Sabemos muito pouco da vida. O destino precede-nos como a sombra que caminha à nossa frente. O mundo domina-nos. Não somos nem o seu dono nem o patrão que lhe paga o salário. Somos o seu empregado. Dizemos que nos entregamos nas mãos de Deus, mas não lhe conhecemos o tamanho, a cor, as rugas, os calos e o calor que delas imana. Dizemo-lo porque a vida nos ultrapassa e não sabemos como a dominar. Vamos vivendo como se não morrêssemos. Como se estar aqui fosse habitar uma selva onde se sobrevive a pensar na hora em que somos apanhados numa armadilha.
E alguém é capaz de perguntar se também os padres não sabem da vida quando têm uma ligação especial ao outro lado da vida. Não sei se têm ou não uma ligação especial com esse lado. Se têm explicações da fé para a vida. Apenas posso falar por mim. O que me parece é que pouco perguntamos da vida e pouco sabemos dela. Vivemos. Uns de forma mais consciente ou consistente, e outros vão andando sem saber porquê. Pessoalmente gostava de entrar nas entranhas mais profundas de Deus para perceber esse porquê. Para entender o que não entendo da vida. Também eu me entrego nas suas mãos. Mas preferia entregar-me ao seu coração.