sábado, abril 10, 2021

sementeiras [poema 312]

o homem cai da cruz quando te descem nos panos 
ou desces por tua própria vontade, porque te abaixaste 
 
o homem é depositado na escuridão quando te sepultam 
por pouco tempo, o tempo das sementeiras 
 
e o vento recolhe a tempestade e sopra, 
entra pela face, como um eco, e não mais pára, 
 
e a pedra fria que te encerrou é agora a escada 
que o homem despido folheia por dentro de si 
 
e o silêncio que selara o sepulcro, o esvazia 
desembaraça a esperança que a morte não matou 
 
no maior milagre do tempo sempre a vir 
de ficar para sempre, mesmo quando partir 
o tempo eterno das sementeiras...
 
Lucas 24, 1-12

1 comentário:

Ailime disse...

Boa tarde Senhor Padre,
Este é um daqueles poemas belíssimos, riquíssimo em espiritualidade, penso que o entendi, mas muito difícil de comentar.
Muito profundo!
Bom domingo.
Ailime