A apresentar mensagens correspondentes à consulta mensagens ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta mensagens ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, dezembro 22, 2016

As mensagens de natal ou que tal

Estamos na época das mensagens, pouco lidas ou pouco recebidas, ou não sei. Palavras que se soltam e não se prendem. Estais neste preciso momento, e quase com certeza, a receber centenas de mensagens de Natal que ou não ledes ou ledes a correr, e o que interessa nelas é que alguém se lembrou de vós. Na verdade, isso, só por si, é bastante importante. Mas cuido que a maioria apenas nos contentamos com recebê-las. Eu recebo umas largas centenas e gosto muito de as receber. Mas vivo neste mundo e assumo que a maior parte delas as leio a correr. 
Mais curioso ainda é o fenómeno de ter de mandar mensagens. Como a obrigação vem do facto de também nós as recebermos, então multiplicamos as mesmas mensagens sem nos preocuparmos ao menos com a originalidade delas. E depois recebemos mensagens assinadas com outro nome que não o da pessoa que no-la enviou, porque esta se esqueceu de, ao menos, apagar essa assinatura. Ou acabamos por receber uma série de mensagens iguais. 
Obrigamo-nos. Obrigamo-nos a escrever e receber mensagens. Fazêmo-lo soltando palavras sem as sentir, ou pouco sentidas, sem que sejam muito mais do que obrigações. Claro que exagero, pois existem muitas mensagens verdadeiras e sentidas em cada Natal. Claro que no meio desta panóplia de mensagens, que devem dar muito a ganhar às operadoras de telecomunicações, existem muitas que são genuínas e têm propósitos genuínos. 
Assim também os bispos multiplicam as suas mensagens de Natal, como costumo seguir numa das nossas agências católicas. Quero crer que são escritas e enviadas sem a obrigação das mensagens de telemóvel, de facebook ou de twiter. Que são sentidas e brotam do espírito de Natal. Que não são apenas para se fazerem presentes ou para constar. E que possam ser lidas como tal, como mensagens de Deus a cada um de nós que ama.

domingo, janeiro 03, 2021

A pastoral das mensagens

O Bispo disse isto. O bispo falou de. O bispo escreveu uma carta pastoral. O bispo redigiu uma nota. Na mensagem do primeiro dia do ano o bispo afirmou. Na de Natal pediu. Ou alertou. Na homilia tal referiu que. E por aí fora, num rol de notícias ou ocorrências que mais não são que dizeres e mensagens. Ou seja, a pastoral que fazemos parece, muitas vezes, reduzir-se a notas, cartas pastorais, mensagens e similares. 
Sem desprimor do conteúdo desses conjuntos de palavras, acaba por se tornar cansativo ler tanta coisa que se diz e se repete, quase como que a ver quem diz primeiro aquilo que toda a gente já sabe que vai ser dito. Não digo que não seja importante, mas acaba tornando-se muito cansativa tanta leitura ou mensagem que se consome por estes dias. Ainda por cima, a pandemia causada pelo novo coronavírus e as condicionantes pastorais que trouxe consigo, vieram acicatar esta como que necessidade de se dizerem coisas. Vieram fomentar a necessidade de nos fazermos escutar e de manifestarmos uma presença. 
Este proceder é, de certo modo, consequência de uma sociedade líquida e pós-moderna, em que tudo é volátil e há uma necessidade constante de ter uma palavra e preencher o vazio do silêncio. Contudo, pessoalmente acho que o silêncio da intimidade com Deus é capaz de ser escutado com mais intensidade que as muitas palavras proferidas. E sou de opinião que a melhor acção pastoral são as obras. 
Por isso, ao ver alguns canais de comunicação da nossa Igreja, canso-me de tanta mensagem que pouco acrescenta ao que já foi dito noutras mensagens. Quando a mensagem é só uma. Quando o mensageiro é só um. A mensagem da Igreja é a Boa Nova da Salvação. E o seu mensageiro é Cristo. Assim o dizem os documentos da Igreja e assim o creio também. Mesmo que as centenas de mensagens sejam valiosas e importantes, a nossa Igreja deveria dar mais espaço à Mensagem.  
 
A PROPÓSITO OU A DESPROPÓSITO: "As mensagens de natal ou que tal"

quarta-feira, março 18, 2020

padres covid

Padres que sobem aos telhados da Igreja e se filmam a celebrar a missa. Padres que gravam vídeos de lágrimas para os seus. Padres que replicam mensagens e mensagens. Padres que têm muitas ideias criativas e que pululam na internet, especialmente nas redes sociais, para chegar aos fiéis, para alimentar a fé dos fiéis. Que bom! Aprovo e apoio cem por cento. Fico orgulhoso desta nossa Igreja que encontra um outro modo, diante da adversidade, para evangelizar, para chegar às pessoas, para as não abandonar. Fico orgulhoso das centenas e milhares de missas que hoje estão disponíveis às pessoas nas suas famílias, Igrejas Domésticas, através das redes sociais. 
Porém, no meio de tanta coisa, não sei algumas coisas. Não sei, por exemplo, se alimentar as pessoas, replicando e tornando a replicar nas redes sociais, não será alimentar em demasia o mundo virtual em detrimento da realidade e da verdade das famílias reunidas por si mesmas e não por redes sociais! Assim como também não sei se nalguns casos não se trata de um aproveitamento, mesmo que inconsciente, para um certo egolatrismo! 
Não sei mesmo. Acho que cada vez sei menos!

A PROPÓSITO OU A DESPROPÓSITO: "Na lareira 1"

quinta-feira, dezembro 23, 2010

E o Menino fica esquecido entre as palhas de um presépio pequenino por debaixo de uma árvore grande enfeitada

Piscam as luzes. Piscam as vitrinas. Piscam os hiper-mercados. Piscam as árvores. Piscam as igrejas. Piscam as pessoas em correrias com sacos na mão. Piscam as frigideiras, as rabanadas, as filhoses. Tudo pisca à nossa volta em época de Natal. As cores misturam-se de uma maneira que não se vê durante todo o ano. As conversas são ligeiramente mais solidárias. Há sempre uma parte de nós que quer fazer algo de bom nesta altura. As prendas são disso exemplo. Apontamos no bloco de notas todas as pessoas a quem temos dever de comprar. Para não esquecer ninguém. É a época das mensagens de telemóvel. Toda a gente envia a toda a gente. Repetem-se as frases, os desejos, as brincadeiras. Há gente com pouca criatividade. Cá para mim, a TMN deve ter uns relações públicas a criar mensagens para esta altura. O açúcar esgota. O bacalhau quase esgota. O peru sai dos supermercados às toneladas. Este ano vou para a sogra. Este ano estaremos todos juntos. A irmã mais velha não pode vir. Trabalha até tarde. Todos querem sair mais cedo dos empregos. O patrão ofereceu um bolo-rei a cada um. Mais uma garrafa de vinho do Porto. Pai Natal nas varandas. Menino Jesus nas janelas. É um rebuliço que só se vê uma vez por ano. O Natal faz destas coisas.
E tudo isto porque um menino nasceu há cerca de dois mil anos. E tudo isto por causa deste Menino Deus que nos quer salvar. E tudo isto porque é mesmo Natal. No entanto, o rebuliço desta época encosta a um canto o Menino Deus. Diga-se. O rebuliço do Natal esconde o verdadeiro Natal. E o Menino fica esquecido entre as palhas de um presépio pequenino por debaixo de uma árvore grande enfeitada.
Por isso é que este ano pedi aos meus paroquianos para, no meio da azáfama da noite de Natal, pararem o rebuliço do Natal num breve minuto. E nesse instante rezarem em família, com os que estiverem ao seu lado, um Pai Nosso a agradecer a este Menino ter vindo ao mundo para salvar cada um de nós. É pouco. É apenas um Pai Nosso que dura um minuto. É apenas um minuto do verdadeiro Natal.
____________________
Este é o meu desejo de Natal para todos vós: um Natal cheio de Jesus!

segunda-feira, maio 03, 2021

os padres santos V

Conheço padres que agora moram nos computadores, nos telemóveis e nas redes sociais. Trocam e replicam mensagens como quem pestaneja. Vivem atrás dos seguidores. Por isso caem imensas vezes no exagero do show e do of. Embora apontem um dedo para Cristo, pois que este é a razão do seu viver, têm apontados recatadamente para si mesmos os restantes dedos da mão. Geralmente não gostam dos outros que são parecidos com eles e que competem por lugares mediáticos. Mas são voluntariosos. E criativos. Vivem para anunciar. Para se fazerem presentes. Para serem uma presença. E quer-me parecer que, de certo modo, Deus também se torna presente. Mesmo que seja um pouco light. Neste sentido, estes padres são tão santos como todos os outros, porque também eles não fazem por mal aquilo que fazem com boa intenção. E as intenções também são caminho de santidade. 
 

domingo, fevereiro 21, 2021

tanta falta nos faz a missa

Liguei, que ela não sabe ler mensagens. Por isso não tinha lido a mensagem que eu enviara. Como enviara para muitos outros paroquianos neste domingo, dia do Senhor, dia em que, se pudéssemos, nos reuníamos em comunidade a rezar e a celebrar a nossa fé. Ficou quase engasgada pela lembrança. Pelo telefonema. Agradecia e repetia insistentemente que a aldeia, sem o senhor padre, parece uma aldeia fantasma. Depois dizia que nos domingos era uma tristeza. A missa na televisão não é a mesma coisa. Faz-nos falta o nosso padre. Ai ora eu, ora eu. O que nos havia de calhar. E tanta falta nos faz a missa. Tanta falta, senhor padre.
 
A PROPÓSITO OU A DESPROPÓSITO: "A chorar durante a missa"

terça-feira, dezembro 25, 2018

O Pai Natal dos meus sonhos

Encontrei uma carta no correio. Toda encarnada. Toda enfeitada. Parecia o embrulho de uma prenda. Era uma carta com remetente sem morada. Descobri, depois de aberta, que era uma carta de um pai natal. Apercebi-me disso porque tinha uma caligrafia muito bonita, também encarnada, estava cheia de emojis coloridos e, no final, era assinada por um pai natal. Curiosamente, vinha assinada em minúsculas. A leitura era fácil, dado que o texto não era longo e as letras tinham um tamanho acima da média. Não sei traduzir tal e qual o que li. Não me sinto verdadeiramente autorizado a fazer copi past, nem me dou ao desplante de fazer minhas as palavras que li e que me fizeram chorar. Afinal, tratava-se de uma oração de um qualquer pai natal, dos muitos pais natais que nesta época pululam nas nossas cidades e nos nossos centros comerciais a apregoar felicidade. A oração era dirigida a Jesus. Ao Menino Deus. 
Era a carta de um Pai Natal que se ajoelhava diante do verdadeiro Natal. Dizia palavras como: eu só trago brinquedos e tu trazes amor; eu faço rir as crianças, mas tu ama-las de verdade; eu deixo uma alegria passageira, mas tu deixas o teu coração para sempre; eu tenho bochechas rosadas e uma barba branca e farta, a maioria das vezes postiças, mas tu tens umas cicatrizes nas mãos e no peito que são a maior verdade; podes encontrar vários como eu nas cidades e centros comerciais, mas só tu és o único omnipotente, vivo e verdadeiro; eu alimento a economia e o mercado de consumo, mas tu dás sentido à vida das pessoas; eu brinco às cartas e mensagens de pedidos, mas tu levas a sério cada um de nós… Era tão linda e tão autêntica a carta! 
No final, antes da assinatura, dizia ainda algo do género: diante de ti me dobro no teu aniversário. E depois assinava. Era o Pai Natal dos meus sonhos. 

Aproveito para agradecer a Deus estes 13 anos de vida do "Confessionário dum Padre" e os 1022 textos que nele foram publicados

quinta-feira, novembro 03, 2011

quatro Instante: a Helena

Ligou-me a medo. Não quero incomodar, senhor padre. A Helena nunca faltava à missa, mesmo da semana, porque entrava na missa com olhos tristes e saía com os olhos a sorrir. Ao longo destes anos não teve para comigo grandes manifestações do que quer que fosse. Apenas sorria quando a olhava por entre os bancos da Igreja. Recordo-me de um dia me dizer que me devia a força de vontade de continuar a vida com a sua doença e os seus problemas. Mas era discreta. Tão discreta que no dia da despedida, não se despediu. Andava já há dias para ligar-lhe, senhor padre, mas não queria incomodar. E se agora estou a incomodar, diga que eu ligo outra hora. Respondi que todas as horas eram boas para receber telefonemas e mensagens daqueles que aprendi a amar nas paróquias e que isso até me dava ânimo para a nova missão. Sossegou então. E foi dizendo que tinha saudades. Que a sua vida não mais era a mesma. Que a vida da paróquia não mais era a mesma, embora o novo padre até fosse bom padre. E que gostava de me ver, mas que, dada a idade avançada, isso não devia acontecer. Mas enfim, é a vida. E fomos assim dialogando sobre tudo e nada. Já no final do telefonema, disse porque ligara. Senhor padre, eu só liguei mesmo porque não tive nem tempo nem coragem para o fazer antes. E queria agradecer-lhe pela fé que me ensinou. Hoje sei que tenho fé. Antes não sabia. A chamada caiu, porque desligámos o telefone. Eu caí em mim, e disse. Estes telefonemas fazem-me ter vontade de ser padre onde Deus quiser que o seja.

quinta-feira, dezembro 24, 2009

Estamos nas mãos de Deus

Há dias assim. Dias que nos tocam por dentro. Para o bem ou para o mal. Foi assim hoje, um dia antes do Natal. Acordei com vontade de sorrir e mostrar que o menino que celebramos faz sorrir. Mas ao longo do dia, entre as centenas de mensagens de Natal do telemóvel, chegaram outras que me fizeram sofrer. Ou porque o padre não fez como devia. Ou porque o padre devia ter feito. Ou porque o padre assim. Ou porque o padre assado. A hora da missa. O dia da missa. A celebração tal. A bênção tal. A Elvirinha que está nos cuidados intensivos. Ouvi sempre como se uma agulha me fosse espetada sem razão, motivo ou vontade. E assim foi crescendo em mim uma adversidade às coisas e à vida. Há dias assim.
Mas o Joaquim ligou-me. A sogra já tinha regressado do Hospital. Prometera ir lá a casa visitá-la e confessá-la nesta época. Entretanto, no dia em que me dispunha fazê-lo, dera entrada no hospital. Hoje estava em casa e o genro telefonara a dizer para me informar. Ou para pedir enquanto informava. Fui. Estava na cama com muitas dores. Premeditara sorrir para a vida, para que ela não entendesse as agulhas que tinha espetadas. Mas não aconteceu. O sorriso saiu-me natural porque olhei para ela e isso bastou. Perguntei se tinha muitas dores. Acenou que sim. Mas falou que estava nas mãos de Deus. Abri mais ainda o sorriso. Nada melhor que no dia de Natal estarmos nas mãos de Deus. E falei. Pois tenho a certeza que este vai ser o melhor momento deste meu Natal. Confessei-a. Conversámos. Rimos. Sempre aumentando e abrindo o meu sorriso. De facto, num dia em que se celebra a Vida, o Amor, a Felicidade que Deus nos promete, nos traz, e encarna no Seu Filho, nada melhor do que sentir que estamos nas mãos de Deus. Mesmo que seja a sofrer. No final contei-lhe que tinha sido o melhor momento do meu dia. Ela disse que também para ela o tinha sido. Agora já era Natal. E para mim também. Porque neste Natal descobri mais uma vez que estamos nas mãos de Deus!
_____________________________
Aproveito para desejar a todos, penitentes, amigos, menos amigos, anónimos, menos anónimos, um Natal nas mãos de Deus!

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Só faltei a três missas, disse

Hoje levei o confessionário às casas dos doentinhos. Aqueles que não podem deslocar-se ao confessionário. Bem pesado. Não sou carroça. Mas está bem engalanado. Sorriso nos dentes. Boca com mensagens de esperança. E fui. Andei toda a manhã. Soube-me tão bem. Não só porque levei Jesus na confissão aos doentes. Mas porque levei conforto para amar, amor para dar, esperança para transpirar e palavras para fazer sorrir. Foi bom. Mais para mim que para eles. De certeza.
E às tantas. A berrar. Diga lá então os pecados. Depois de umas tantas virtudes. Sim, porque os pecados de alguns são mesmo virtudes. Sai. “Só faltei a três missas”. Não entendi logo. Aquela senhora já não sai de casa há anos. Não pode ir à missa. As pernas não deixam. Como só pode ter faltado a três! Já estava para dizer que não havia problema. Nem pecado. Que tinha de aceitar com humildade essa fragilidade. Que Deus não ficava nada zangado por ela não poder ir. Que aliás olhava mais para ela porque amava os doentinhos. Isso sim. Que ficasse na paz. Eu sei bem o que é não poder ir à missa para estas pessoas. Mas, sem que eu tivesse tempo para passar do pensamento às palavras, ela continuou. “Foi um dia em que me enganei no horário, e quando liguei a televisão já tinha acabado. Foi outro dia em que não havia luz. E o outro, distraí-me.” Esta mulher estava a confessar que tinha faltado três vezes à missa da televisão. Fez-me pensar tanto!