca mais vou àquela missa. Parecia um peixeiro a vender o seu peixe. Não vou não.
Ouvi e ouvi. Também ela se repetia insistentemente. Mas não berrava. Eu bem sabia que assim era. Ainda há dias numa sondagem verificávamos que as homilias têm sido descuidadas por muitos padres. Mas eu tinha de ensinar à Paula que a missa não é o padre e que a homilia é a mensagem de Deus actualizada. Se calhar ia usar a oportunidade errada. Mas não resisti e fui dizendo. Não devemos nunca confundir a mensagem com o mensageiro. Trata-se de uma voz. Nada mais. Uma voz entre outras. Aliás, a voz é um conjunto de sons que servem para comunicar uma mensagem. Sabes o que sucede depois à voz? Desaparece. Só fica mesmo a mensagem. O mensageiro pode ser rasca, deixar-nos à rasca, mas a mensagem será sempre uma Boa Notícia se for a mensagem do Evangelho. A mensagem será sempre a mesma. O resto pode variar. Isto serve para perceberes que a mensagem é que importa e que os que a transmitem são menos importantes. Aliás, isto também serve para nós, os mensageiros, percebermos que não devemos ter veleidades nem nos confundirmos com a mensagem ou a distorcermos. Eu falava, falava. Não berrava, não. E pensava que lhe estava a ensinar algo importante. De facto estava. Mas ela interrompeu-me para dizer. Ora aí está. O mensageiro não deve distorcer a mensagem.

terça-feira, janeiro 13, 2009

Hoje foi daqueles dias

Venho aqui para me confessar. Não há padre. Numa linha de não sei quantos quilómetros só existe um padre. Eu. Não há ninguém para me ouvir. Só Deus me escuta. Só eu me escuto. Entro de mansinho. Não me sento na cadeira normal, mas no canto direito do confessionário. Acocorado. As mãos a segurar a cabeça. Não chegam para envolver os pensamentos. É um daqueles dias em que vou às compras e me telefonam quando estou para pagar. Faço a menina esperar. Ela sorri. Os que estão depois de mim acenam com a cabeça para a direita e para a esquerda. Sim. Diz. Onde estás. No Modelo. Que fazes? Compras. Tas a ver! Se tivesses esposa, agora ela estava aí contigo a fazer as compras lá para casa e para os miúdos. Não estavas sozinho. E ri-se, a brincar. Eu não. Decido desligar com a desculpa que estão muitos à espera a acenar para a direita e para a esquerda. São vários os casais. Pago. Fico no carro a olhar alguns minutos para o volante. Foi assim que escolhi. Fazer compras sozinho. E rezo sozinho na esperança de que estejam mais a rezar. Na esperança de que não esteja sozinho. Viajo sozinho até casa e entro sozinho. Arrumo as compras sozinho. Sento-me sozinho. Depois ajoelho-me cansado no chão frio e…rezo acompanhado!

sexta-feira, janeiro 09, 2009

O céu e o inferno, parte III


A reunião demorou muito mais que o previsto. Quando eu esperava que o resto dos presentes virassem olhares e caras, cruzassem as pernas duas e três vezes ora para um lado ora para outro, abrissem a boca por detrás da cova da mão, fizessem ruídos da forma como pudessem, afinal o silêncio recortava-se apenas pela minha voz e pela do pai do Diogo. Ora um ora outro. Reconheço que a minha se fazia ouvir mais. Não porque eu berrasse, mas porque demorava mais tempo e usava mais palavras. Geralmente as respostas são mais longas que as perguntas quando as perguntas são perguntas de vida. Quando são apenas de coisas supérfluas, pode bastar um sim, um não ou um talvez.
Mas porque é que uns vão para o céu e outros não? Qual o critério de Deus?
O problema está em pensarmos Deus como um juiz à maneira humana. Ele não julga, premiando ou castigando. Ele acolhe quem O quer e acolhe de maneira diferente quem não O quer. Por isso o céu e o inferno não são negociáveis. Deus deixa-nos livres nas nossas opções. Se O abandonarmos, se prescindirmos Dele, se nos afastarmos Dele, Ele não impedirá que o façamos. Deus criou-nos livres. Ele não te abandonou nem abandona. Ele deixa que decidas se O queres amar. Fazem assim os pais verdadeiros. Ele é pai verdadeiro. Se o abandonaste, terás de viver com esse abandono. Depois é uma questão de sentires ou não sentires o Seu amor. Isso será a forma de se ter céu ou inferno.

domingo, janeiro 04, 2009

O QDP da Nanda

E isto e aquilo e aqueloutro. A Nanda falava das suas maleitas e dores. Queixava-se da dor que tinha no braço, das pernas que não andavam como dantes, dos olhos que não viam e estavam sempre cheios de remela. E agora veja que me morreram duas ovelhas. Foram atropeladas. Então como foi isso, ti Nanda? Já sabe que aquela estrada é perigosa. Deviam fazer estradas para as ovelhas. Mas não. Não fazem. Os animais não podem competir com os carros. Ela não dizia assim, mas eu entretinha-me a pensar assim.
Eu ficara para trás. Sabe, as pernas já não ajudam. Aquelas malucas iam na frente do rebanho. Veio um gajo meio lançado, num carro vermelho, elas estavam distraídas, as burras, quer dizer, as ovelhas, e zumba, catrapuz, e eu a vê-las voar sem poder fazer nada. Se ao menos eu soubesse voar para as apanhar no ar. Mesmo assim, elas já deviam tar mais para lá que para cá. E foi assim, padre. Já viu a minha desgraça? Não tenho sorte nenhuma com a vida. Só a mim. A Nanda tinha este condão de se queixar constantemente, com motivo e sem motivo, com vontade e sem vontade. Por isso lhe ensinei o QDP. Também a mim mo ensinaram e tem sido muito útil. Trata-se do “Que De Positivo” podemos encontrar nas coisas que nos acontecem, mesmo nas más ou que achamos negativas. Há sempre qualquer coisa de positivo nas coisas. Também penso assim em relação às pessoas. Têm sempre algo de positivo. E temos de aprender a encontrar esse algo positivo em tudo, Ti Nanda. E como é que eu encontro algo positivo na morte das minhas Amélia e Lourença? Ó Ti Nanda, já imaginou se a senhora tivesse boa perna e caminhasse à frente das ovelhas?

sábado, janeiro 03, 2009

sondagem_ “Pede um desejo para 2009”

Passados que vão três dias do início do ano 2009 e mais de 200 votos, chegou a hora de avaliar a sondagem que estava no lado esquerdo, no sidebar. A proposta era:
“Pede um desejo para 2009”

E os resultados são:
1. + Justiça _33%
2. + Saúde _15%
2. + Fé _15%
4. + Amor _15%
5. + Esperança _ 9%
6. + Paz _ 7%
7. + Cultura _ 3%
8. + Dinheiro _ 1%
9. + Descanso _ 1%
10. + Diversão _ 0%
_________________________
pequenas considerações:
Hoje ainda faço menos considerações que na anterior sondagem. O assunto é demasiado pessoal e tem tudo a ver com os sonhos, desejos, problemas e dificuldades de cada um. Com certeza cada um pediu aquilo que maior falta lhe faz. Porém, é intressante perceber o que as pessoas mais desejam.
  1. Realço que foram valores cristãos o mais pedido. A metade inferior da tabela não se refere a valores e acabou por ficar constituída por “cultura”, “dinheiro”, Descanso” e “diversão”.
  2. Fico com alguma alegria ao verificar que o “dinheiro” e a “diversão” não são consideradas como essenciais para 2009. E embora se fale tanto em crise económica, os meus penitentes preferem outros bens mais essenciais.
  3. Não consigo perceber o porquê da justiça ter ficado em primeiro lugar. Pode ter-se dado o caso de ter havido alguém que votou várias vezes nela. Mas isso não se considera agora. Pensarei que se trata de um pedido para que haja mais igualdade de oportunidades.

Hoje surge nova sondagem, ainda a pensar no ano 2009. Enquanto na anterior sondagem, a proposta prendia-se a coisas pessoais, a desejos e anseio pessoais, esta prende-se, de uma forma altruísta, aos outros. Tendo em atenção que a Igreja Católica somos nós, o conjunto dos católicos, e não somente uma estrutura organizada hierarquicamente, que desejas, anseias e sonhas, ou gostarias que melhorasse ou mudasse na nossa Igreja em 2009? Por isso desta vez surge a seguinte proposta:

Pede um desejo para a Igreja Católica em 2009

terça-feira, dezembro 23, 2008

O Natal de dois mil e cinquenta

Apreensiva a leitura que fiz há dias. Que em dois mil e sete Portugal registou um valor do índice de fecundidade de 1,3 filhos por mulher. Que tem vindo a diminuir substancialmente e que, se acaso esta situação não melhorar, em dois mil e cinquenta chegar-se-á a uma situação insustentável, com uma idade média acima dos cinquenta anos e um rácio de idosos sobre população activa superior a 0.6. A previsão lógica é que acabem as pensões de reforma ou os activos se revoltem com os impostos e taxas que terão que pagar. Dá que pensar. Deu-me que pensar.
Também não foi há muitos dias que fui visitar o lar. Faço-o de vez em quando. Quando o faço, quase sempre regresso a casa com algo para pensar. Os lares são locais propícios para pensar a vida. A época do Natal é propícia igualmente para pensar a vida. Porque Ele também quis viver como nós. Mas não foram estes os meus pensamentos desta visita. A manhã estava fria, mas tinha um sol a vislumbrar-se ao longe. Um pouco longe. Depois de falar com os utentes do lar sobre o amor que Deus nos tem, um amor tão grande que O obriga a tornar-se o mais próximo de nós possível, assumindo uma vida igual à nossa, com sofrimentos e tudo, sentei-me para almoçar ao lado deles. Enquanto dava voltas ao bacalhau, lembrei como vou juntar a minha família, nesta consoada, à volta do bacalhau. Por isso, e por curiosidade, perguntei quantos utentes iam passar o Natal a Casa. Informaram-me que seriam 10 % no máximo. Como achei aquilo absurdo, insisti se não tinham filhos? A resposta deixou-me ainda mais espantado. Praticamente todos.
E foi nesse momento que fiz contas à vida. Por este andar, em dois mil e cinquenta os velhos vão ser em número muito superior aos novos e os pais aos filhos. Se já hoje os filhos não dão o mínimo de atenção aos pais, pior será quando o número de filhos for menor. Em dois mil e cinquenta passaremos o Natal sozinhos nos lares de terceira idade. Praticamente todos.
___________________________
Aproveito a ocasião para desejar a todos os "penitentes" e amigos um Natal que nos faça sentir o valor e importância da Vida, uma Vida dada por Deus para sermos felizes!

sexta-feira, dezembro 19, 2008

sondagem_ “Como classificas de uma forma geral as homilias que tens ouvido?”

Passados que vão quase dois meses da última sondagem e 583 votos, chegou a hora de avaliar a sondagem que estava no lado esquerdo, no sidebar. A questão era:
“Como classificas de uma forma geral as homilias que tens ouvido?”

E os resultados são:
1. Medíocres _44%
2. Péssimas _22%
3. Óptimas _13%
4. Boas _11%
5. Razoáveis _ 9%
______________________
pequenas considerações:
Hoje não faço grandes considerações. Cada um as fará como entender.
  1. Apenas faço a constatação de que em Portugal ou nos países onde estão os “meus penitentes” não há homilias razoáveis. Ou são acima do bom ou acima do mau.
  2. Também não quero esquecer que uma homilia será sempre boa ou má dependendo da pessoa que a ouve, daquilo que precisa ouvir e da interpretação que fizer daquilo que ouve.
  3. E ainda realço que 66 % das respostas evidenciam homilias abaixo do razoável e 24 % acima do razoável, o que significa que acima do razoável é quase um terço do abaixo do razoável.

Hoje surge nova sondagem, a pensar no ano 2009, um ano que se aparenta difícil. Talvez seja oportuno tentarmos descobrir o que para nós seria mais necessário. Por isso desta vez não surge uma pergunta, mas a oportunidade de fazer um pedido.

Pede um desejo para 2009

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Deus e o telemóvel da Ana

O telemóvel da Ana pifou. A Ana ia pifando. Ó padre, ele há coisas, contava-me porque eu sou o padre e porque precisava de desabafar com alguém que entendesse a relação de Deus com as suas coisas. O meu telemóvel pifou de todo. Prova disso é que, para além de não se ligar, quando ontem saí da missa retirei-o do bolso e verifiquei que ele estava a carregar. Não estava ligado à electricidade, mas estava a carregar. Já tinha ouvido dizer que a missa era um momento para "recarregar baterias" mas sempre pensei que fosse uma metáfora. A Ana é muito divertida. Faz-me lembrar a simplicidade e o humor de Deus na forma como ela encontra sempre algo divertido para explicar como Deus se relaciona com as suas coisas. Aproveitei a oportunidade e meti-me da mesma forma divertida com ela. Então a menina também leva o telemóvel para a missa? Não me diga que espera alguma chamada importante nessa hora? Ou faz parte do grupo daqueles que, colocando-o em silêncio e a vibrar, obrigam depois o pessoal a procurar, afinal, quem tem o bolso a tremer? Não deixei que ela sequer respondesse. Queria levar a melhor na brincadeira. Se calhar é por isso que o teu telemóvel pifou. Deus não deve gostar disso. Ao que ela, com ar de quem ia vencer a brincadeira e dar a martelada final. Ó padre, ainda não acabou a minha história. Veja como Deus sabe da necessidade que tenho do telemóvel. Acabei de receber, há coisa de uns vinte minutos, uma chamada dos Escuteiros a dizer que a minha frase foi seleccionada e que ganhei um telemóvel. Já nem me lembrava que tinha participado naquilo. Ora veja como Deus, dado que não conseguiu carregar bem a bateria, decidiu premiar-me com uma novinha e com o embrulho todo atrás. Já desconfiava, mas hoje aprendi que é mesmo Deus quem nos dá as prendas no Natal.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

O céu e o inferno, parte II

E continuou. Isso não explica que o céu seja uma coisa e o inferno seja outra. Nem explica a necessidade dos dois. O pai do Diogo era inteligente. Há muito não via tamanha inteligência interessada e participativa num encontro de preparação de qualquer sacramento que fosse. Geralmente as pessoas questionam pouco, poucas dúvidas lançam, porque assim a reunião é mais curta, porque têm receio de dizer algo que os coloque mal, porque quase sempre não estão seguros das suas convicções ou ciências, porque os outros podem olhar de lado, porque o padre se pode chatear e a igreja não gosta que se façam perguntas. Mas o pai do Diogo tem a inteligência à flor da pele. Por isso pergunta e por isso eu deixo que a forma como sinto o céu e o inferno sejam transpiradas para aquela reunião, mesmo que alguma parte dessa forma de sentir possa ser contra o Magistério da Igreja.
Para mim tudo tem a ver com a proximidade (continuo a dizer que não é física) que temos com Deus. Quem estiver mais perto, ficará mais satisfeito. Quem estiver mais longe não consegue senti-l’O tão bem e fica muito insatisfeito. Esta insatisfação leva ao desalento e à dor. Aliás, o facto de estarmos lá mas não estarmos perto é que torna tudo mais difícil. Porque se lá não estivéssemos não ia custar tanto. Se não sentíssemos esse afastamento não ia custar tanto. Tudo tem a ver com aquilo que se sente ou não se sente. O afastamento é o inferno e a proximidade o céu.

domingo, dezembro 07, 2008

O céu e o inferno, parte I

Num encontro para preparar baptismos, e quando explicava a forma como Deus queria salvar todos e como não fazia grande sentido esperar que o Baptismo fosse o nosso bilhete para a salvação, mas sim a prova de que nós queremos a salvação, o pai do Diogo pediu-me licença para perguntar e perguntou. Para que é que Deus nos quer salvar? Como faz para nos salvar?
Sem parar os raciocínios que ia fazendo, fui respondendo com o Reino de Deus, a Ressurreição e afins. Claro que as palavras que utilizei estavam demasiado gastas pelo magistério da Igreja e não me fazia propriamente entender. Dei conta porque ele pediu nova licença para perguntar e perguntou. Pode dizer-me o que é essa história do céu e do inferno?
Quando estudava teologia no Seminário havia muitas definições ou teorias que achava difíceis de compreender. Mais ainda de explicar. Sem dúvida que uma delas é a do céu e o inferno. A sua existência. A sua forma.
Que ninguém pense que o inferno é um lugar de muitas chamas e muita sede e que o céu é um jardim paradisíaco, fui dizendo. Já na altura dos meus estudos ficara claro que não eram espaços, que não os podíamos imaginar ou recriar como um espaço físico para onde se vai depois de morrer. Por isso não podemos confundir o céu azul e bonito que vemos por cima de nós com o céu de Deus. Mas se não são locais para onde se vai, porque se diz que se vai para lá?
Sabia que não era fácil explicar-me, mas avancei que Não é o espaço que nos faz estar, mas nós, a nossa pessoa. O ir para lá é uma forma de lá estar. Eu posso estar num sítio estando noutro deveras, porque o meu sentir está noutro lado. Também posso estar com alguém sem estar ao seu lado. Posso estar com Deus, a seu lado, sem ser um estado físico, mas um estado de sentir. É apenas uma forma de estar. E de certeza que estaremos com Deus depois da nossa morte, no céu ou no inferno…