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domingo, outubro 02, 2016

Praia e Deus

Na praia passa-se muito tempo deitado, de barriga para cima ou para baixo. Numa toalha quase sempre descolorida ou desbotada pelo sal, pela areia e pelo sol. De olhos fechados, e com a mente vazia. Vazia de preocupações. A mim ocorre-me assim e deixo-me levar pelo sol. O sol é coisa que se nota, que não se disfarça, que às vezes se afasta, mas que se deseja. É assim comigo. E deixo a sugestão de que sintam como eu sinto. 
Experimentem então, numa dessas ocasiões, de preferência com a barriga para o ar, deixar os olhos fechados e abrir os restantes sentidos ao que está ao nosso redor. O som das ondas que vão e que vêm, que batem, que inspiram. O mar como se fosse um comboio a correr para algum lado. O sol a preencher-nos a pele, e a entrar para dentro de nós. O ruído das conversas que não se percebem mas que estão lá. A algazarra das crianças que se divertem com as areias. O vento a bater no guarda-sol com a força necessária para não o derrubar. Passados uns minutos que não se conseguem contabilizar, talvez consigam dizer, como eu disse ainda no outro dia. Isto é uma autêntica experiência de Deus. Tão simples, mas tão de Deus.

segunda-feira, agosto 15, 2016

tolices de padres... ou casa cheia, talvez seja melhor

O calor encheu tanto a casa, que não tenho lugar nela. Moro alto. Num sítio alto. Para desculpar o lugar que encontraram para mim na paróquia, digo que estou mais perto do céu. Não sei se estou. Mas queria estar. 
Quando o sol chega, não há roupa que resista no sítio onde habito. Acontece quase igual em sentido inverso quando vem o Inverno. Não há aquecedor que resista. Não tem mal. Assim sabemos que a casa está sempre cheia e não moramos sozinhos. 
Hoje escrevo com pouca roupa e parece uma tolice um padre dizer estas coisas. Nem sequer vem a propósito de nada. Mas apetece-me escrever. E não estou a queixar-me. É assim que apetece. 
Ah, recordo agora que isto poderia ter a ver com Deus. 
Quando uma casa se enche de Deus, ocupa tanto espaço, o espaço todo, que parece que nem moramos nela. Parece que é Deus que lá mora.

sábado, junho 25, 2016

A justiça de Deus

Estava em pausa para um delicioso café com uns paroquianos quando da mesa ao lado e em tom de meter-se com o padre, se ouviu um Deus devia ser mais justo. O senhor que proferira a frase explicou depois, dirigindo-se na minha direcção, que achava que Deus deveria ser igual para todos. E que deveria fomentar na terra a igualdade de oportunidades. Porque é que alguns tinham tanto e outros tão pouco! E porque é que os maus eram os que mais sorte tinham na vida! 
A ocasião deu-me a oportunidade de abordar o assunto da forma como o tenho pensado muitas vezes e que agora resumo. Nós estamos embrenhados na justiça dos homens, num tipo de justiça que trata ou quer tratar todos por igual. Basta imaginar o que numa empresa fabril é considerado como igualdade de direitos e de remunerações. Deus não funciona assim. A justiça dos homens também é costume traduzir-se no tratamento por merecimentos, isto é, uma justiça que opera segundo se merece. Deus não funciona assim. A justiça de Deus não é como a justiça dos homens. 
A justiça de Deus não é fazer igual aquilo que não o é, porque completamente distinto e único, nem fazer como se merece. A justiça de Deus é fazer como se precisa. Como cada um precisa. Nem sequer é como cada um quer. É como Deus entende e sabe que cada um precisa. Não é tratar por igual, mas com o mesmo amor. A justiça de Deus é a justiça que ama.

terça-feira, maio 03, 2016

Falar de Deus

Para se falar de Deus há tanto para dizer. Fica sempre tanto por dizer. Parece que duas centenas de mãos cheias nunca chegariam. Quanto mais duas mãos meio vazías. Porém, quando se abre a boca, que é como quem diz, a vontade de falar de Deus, parece que algo nos cala ou nos força a emudecer. Verdade seja dita que não há palavras suficientes para falar de Deus. E será por isso que muitas vezes usamos as palavras formatadas. Ditas de cor e salteado, rapidamente, para não se esquecer ou não se enganar. Já me aconteceu não saber que falar de Deus, que é mais acertado dizer apetecer falar de Deus, e depois de começar há um sem fim de palavras que não me deixam acabar o que digo. Eu diria que são palavras arrastadas de emoções. Não sei se já te aconteceu sentires que devias falar das coisas de Deus a propósito ou a despropósito. A mim já. Muitas vezes. Quase sempre que encaro um rosto que olha para mim como padre. E depois tolhem-se-me as palavras. Tinha vontade de dizer qualquer coisinha, nem que fosse apenas um piscar de palavras. Mas saem formatadas porque me obrigo a dizer qualquer coisa. Quem é que porventura tem dificuldade em falar de Deus? Escondo-me atrás da cortina da janela, que quase não tapa nada, mas enfim, e digo baixinho para ninguém ouvir. Eu. O eu sai-me mais rápido e fácil do que o Deus. Espero não ser o único, porque senão isto descamba. 
E desculpem, amigos, este deambular de palavras. Estava aqui a querer escrever algo que tivesse a ver com Deus e só me saiu isto. Para falar da dificuldade que é forçarmo-nos a falar de Deus. Vale mais deixarmos Deus falar por nós.