Numa noite tão alta como o céu
Eu vi o silêncio como uma visão
De facto,
O silêncio parece-se com o não ser
Mas só parece, porque também é
Na contradição do que, de facto, não é
Sobretudo, vi-te no silêncio,
Como silêncio em mim
Que não se calou
Tão alto como sendo uma visão
Do céu
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quarta-feira, janeiro 08, 2020
quarta-feira, janeiro 01, 2020
escrever por escrever [poema 240]
Guardo a escrita para mim
Digo-a para a ler
Para ela se guardar
Para a reter
E é tudo em mim o que sou
Ou desejo, para ser
Espelho em mim
Do meu viver
Digo-a para a ler
Para ela se guardar
Para a reter
E é tudo em mim o que sou
Ou desejo, para ser
Espelho em mim
Do meu viver
sexta-feira, dezembro 20, 2019
Chorador [poema 239]
Quando o coração chora, acompanho o seu chorar
As lágrimas são as palavras que a dor não diz
São os rios que precisam de mar
Quando o coração chora, não chora sozinho
Tem uma alma por detrás a gritar baixinho
Contigo vou, meu coração e secreto amigo
As lágrimas são as palavras que a dor não diz
São os rios que precisam de mar
Quando o coração chora, não chora sozinho
Tem uma alma por detrás a gritar baixinho
Contigo vou, meu coração e secreto amigo
sábado, dezembro 07, 2019
Uma Maria qualquer [poema 238]
Eu vi uma mulher com vestido sem cor
Percorria os corredores da procissão
De mil véus para tapar rostos desfeitos
Rasgados, esquecidos, amortalhados
Vi uma mulher que era como um conto de fadas
Uma história de encantar, porque me encantava
Por entre os corredores das procissões vazias
Vi uma mulher calçada com mãos agarradas,
a adormecer no caminho do céu
Percorria os corredores da procissão
De mil véus para tapar rostos desfeitos
Rasgados, esquecidos, amortalhados
Vi uma mulher que era como um conto de fadas
Uma história de encantar, porque me encantava
Por entre os corredores das procissões vazias
Vi uma mulher calçada com mãos agarradas,
a adormecer no caminho do céu
sexta-feira, novembro 29, 2019
Meu tu [poema 237]
Devias morar onde mora
o meu eu
Nessa hora sem ponteiros
Nesse mar que não desaparece
Nesse espaço sem medida
Nessa montanha que cresce
Nesse mais íntimo da vida
Que não sou eu senão
Tu
ou Tu e eu
o meu eu
Nessa hora sem ponteiros
Nesse mar que não desaparece
Nesse espaço sem medida
Nessa montanha que cresce
Nesse mais íntimo da vida
Que não sou eu senão
Tu
ou Tu e eu
terça-feira, novembro 19, 2019
luzes sem luz [poema 236]
Sinto, cada dia mais, a necessidade de apagar as luzes
Ou fechar os olhos dentro delas, apoucar-me
Vestir os mais pequenos tamanhos de roupa
Apanhada no estendal que houver mais escondido
No meio da selva que os dias abrem à luz
No meio das milhares de luzes
Meio acesas, por fora,
Meio apagadas, por dentro.
Sinto, cada dia mais, a necessidade de não ser
Senão um pontinho de luz
a crescer
Ou fechar os olhos dentro delas, apoucar-me
Vestir os mais pequenos tamanhos de roupa
Apanhada no estendal que houver mais escondido
No meio da selva que os dias abrem à luz
No meio das milhares de luzes
Meio acesas, por fora,
Meio apagadas, por dentro.
Sinto, cada dia mais, a necessidade de não ser
Senão um pontinho de luz
a crescer
sexta-feira, novembro 15, 2019
meu peso de amor [poema 235]
O peso do teu amor é uma cruz
Toma-se-lhe o tamanho pela dor
Cresce como uma nascente que não seca
No coração
Não tem lábios o teu amor
Tem paladar, tem muita dor
No coração
O teu amor tem o peso que é uma cruz
inteira, um coração
Toma-se-lhe o tamanho pela dor
Cresce como uma nascente que não seca
No coração
Não tem lábios o teu amor
Tem paladar, tem muita dor
No coração
O teu amor tem o peso que é uma cruz
inteira, um coração
quarta-feira, novembro 06, 2019
Amor [poema 234]
O amor não se diz.
Pode apenas dizer-se
Para se saber.
Mas ele não se diz
Não se sabe dizer.
É algo que se vive
Sem se saber
Como dizer
Pode apenas dizer-se
Para se saber.
Mas ele não se diz
Não se sabe dizer.
É algo que se vive
Sem se saber
Como dizer
sexta-feira, outubro 25, 2019
Ar [poema 233]
Respiro duas vezes para te levar comigo
Inspiro e aguento quanto posso o ar,
Tenho-te dentro de mim a desabrochar
Respiro mais uma vez
Sei que és tu sem te ver
Sem te apalpar, mas a saber
Que és quem respiro
Pela melodia que se compõe
Pelo deleite que se aninha
Em mim ao respirar
Aquilo que é teu, és tu
O meu ar
Inspiro e aguento quanto posso o ar,
Tenho-te dentro de mim a desabrochar
Respiro mais uma vez
Sei que és tu sem te ver
Sem te apalpar, mas a saber
Que és quem respiro
Pela melodia que se compõe
Pelo deleite que se aninha
Em mim ao respirar
Aquilo que é teu, és tu
O meu ar
quinta-feira, outubro 17, 2019
O poema [poema 232]
O poema termina aqui, onde começou
Passo-o a limpo para que o possas reconhecer
Para que, lendo-o, possas entender
Que o poema é e já passou
Que tudo começa onde alguém terminou
E mesmo sem o ser
Acabou
Passo-o a limpo para que o possas reconhecer
Para que, lendo-o, possas entender
Que o poema é e já passou
Que tudo começa onde alguém terminou
E mesmo sem o ser
Acabou
domingo, outubro 06, 2019
brado [poema 231]
Esta noite preciso escrever no teu corpo,
Tatuá-lo, mais uma vez, com a palavra,
Esboçar em ti o que vejo nos espelhos,
Marcar-te com o sinal da minha ânsia,
Sussurrar-te ao coração com este peito
Rasgado por não mais saber onde é a dor,
Desfazer-me num grito a dizer quem sou:
Uma cruz que carrega o teu amor.
Tatuá-lo, mais uma vez, com a palavra,
Esboçar em ti o que vejo nos espelhos,
Marcar-te com o sinal da minha ânsia,
Sussurrar-te ao coração com este peito
Rasgado por não mais saber onde é a dor,
Desfazer-me num grito a dizer quem sou:
Uma cruz que carrega o teu amor.
domingo, setembro 29, 2019
Societas perfecta [poema 230]
No teu quarto antigo vejo tudo
Vejo relíquias vestidas de mobílias restauradas
Os lampadários apagados pelo uso
As paredes de granito gasto e traça
Uma porta de madeira esquecida
Está escuro, demasiado escuro
Vejo as janelas
Mas não vejo por elas
Vejo relíquias vestidas de mobílias restauradas
Os lampadários apagados pelo uso
As paredes de granito gasto e traça
Uma porta de madeira esquecida
Está escuro, demasiado escuro
Vejo as janelas
Mas não vejo por elas
sábado, setembro 21, 2019
ave sem nome [poema 229]
As aves não têm albergue, têm ninhos
Que voam, por entre as asas,
No meio de ervas daninhas
Bebericam das águas salobres
E continuam a construir
Outros ninhos
Que voam, por entre as asas,
No meio de ervas daninhas
Bebericam das águas salobres
E continuam a construir
Outros ninhos
sexta-feira, setembro 13, 2019
um de nós [poema 228]
Entendo-te
Como se estivesse a ver-te por fora e por dentro
Como se os sulcos da vida fossem antepassados,
Pelos meus pés vestidos de lama, endurecidos,
Trilhados pela idade, cansados
Conheço-te
Nas palavras que ficam por dizer
Nos pensamentos que são sentimentos
A querer
Sei-te
Porque me sei
E não sei viver
Como se estivesse a ver-te por fora e por dentro
Como se os sulcos da vida fossem antepassados,
Pelos meus pés vestidos de lama, endurecidos,
Trilhados pela idade, cansados
Conheço-te
Nas palavras que ficam por dizer
Nos pensamentos que são sentimentos
A querer
Sei-te
Porque me sei
E não sei viver
quinta-feira, setembro 05, 2019
Cidade [poema 227]
Há uma cidade no futuro, em frente
Que cresce de repente,
aberto o muro
Dentro de nós
Há uma cidade no futuro,
Adornada com milhares de flores
Pintada com imensas cores
Uma habitação desabitada
Em rumores
Calada
Ouço cá dentro a sua voz
Há sempre
Uma cidade em frente
Que cresce de repente,
aberto o muro
Dentro de nós
Há uma cidade no futuro,
Adornada com milhares de flores
Pintada com imensas cores
Uma habitação desabitada
Em rumores
Calada
Ouço cá dentro a sua voz
Há sempre
Uma cidade em frente
segunda-feira, setembro 02, 2019
lugar [poema 226]
Conheço pessoas que vivem como um lugar,
Vivem no cimo da plateia, a bradar
este é o chão onde vivo para ser alguém
Ou um lugar
Tanta, mas tanta gente sem nome, a gritar
E depois chegas tu, vens sem se notar,
Ouve-se por todo o lado
Aqui não tens lugar
Mas tu vens como casa a habitar
no presépio e no calvário, sem lugar
E em ti encontrei a minha casa, o meu lar,
O verdadeiro lugar
Vivem no cimo da plateia, a bradar
este é o chão onde vivo para ser alguém
Ou um lugar
Tanta, mas tanta gente sem nome, a gritar
E depois chegas tu, vens sem se notar,
Ouve-se por todo o lado
Aqui não tens lugar
Mas tu vens como casa a habitar
no presépio e no calvário, sem lugar
E em ti encontrei a minha casa, o meu lar,
O verdadeiro lugar
quarta-feira, agosto 28, 2019
aparências [poema 225]
Ó coisa que não tens nome
E pareces a sombra das coisas
Talvez um dia sejas o que aparentas
Ou o que aparentes seja o que tu és
Esse nada que parece tanto,
Esse tanto que afinal é
O tanto que quiseres que aparente
Mais que aparentemente
E pareces a sombra das coisas
Talvez um dia sejas o que aparentas
Ou o que aparentes seja o que tu és
Esse nada que parece tanto,
Esse tanto que afinal é
O tanto que quiseres que aparente
Mais que aparentemente
segunda-feira, julho 22, 2019
amigos [poema 224]
Fui ontem visitar um amigo a casa
Com tudo o que possuía, tudo o que havia,
Notas verdadeiras, desconhecidas e falsas
Muitos talentos, muitas forças,
Muitos trajes, muitos disfarces,
Algum poder, alguma lisura,
Mas tanto tanto, que é muita coisa
que nem lembro
Outro tanto
O amigo estava em casa, que linda casa
Abriu a casa, fechou a casa, não deixou a casa
e lá ficou
Não quis morar entre tanto tanto
que é muita coisa
que nem lembro
Outro tanto
casa em ruínas
ali ficou
Com tudo o que possuía, tudo o que havia,
Notas verdadeiras, desconhecidas e falsas
Muitos talentos, muitas forças,
Muitos trajes, muitos disfarces,
Algum poder, alguma lisura,
Mas tanto tanto, que é muita coisa
que nem lembro
Outro tanto
O amigo estava em casa, que linda casa
Abriu a casa, fechou a casa, não deixou a casa
e lá ficou
Não quis morar entre tanto tanto
que é muita coisa
que nem lembro
Outro tanto
casa em ruínas
ali ficou
segunda-feira, julho 15, 2019
Zakchaios [poema 223]
No meu coração há uma árvore erguida
Cheia de frutas variadas todo o ano
Nela se abrigam as mais diferentes aves
As mais diversas penas
Cheia de frutas variadas todo o ano
Nela se abrigam as mais diferentes aves
As mais diversas penas
segunda-feira, julho 01, 2019
Talvez [poema 222]
Talvez um dia desapareçam as horas e os ponteiros
Como ceifeiros que abandonaram o céu
Talvez um dia não haja mais noites
E os relentos sejam as paredes dos palácios
Talvez um dia as pessoas voem sem penas
E as criaturas não se distingam entre voos
Talvez um dia as palavras não precisem de voz
E as histórias reais sejam contos de fada
Mas reais
Talvez um dia não haja talvez
Como ceifeiros que abandonaram o céu
Talvez um dia não haja mais noites
E os relentos sejam as paredes dos palácios
Talvez um dia as pessoas voem sem penas
E as criaturas não se distingam entre voos
Talvez um dia as palavras não precisem de voz
E as histórias reais sejam contos de fada
Mas reais
Talvez um dia não haja talvez
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